Um grupo de mães de alunos do Centro Educacional Myriam Ervilha Cívico-Militar, que é administrado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), levantou sérias preocupações ao relatar que seus filhos estão sendo pressionados a cortar o cabelo para se adequar a normas estéticas militares. Esse regulamento é visto como uma tentativa de obliterar a identidade e a cultura dos estudantes, levando as mães a recorrerem ao Ministério Público da União e ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
A atmosfera nas instituições de ensino é marcada por um constante clima de intimidação. “Os meninos que mudaram o corte estão tristes e usando bonés. Antes, exibiam com orgulho seus cachos; agora, escondem suas cabeças”, contou Fabiana Alves de Carvalho, professora da rede pública e mãe de um adolescente de 14 anos que tem sido alvo dessa pressão. Ela revelou que seu filho já recebeu duas advertências e enfrenta a ameaça de suspensão se não se conformar ao novo “padrão” estabelecido. Como resultado dessa política excludente, o jovem ficou impedido de participar de atividades educativas como passeios e interclasses.
Essas regras também evidenciam o racismo estrutural presente nas forças repressivas. Rejane Gomes dos Santos, mãe de um garoto negro de 16 anos, denunciou que seu filho foi advertido por usar o cabelo em estilo black power. O estudante compartilhou uma experiência em que um bombeiro declarou que “cabelos baixos combinam mais com negros”. Para ele, essa imposição afeta sua saúde mental: “Meu cabelo representa minha identidade e cultura; eles querem tirar isso de mim. Sinto-me oprimido por não poder fazer nada a respeito”, desabafou.
As reclamações apresentadas à mídia revelam ações frequentes da gestão militar, que busca controlar a revolta natural da juventude frente à exploração. A repressão à estética e à identidade dos jovens das classes populares é apenas a parte visível do problema gerado pela militarização conservadora. Em outra unidade, o CED 1 do Itapoã, estudantes foram forçados a realizar flexões e permanecer ajoelhados sob o sol intenso apenas porque os agasalhos que usavam foram considerados “inadequados” pelos policiais responsáveis pela escola.
Até mesmo o Comitê de Direitos da Criança das Nações Unidas expressou preocupação, recomendando ao Brasil que proíba a militarização reacionária nas escolas. No documento publicado em junho de 2025, o Comitê destacou sua inquietação com a violência sistemática contra crianças, problema que se agrava pela discriminação racial. No entanto, as autoridades ignoram os apelos internacionais, mantendo seu controle social sobre as comunidades periféricas.
A militarização das instituições educacionais faz parte de um projeto político mais amplo orquestrado pelo imperialismo norte-americano, iniciado como resposta aos protestos populares entre 2013 e 2014. Um estudo intitulado “Militarização da escola pública: gestão democrática em perigo?” revela que esse modelo utiliza a educação como ferramenta para perpetuar desigualdades. Relatos indicam situações em que policiais seguram alunas pelo braço para forçá-las a retirar piercings e insultam estudantes chamando-os de “vagabundas”. Em junho de 2024, um jovem de 17 anos foi agredido por um policial que sem provas o acusou de estar portando um celular roubado.
A abordagem policial transforma cada aluno proveniente de famílias carentes em um potencial suspeito, convertendo o ambiente escolar em uma extensão da delegacia e os pátios em verdadeiras prisões vigiadas. O verdadeiro problema reside no fato de que as escolas cívico-militares intensificam a guerra contra as populações marginalizadas e inibem a organização política entre os jovens. O objetivo é silenciar as vozes críticas e impedir que os estudantes compreendam as causas profundas da miséria e do alto custo de vida promovidas pelo capitalismo burocrático.
