Nazariya critica grupo liquidacionista que forma entidades paralelas para deslegitimar a ideologia do Partido Comunista da Índia (Maoista)

No dia 7 de julho, o blog brasileiro Servir ao Povo divulgou uma tradução não oficial em português do Brasil do texto intitulado “Desmascarar, rechaçar e derrotar a camarilha renegada e liquidacionista de Gopal Mishra e Prashant Rahi!”, originalmente publicado na revista indiana revolucionária Nazariya. O documento traz à tona uma recente declaração do Partido Comunista da Índia (Maoista) que critica as ações de Gopal Mishra e Prashant Rahi, associando-os a uma linha oportunista e revisionista que visa atacar o PCI (Maoista), bem como a Guerra Popular Prolongada e a Revolução de Nova Democracia.

Na introdução, a Equipe Editorial do Servir ao Povo considera o texto uma “leitura essencial”, pois ao expor a linha liquidacionista que almeja desmantelar a Guerra Popular e a liderança proletária na Índia, os maoistas indianos – juntamente com a Nazariya, que busca disseminar essa polêmica entre as grandes massas – também revelam os “argumentos” da direita revisionista que se disfarça de “maoista” dentro do Movimento Comunista Internacional (MCI).

A Nazariya posiciona sua crítica dentro da luta constante contra o revisionismo. A revista argumenta que “para avançar, é imprescindível que o movimento comunista se liberte da lama OLR que o aprisiona”, referindo-se à linha de Oportunismo-Liquidacionismo-Revisionismo (OLR). A publicação enfatiza que essa batalha é “incessante e interminável”, comparando o revisionismo à Hidra da mitologia grega: “corta-se uma cabeça e duas surgem em seu lugar”.

A crítica ao ‘ego feudal ferido’ de Balraj

No texto da Nazariya, Balraj é apresentado como “o pai do revisionismo no Norte da Índia”. Após sua liberação da prisão, ele teria começado a liderar atividades contra o partido, favorecendo posturas liquidacionistas e conspiratórias. De acordo com a revista, Balraj teve seu “ego feudal ferido” e não aceitou passar para a clandestinidade, mesmo sendo membro do Birô Político, porque não estava disposto a se proletarizar ou enfrentar os desafios exigidos de um revolucionário profissional.

Ainda segundo o documento, Balraj teria levantado questões enganosas para encobrir seu próprio revisionismo e sua política antiproletária. A revista critica suas propostas de criar dois comitês centrais – um “aberto” para atividades urbanas e outro clandestino para o rural –, considerando isso uma negação da primazia do trabalho clandestino na revolução.

A publicação também acusa Balraj e seus aliados de afirmarem que a análise da Índia como um país semicolonial e semifeudal estaria ultrapassada, alegando um suposto desenvolvimento capitalista em regiões como Punjab e Haryana. Com isso, sustentavam que a Guerra Popular Prolongada perdeu relevância e que a questão agrária deixaria de ser central para a Revolução Indiana.

Anteriomente, em 2024, a Nazariya já havia lançado o documento intitulado “Desmascarando a linha revisionista moderna de ‘Balraj’ e seus asseclas”, também traduzido pelo Servir ao Povo. Na introdução dessa tradução, o blog brasileiro observou que Balraj repetia “ideias ultrapassadas dos revisionistas”, criticando o “dogmatismo”, o “militarismo” e as atividades clandestinas, chegando até mesmo a afirmar que “não é possível realizar trabalho de massas na clandestinidade”, além de insistir na ideia de que “a linha militar predomina no Partido”.

Gopal Mishra e as ‘organizações fantasmas’

A Nazariya aponta Gopal Mishra, conhecido como Raghu, como alguém que segue diretamente os passos de Balraj. O documento menciona que ele e seu grupo se recusam a reconhecer que somente pela Revolução de Nova Democracia através da Guerra Popular Prolongada pode haver avanço na Índia semicolonial e semifeudal.

A revista denuncia ainda que em Déli – área onde Mishra atua predominantemente, ironicamente chamada pelo documento de “área de sabotagem” – sua equipe teria colaborado com o Estado ao interromper trabalhos de organizações revolucionárias, difamar camaradas e tentar isolar G.N. Saibaba por defender uma linha marxista-leninista-maoista firme contra desvios.

Embora declare buscar unidade com o campo revolucionário em palavras, Gopal Mishra espalha calúnias acerca da liderança do movimento revolucionário em Déli. Segundo relatórios contidos no documento, tentativas foram feitas para estabelecer diálogo político com ele; no entanto, foi Mishra quem impediu esses esforços ao recusar qualquer encontro com camaradas.

A Nazariya ressalta ainda as tentativas de Gopal Mishra em formar organizações paralelas em universidades onde não existiam movimentos revolucionários estabelecidos. Ele buscava atrair estudantes simpatizantes das ideias do MLM e da Revolução de Nova Democracia. Além disso, procurou criar grupos paralelos em locais já ocupados por organizações dessa mesma linha.

“Esses são novos movimentos-fantasmas surgindo aqui e ali”, caracteriza o comunicado do Servir ao Povo, referindo-se a esses agrupamentos como manifestações do revisionismo disfarçado de organização própria liquidacionista; descreve-os como “um abscesso em supuração”, utilizando jargões “marxistas”, calúnias direcionadas aos revolucionários e traições covardes.

Prashant Rahi: ‘representante revolucionário’ do grupo de Balraj

No conteúdo divulgado pela Nazariya, Prashant Rahi também é alvo das críticas. A revista afirma que ele utiliza sua imagem como preso político para se envolver nos assuntos das organizações revolucionárias. Sustenta ainda que ele viaja pelo país tentando ganhar legitimidade por meio dessa imagem, legitimidade essa posteriormente explorada pela quadrilha liderada por Gopal Mishra junto com os demais membros do grupo de Balraj.

Com base em declarações públicas do Comitê de Coordenação Norte do PCI (Maoista), a Nazariya menciona que Rahi foi identificado como agente estatal e delator. Por esse motivo, alerta para os perigos decorrentes da concessão de qualquer plataforma para ele; tal ato poderia conferir-lhe legitimidade perante as massas e permitiria a continuidade das suas atividades contrarrevolucionárias.

Falsos defensores da Guerra Popular

O blog Servir ao Povo observa que existem grupos dentro do MCI que expressam apoio à Revolução Indiana enquanto ainda defendem posições semelhantes às da direita liquidacionista já excluída do PCI (Maoista). Esses grupos criticam a centralidade da linha militar – ou seja, da luta armada – além da análise maoísta sobre o capitalismo burocrático gerado pelo imperialismo nos países coloniais e semicoloniais com base semifeudal.

A nota adverte que tais elementos precisam ser “desmascarados, denunciados, condenados e responsabilizados por todos os seus crimes contra a Revolução”, tal qual faz o PCI (Maoista). Para o blog brasileiro, essa é uma condição essencial para impulsionar a revolução rumo ao novo período histórico marcado por revoluções mundiais.

No final do comunicado, a Nazariya apela aos “estudantes, jovens e indivíduos comprometidos com a Revolução de Nova Democracia”, alertando sobre as armadilhas criadas por traidores que tentam desviá-los para organizações paralelas. A revista conclama esses grupos a se oporem à sua “direção revisionista estabelecida” integrando-se às verdadeiras organizações revolucionárias ou transformando essas estruturas em entidades genuinamente revolucionárias.

A publicação está inserida na luta ideológica global em defesa do PCI (Maoista), promovendo tanto a Guerra Popular na Índia quanto a Revolução de Nova Democracia contra linhas rendicionistas e seus representantes revisionistas – desde os liquidacionistas indianos até seus ecos internacionais. Como enfatiza a Nazariya, “todos aqueles que desejam ver uma Índia democrática verdadeiramente livre devem abraçar essa luta contra o liquidacionismo como sua própria causa”. Ao finaliza-la conclui-se: “um golpe contra qualquer forma reacionária é um golpe contra todas elas”.

Leia o documento completo no site do Servir ao Povo:

Deixe um comentário