Quênia: Autoridades detêm 19 manifestantes em protestos contra cúpula do imperialismo francês

A repressão a uma manifestação em Nairóbi, capital do Quênia, foi marcada por violência policial, ocorrendo em protesto à Cúpula África Adiante, que contou com a presença do presidente francês Emmanuel Macron e do presidente queniano William Ruto. O evento, realizado em 12 de maio, foi uma reação à tentativa do imperialismo francês de reforçar sua influência sobre o continente africano. As informações foram divulgadas por um portal local.

Nos dias 11 e 12 de maio, diferentes grupos se uniram para realizar uma contra-cúpula denominada Cúpula Panafricana Contra o Imperialismo. Este esforço reuniu ativistas, estudantes, sindicalistas e intelectuais, incluindo delegações internacionais que se opunham ao evento oficial, considerando-o um meio de dominação imperialista na África.

A primeira onda de repressão ocorreu no dia 11 de maio, quando a polícia deteve cinco estudantes na Universidade de Nairóbi por manifestarem contra a Cúpula África Adiante. Esses estudantes eram associados à Comissão Estudantil Revolucionária, vinculada ao Partido Comunista Marxista do Quênia.

No dia seguinte, durante uma marcha em Nairóbi, mais 14 pessoas foram presas. Dentre os detidos estavam cinco representantes internacionais e nove ativistas locais. A intervenção policial começou quando tentaram bloquear o avanço da manifestação que tinha como destino a estátua de Dedan Kimathi, um líder anticolonial queniano executado pelo colonialismo britânico em 1957. Segundo relatos da mídia, os policiais utilizaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

Em suma, as detenções somaram um total de 19 pessoas entre os dias 11 e 12 de maio. De acordo com o portal mencionado anteriormente, 14 indivíduos foram liberados: os cinco estudantes detidos no primeiro dia e os nove ativistas presos no segundo dia. Permaneciam sob custódia cinco delegados internacionais: Guy Bremond (França), Dimitrios Patelis (Grécia), Joti Brar (Bretanha), Lee Sanghun e Song Danbee (Coreia do Sul).

O secretário-geral do Partido Comunista Marxista do Quênia, Booker Omole, junto a outros membros da organização política tentaram garantir a libertação dos delegados internacionais. Durante uma mobilização em frente à delegacia onde estavam detidos, a polícia disparou balas reais para dispersar os manifestantes e tentou sequestrá-los.

O Comitê Central Organizador do Partido Comunista Marxista do Quênia publicou um comunicado condenando as ações repressivas do governo queniano contra ativistas tanto locais quanto internacionais. No informe divulgado pela plataforma local, o partido qualificou o governo Ruto como um regime neocolonial e aliado dos interesses imperialistas.

A situação também provocou reações internacionais significativas. Na França, grupos sociais criticaram a prisão do ativista Guylhem e pediram sua libertação imediata. Em Seul, na Coreia do Sul, manifestantes se reuniram em frente à embaixada queniana exigindo a soltura dos presos políticos; no entanto, eles foram cercados e agredidos pelas forças policiais. As detenções realizadas em Nairóbi ilustram a repressão contínua do Estado queniano contra movimentos solidários que se opõem ao imperialismo francês na África.

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