Pichações em defesa do Presidente Gonzalo e do PCP surgem em Huarmaca; governo peruano interrompe atividades escolares

Em escolas situadas nos povoados de Maza e Casaguay, na área rural de Huarmaca, na região de Piura, foram encontradas várias mensagens que manifestavam apoio à guerra popular liderada pelo Partido Comunista do Peru (PCP). As inscrições, feitas com tinta vermelha, prestaram homenagens ao Presidente Gonzalo, líder do PCP que foi assassinado em 2021 na Base Naval de Callao, além de criticar a atual farsa eleitoral no país.

A descoberta das mensagens ocorreu na manhã do dia 26 de abril. Informações da polícia apontam que os autores se aproveitaram da madrugada e da ausência de vigilância nas proximidades das escolas para realizar as pichações.

As pichações revelaram a ineficácia do antigo Estado peruano em derrotar o PCP, frequentemente chamado de “Sendero Luminoso”, e provocaram uma verdadeira onda de histeria anticomunista entre os reacionários locais. Estes rapidamente acionaram a Polícia Nacional do Peru para remover as mensagens e investigar o incidente, mas nenhum sinal dos responsáveis ou evidências da ação foram encontrados.

A primeira mensagem iniciava com a frase “Pelo Presidente Gonzalo”, alertando os informantes locais sobre a necessidade de abandonarem suas atividades contrarrevolucionárias sob a ameaça de “justiça popular” e clamando por “morte aos delatores!”.

Nas pichações seguintes, símbolos como a foice e o martelo acompanhavam frases como “Viva o comunismo” e “Viva a República Vermelha”, referindo-se à República Popular do Peru, fruto da Revolução de Nova Democracia que começou em 1983 com a derrubada do poder latifundiário e da grande burguesia colaboradora do imperialismo, especialmente nas áreas rurais.

Essas pichações surgem em meio ao segundo turno das eleições peruanas, que conta com a participação do oportunista Roberto Sánchez Palomino — aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído por tentativa de golpe — e da ultrarreacionária Keiko Fujimori, filha do autocrata que instaurou um regime de terror aliado aos cartéis de cocaína nos anos 1990, sendo responsável pelo assassinato de pelo menos 25 mil pessoas.

A região de Huarmaca possui um longo histórico de conflitos agrários e é marcadamente influenciada pela guerra popular iniciada pelo PCP em 1980, que continua até hoje.

Reação reacionária do velho Estado peruano intensifica o ressentimento popular

<pEnquanto as autoridades policiais se concentram na investigação dos autores das pichações, o sentimento anti-forças armadas tem crescido entre o povo peruano nas últimas semanas.

No dia 25 de abril, cinco jovens foram brutalmente assassinados pelo Exército peruano no distrito de Colcabamba e rapidamente rotulados como “narcoterroristas”. O único sobrevivente do massacre, Ricardo Acuña Quispe, afirmou que foi forçado pelos militares a se incriminar sob ameaça com armas apontadas para sua cabeça. Na ocasião, os militares estavam à paisana e abordaram o veículo onde os jovens estavam; segundo Ricardo Acuña, eles acreditavam estar diante de um assalto.

Nos últimos dois anos, uma onda reacionária tomou conta do país após a anistia concedida pela então presidente Dina Boluarte ao ex-presidente Fujimori e a mais de 600 militares envolvidos nos massacres dos anos 1990. Essa medida contribuiu para um aumento nos crimes cometidos pelo antigo Estado peruano contra as massas populares.

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