Caiado critica ‘Rachadinha’ e afirma que voto em Flávio reforça Lula; disputa é por quem atende mais aos interesses dos EUA

O latifundiário Ronaldo Caiado, que é pré-candidato à Presidência pelo PSD, fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em 8 de julho. Durante um evento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), realizado em Brasília (DF), Caiado considerou a postura do parlamentar, que participou de uma audiência no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), como “inaceitável” e um sinal de “ajoelhamento”. O ex-governador de Goiás afirmou que a candidatura de Flávio favorece a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Muitos não querem admitir, mas se você optar por votar no Flávio, estará contribuindo para a reeleição do Lula. Essa é a realidade. A candidatura dele está sendo moldada conforme os interesses do PT”, afirmou Caiado.

A crítica surgiu após a viagem de Flávio Bolsonaro a Washington, onde esteve com Eduardo Bolsonaro para discutir uma proposta que prevê tarifas de 25% do governo norte-americano sobre produtos brasileiros. O senador, que anteriormente havia demonstrado disposição em atender aos interesses dos EUA em encontros passados, tentou agora se posicionar como defensor da economia brasileira e do sistema Pix durante sua participação na audiência.

No entanto, essa audiência revelou um cálculo eleitoral por trás da viagem. Flávio sugeriu que as tarifas fossem adiadas até depois das eleições de outubro, alegando que “o cenário político será diferente em 90 dias”. Caiado interpretou esse pedido como uma rendição dos interesses nacionais à agenda eleitoral bolsonarista.

“Com todo respeito ao Flávio, pedir para adiar a tributação em uma sessão nos EUA é inaceitável”, criticou Caiado. Ele também aproveitou a oportunidade para atacar o presidente Luiz Inácio, acusando-o de provocar o ex-presidente Donald Trump enquanto tenta se posicionar como um mediador entre as provocações petistas e o “ajoelhamento” dos bolsonaristas.

O governo de Luiz Inácio também utilizou essa chantagem internacional como parte da disputa eleitoral. Embora tenha denunciado as tarifas como uma forma de ingerência e atribuído ao clã Bolsonaro culpa pelas sanções americanas, concentrou suas ações em negociações com os EUA e na exploração das vulnerabilidades políticas de Flávio. Essa falsa polarização permite ao governo se apresentar como protetor da soberania nacional sem romper com a subserviência histórica do Estado brasileiro ao imperialismo.

Desgaste eleitoral e disputa pelo domínio no campo reacionário

A ofensiva de Caiado ocorre em um contexto delicado para o clã Bolsonaro. Uma pesquisa revelou que 47% dos brasileiros acreditam que o clã provocou as tarifas ao buscar apoio externo, enquanto apenas 35% aceitam a justificativa de Flávio de que ele tentou evitá-las.

Além disso, o senador enfrenta investigações relacionadas ao esquema de “rachadinha” e à solicitação de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse. Caiado não hesitou em usar isso contra ele: “Ele não deveria ser candidato à Presidência porque não pode contar com presunção de inocência”, argumentou o latifundiário, aproveitando-se da fragilidade moral que afasta os eleitores conservadores.

A luta pela submissão ao imperialismo

Embora tenha atacado o “ajoelhamento” de Flávio, isso não faz de Caiado um defensor genuíno dos interesses nacionais. Em 25 de maio, durante um evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), o latifundiário goiano defendeu a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas”, permitindo assim a presença permanente das Forças Armadas na Amazônia. Na ocasião, prometeu buscar tecnologia e informações junto aos EUA para fortalecer sua política de segurança contra o “crime organizado”.

A proposta de Caiado incorpora aspectos da política norte-americana sobre “narcoterrorismo”, visando ampliar a ingerência militar na América Latina. Em junho, cadetes da Academia Militar de West Point participaram de atividades no Comando Militar da Amazônia e no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus (AM), onde tiveram contato com técnicas militares adaptadas à selva e com as operações do Exército brasileiro em áreas remotas ricas em recursos naturais.

Caiado não representa verdadeiramente os interesses nacionais no agronegócio. Ex-dirigente da União Democrática Ruralista (UDR), ele simboliza uma classe que concentra terras e direciona a produção para exportação, subordinando as riquezas brasileiras às demandas externas. Sob o disfarce da segurança e crescimento econômico, essa política resulta na destruição dos biomas nativos e na repressão das populações rurais, abrindo espaço para maior ingerência norte-americana na Amazônia.

Portanto, suas críticas ao “ajoelhamento” representado por Flávio não configuram uma verdadeira oposição à subserviência nacional; são antes uma divergência sobre as maneiras pelas quais servem aos mesmos interesses. Enquanto Flávio busca credenciar-se diretamente junto aos EUA, Caiado tenta se apresentar como um aliado mais confiável capaz de executar as políticas americanas sem causar tanto desgaste eleitoral. Esse conflito expõe ainda mais a luta pelo controle do mesmo espaço político.

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