
Durante uma entrevista ao AND, alunos da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) relataram o convite de um professor à ThinkTank sionista para o envolvimento em um evento acadêmico estudantil. Os estudantes também mencionaram a presença de uma articulação sionista na universidade, que monitora e intimida aqueles que apoiam a causa palestina, visando impor sua ideologia colonial e fascista. As alunas se manifestaram dispostas a enfrentar o sionismo dentro do ambiente universitário.
Entre os participantes da mesa “Conflitos no Oriente Médio”, realizada na semana acadêmica do curso de História da UDESC, campus Florianópolis-Itacorubi, estava uma acadêmica que defende o Estado sionista de Israel, conforme relataram estudantes independentes à correspondente local do AND.
A professora Monique Sochaczewski Goldfeld, uma investigadora brasileira com cidadania “israelense”, é conhecida por sustentar a legitimidade do Estado de Israel enquanto se autodenomina “anti-guerra” e “anti-sionista”. Estudantes criticaram essa posição como contraditória e oportunista. Em 2023, Goldfeld rotulou a Resistência Nacional Palestina como “terrorista” durante um evento promovido pelo Programa de Pós-graduação em História na própria UDESC.
Um aluno do curso de História afirmou: “O Estado de Israel é um projeto sionista fundamentado em uma política imperialista-colonial que visa exterminar outro povo para assegurar a existência desse Estado”. Ele ainda complementou que “é um Estado que representa uma continuidade do imperialismo estadunidense”.
Os alunos também apontaram que o professor responsável pela convocação de Goldfeld ignorou a comissão organizadora do evento, composta majoritariamente por estudantes. Ao serem questionados sobre possíveis nomes de intelectuais árabes favoráveis à causa palestina para compor a mesa, o docente desconsiderou suas sugestões e insistiu em sua escolha. Ele justificou sua decisão ao afirmar que o evento era “uma semana acadêmica e não uma semana política”, alegando uma falsa neutralidade científica enquanto convidava representantes sionistas.
Os estudantes destacaram que esse tipo de argumento é comumente utilizado por grupos reacionários que atacam movimentos políticos democráticos dentro da universidade, disfarçando suas intenções sob a bandeira da neutralidade para disseminar ideologias reacionárias predominantes nas instituições educacionais.
Uma aluna entrevistada indagou: “Como historiadores comprometidos com nossa ética política e responsabilidade histórica podemos permitir que uma pessoa sionista, que dá entrevistas à Globo News — aliada ao imperialismo ianque-sionista — participe da nossa comunidade?”
Ela acrescentou: “Nós, enquanto historiadores, não podemos apoiar projetos de extermínio promovidos pelo Estado de Israel no Líbano, Irã e Palestina. Isso impacta diretamente nossa formação científica e nosso compromisso com a sociedade”.
Ainda que Goldfeld tenha recusado o convite por falta de disponibilidade para comparecer ao evento, o professor continuou desconsiderando as sugestões dos alunos e pediu indicações para manter a linha sionista do evento. Além disso, foi relatado que ele estabeleceu uma taxa para inscrição dos trabalhos apresentados no evento, algo considerado absurdo pelos alunos, já que este é um evento organizado por estudantes visando seu desenvolvimento acadêmico e científico.
Sionistas monitoram e censuram apoiadores da causa palestina na UDESC
Os alunos afirmaram que as ações dos sionistas na UDESC não são recentes; existe uma forte articulação tanto dentro quanto fora da universidade tentando silenciar quaisquer manifestações em apoio à legítima causa palestina.
No ano de 2025, durante uma reunião ordinária do Conselho Universitário (Consuni) da Udesc, o professor Oséias Pessoa declarou sua intenção de monitorar dois eventos em prol da Palestina programados para ocorrer na instituição.
<pNo mesmo ano, durante uma sessão destinada a esclarecer questões relacionadas ao reitor da Udesc na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), em 14 de outubro, o deputado estadual Jessé Lopes (PL) acusou a universidade de utilizar recursos públicos para promover atividades em defesa do que ele chamou de “terroristas”, utilizando imagens de um evento pró-Palestina como evidência.
Além disso, as alunas relataram sobre os membros do movimento extremista RenovaUDESC — apoiado por professores e políticos externos — realizando rondas nos centros universitários para fotografar qualquer manifestação artística com conotação política democrática ou revolucionária com vistas a denunciá-las ao Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC). Esses indivíduos alegam estar “limpando a Udesc” e defendem que a universidade deve ser um espaço sem política. A administração da Udesc tem colaborado com esses esforços ao apagar pichações em apoio à causa palestina.
Os estudantes acreditam que essas ações demonstram como os reacionários e sionistas estão infiltrados na burocracia universitária. “É urgente tomarmos essa pauta nas mãos para combater o sionismo dentro da universidade”, concluiu uma estudante.
