Aprovação de Trump despenca para 62% em meio a conflitos com o Irã e turbulências internas nos EUA

O governo liderado por Donald Trump nos Estados Unidos alcançou um recorde de desaprovação no contexto da guerra contra o Irã, da repressão sistemática a imigrantes e de críticas públicas ao Vaticano. Atualmente, 62% da população americana expressa insatisfação com a administração Trump, conforme revela uma pesquisa realizada pela Reuters.

A pesquisa, que contou com 4.557 entrevistados adultos, indica que apenas 36% consideram o atual mandato mais benéfico do que prejudicial. A tendência de queda nas taxas de aprovação tem sido uma constante durante sua gestão. Ao iniciar seu segundo mandato, em fevereiro de 2025, Trump já enfrentava um índice de aprovação de apenas 47%, e esse número despencou em 11 pontos percentuais em um período de pouco mais de um ano.

Entre as inquietações dos cidadãos está a sanidade mental do presidente, especialmente considerando a situação tensa provocada pela guerra contra o Irã e o fechamento do estreito de Ormuz pelo Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (CGRI).

<pApenas 26% dos participantes da pesquisa afirmaram que as falas de Trump sobre a perseguição aos imigrantes e suas ameaças à "civilização inteira" do povo iraniano são vistas como "equilibradas". Essa questão gerou divisões até mesmo entre os membros do Partido Republicano, com 46% dos apoiadores do partido considerando Trump desequilibrado.

Os resultados foram divulgados uma semana após Trump proferir ataques ao Vaticano e exigir lealdade ao papa americano Leão XIV, em resposta às críticas do bispo de Roma à guerra no Irã. A situação se intensificou quando o vice-presidente JD Vance, católico, fez ameaças ao líder da Igreja Católica, sugerindo que ele “deveria ter cuidado ao falar sobre teologia”. Embora não sejam a maioria, cerca de 19% a 24% da população americana se declara católica.

Repressão aos imigrantes gera descontentamento

Os principais fatores para a acentuada queda na popularidade de Trump estão relacionados à repressão violenta contra imigrantes e suas famílias, liderada pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e exacerbada pelos conflitos armados no Oriente Médio, especialmente na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro.

A pressão sobre a comunidade imigrante é particularmente significativa. Desde que assumiu o cargo, Trump implementou uma política sistemática que resultou no envio de crianças imigrantes legalmente presentes nos EUA para campos de detenção em Louisiana.

Uma pesquisa anterior da Reuters, realizada em fevereiro, já indicava uma aprovação de apenas 38%. Naquela época, a indignação popular era alta após os assassinatos dos estadunidenses Renee Good e Alex Preddy pelas forças do ICE em Minnesota enquanto defendiam os direitos dos imigrantes.

Os assassinatos geraram uma onda massiva de protestos em todo o país, com Minneapolis sendo palco de semanas intensas de mobilizações que incluíram suspensão das aulas e confrontos generalizados.

A ascensão das organizações autodefensivas foi notável. Grupos inspirados no antigo Partido dos Panteras Negras para Autodefesa começaram a se mobilizar nas ruas e organizar defesa territorial em diversos estados. Um exemplo é o Partido dos Leões Negros para Solidariedade Internacional, que se distanciou das posturas reacionárias que negavam a participação da população negra nas manifestações em favor dos imigrantes.

Conflito com o Irã agrava crise interna

A insatisfação popular teve um novo impulso após os ataques norte-americanos ao Irã, incluindo o assassinato do líder iraniano Ali Khamenei e mais de 160 crianças em uma escola. A declaração formal de guerra ocorreu sem autorização do Congresso e foi intensificada após reportagens confirmarem a influência do lobby sionista nas decisões da administração americana, gerando revolta entre os republicanos que defendem interesses nacionais.

A juventude estadunidense tem se mobilizado desde outubro de 2023 contra o sionismo e seus ataques aos povos da Ásia Ocidental, especialmente à Palestina. Em 2024, estudantes americanos, incluindo grupos judaicos antissionistas, realizaram ocupações nos campi universitários para protestar contra pesquisas universitárias que favorecem ocupações sionistas.

A mobilização continua forte entre trabalhadores e estudantes nos EUA, com novas manifestações programadas para o dia 23 de abril em frente ao Citizen Bank, exigindo o fim do financiamento desse banco ao ICE. As ações fazem parte de um movimento contínuo que desde março já contabiliza mais de 3.200 atos realizados em todos os estados americanos.

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