Uma pesquisa realizada pela Atlas/Bloomberg e divulgada em 19 de maio revelou que 95,6% dos participantes estão cientes das conversas gravadas entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Além disso, 51,7% dos entrevistados acreditam que o senador está diretamente implicado nas atividades do banco. O levantamento também indicou uma queda no apoio a Flávio, que perdeu mais de cinco pontos percentuais em um potencial primeiro turno e seis pontos no segundo turno contra Luiz Inácio (PT), após a revelação das conversas sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No cenário de um possível segundo turno, Luiz Inácio lidera com 48,9%, enquanto Flávio, conhecido pelo apelido “Rachadinha”, aparece com 41,8%. Em uma pesquisa anterior, realizada em abril, os números estavam muito próximos: Flávio tinha 47,8% e Luiz Inácio contava com 47,5%, caracterizando um empate técnico.
A maior parte dos eleitores que abandonaram o apoio a Flávio migraram temporariamente para as categorias de indecisos, nulos e brancos. Este grupo específico teve um aumento expressivo, saltando de 4,7% na pesquisa anterior para 9,3% na atual. A coleta de dados ocorreu entre os dias 13 e 18 de maio, coincidindo com a divulgação pelo portal The Intercept Brasil dos áudios que continham pedidos de repasses financeiros para financiar um projeto cinematográfico relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Tentativas do PL para impedir a divulgação da pesquisa
<pNo contexto do primeiro turno, Renan Santos (Missão) é mencionado com 6,9%, seguido por Romeu Zema (Novo), que apresenta 5,2%, e Ronaldo Caiado (PSD), que marca 2,7%. Os pré-candidatos Augusto Cury (Avante) e Aldo Rebelo (DC) obtiveram menos de 1% cada. Votos nulos e brancos totalizaram 1,4%, enquanto 1,9% dos entrevistados se disseram indecisos. O instituto também avaliou diferentes cenários sem a presença de Flávio Bolsonaro na lista de candidatos.
No primeiro modelo alternativo apresentado — onde não havia candidatos da extrema direita — Romeu Zema alcançou 17%, Ronaldo Caiado chegou a 13,8%, e Renan Santos registrou 8%. Luiz Inácio manteve-se com 46,7%, enquanto os votos nulos e brancos subiram para 6,8% e os indecisos foram para 4,6%. Em uma segunda configuração, que incluía a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), ela obteve 23,4% das intenções de voto; Luiz Inácio ficou com 47%, Zema teve 10%, Renan Santos somou 7,8% e Caiado alcançou 6%.
Em confrontos diretos no segundo turno conforme indicado pela pesquisa, Luiz Inácio superaria Romeu Zema por uma margem de 47,8% a 37,6%, além de vencer Ronaldo Caiado por um placar de 47,5% a 38,5%. A maior diferença é vista em relação a Renan Santos do grupo Missão: o atual governante teria uma vantagem significativa com 47,8% frente aos seus apenas 28,4%. A metodologia utilizada levantou dúvidas entre apoiadores da família Bolsonaro nas redes sociais devido à reprodução do áudio da denúncia ao final da pesquisa.
Frente às críticas recebidas, Andrei Roman, diretor-executivo da Atlas, afirmou que “o áudio é apresentado somente após a conclusão do questionário e não influencia os resultados eleitorais.” Ele explicou que o objetivo era entender o impacto imediato dessa gravação na percepção dos eleitores com segmentação demográfica. No entanto, essa justificativa não convenceu a campanha de Flávio Bolsonaro; ela protocolou uma ação junto ao TSE solicitando a suspensão imediata da divulgação da pesquisa estatística sob alegações de indução negativa nas respostas.
A peça jurídica elaborada pela equipe do PL argumenta que a organização das perguntas e as referências diretas ao banqueiro Vorcaro e ao Banco Master comprometeram a imparcialidade da pesquisa. Os advogados destacam que o questionário continha estímulos direcionados capazes de influenciar as opiniões dos respondentes antes das perguntas sobre imagem pública e viabilidade política dos concorrentes. A campanha do “Rachadinha” denunciou manipulação e pediu investigações sobre possíveis crimes eleitorais relacionados à condução da amostragem composta por suas respectivas perguntas.
Impacto das denúncias na pré-campanha de Flávio
As repercussões das denúncias também se manifestaram nas pesquisas internas realizadas pelas próprias legendas. Relatórios privados encomendados pelo PL mostraram um declínio imediato no apoio à candidatura de Flávio entre três e cinco pontos percentuais variando conforme regiões e estratos sociais pesquisados. Esses dados internos coincidem com monitoramentos feitos pela equipe ligada ao governo federal indicando que os efeitos negativos das acusações se estenderam para além das mídias digitais.
A exposição das contradições nos discursos dos envolvidos aumentou desde que o site The Intercept Brasil trouxe à tona os laços entre o senador e o banqueiro Vorcaro. Antes desse escândalo vir à tona, Flávio tentava atribuir publicamente as irregularidades financeiras do Banco Master ao PT. Entretanto, quando questionado pela GloboNews, ele recuou e admitiu ter ocultado informações anteriormente sob alegações relacionadas a acordos confidenciais.
A linha defensiva adotada pela família Bolsonaro mostrou descompassos internos significativos durante explicações públicas. O deputado cassado Eduardo Bolsonaro — conhecido como “Bananinha” — inicialmente afirmou que sua participação se limitava à indicação legal necessária para formalizar o projeto. Contudo, documentos encontrados posteriormente revelaram sua assinatura em contratos como produtor-executivo e captador financeiro do filme em questão.
Banco Master atinge governo Luiz Inácio
A conexão com o Banco Master não se restringe apenas à extrema direita; ela também envolve membros da chamada esquerda falsa. Mensagens obtidas durante as investigações mostram que Vorcaro participou de um encontro secreto com Luiz Inácio no Palácio do Planalto em dezembro de 2024. Estiveram presentes Gabriel Galípolo — futuro presidente do Banco Central — além do ex-ministro Guido Mantega como intermediário dessa reunião omitida dos registros oficiais.
O escândalo também toca integrantes do governo atual. Rui Costa — chefe da Casa Civil — esteve ligado ao Banco Master durante sua gestão na Bahia através da transferência operacional envolvendo instituições como Banco Pleno e CrediCesta por meio da Voiter.
Queda nas intenções de voto não elimina pressão da extrema direita
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 13 de maio antes da repercussão dos áudios envolvendo Vorcaro já mostrava uma disputa acirrada entre Luiz Inácio e Flávio Bolsonaro. No primeiro turno desse levantamento , Luiz Inácio registrava intenção de voto em torno de 39%, enquanto Flávio contava com cerca de 33%. No segundo turno,a disputa estava equilibrada: Luiz Inácio aparecia com cerca de 42% contra aproximadamente 41% para Flávio. As taxas de rejeição eram semelhantes: Flávio apresentava rejeição em torno de 54%, enquanto Luiz Inácio tinha cerca de53%. Dos eleitores considerados “independentes”, cerca de35% afirmaram que não votariam nem em um nem no outro candidato.
Nesse panorama competitivo,o governo Luiz Inácio tenta ocupar espaço na pauta relacionada à segurança pública,e está assumindo parte do discurso tradicionalmente explorado pela extrema direita.Ao lançar o programa “Brasil Contra o Crime Organizado” em12de maio,cumprindo previsão orçamentária superior a R$1bilhão até2026,e mais R$10bilhões em créditos disponibilizados pelo BNDES aos estados.O anúncio seguiu-se após reunião entre Luiz Inácio e Donald Trump,focando no combate às chamadas“facções”e complementa iniciativas como o“PL Antifacção”(PL5582/2025) sancionado anteriormente,sancionado em março,dando origem ao crime denominado“domínio social estruturado”,com penas máximas atingindo40anosde prisão.
A retórica sobre “narcoterrorismo”, criticada pelo advogado André Luiz de Carvalho Matheus no programa A Propósito como parte integrante“de uma agenda interventiva”, surge nesse contexto como sinalização política para maior controle externo nas áreas envolvendo segurança,inteligência,dados estratégicos,e bens essenciais.A pesquisa Atlas/Bloomberg aponta um desgaste considerável para Flávio após as revelações envolvendo os áudios com Vorcaro; entretanto,o senador ainda figura com aproximadamente41 ,8 %de intenções no segundo turno,mantendo assim condições competitivas dentro do cenário eleitoral adverso traçado pela extrema direita.
