O Exército de Libertação Nacional (ELN) divulgou a conclusão de um julgamento revolucionário envolvendo quatro membros do governo colombiano. A Frente de Guerra Oriental do ELN anunciou penas que vão de 32 a 60 meses de “prisão revolucionária” para agentes do Corpo Técnico de Investigação (CTI) da Procuradoria-Geral e para integrantes da Polícia Nacional.
Os indivíduos condenados são Jesús Antonio Pacheco Oviedo e Rodrigo Antonio López Estrada, ambos do CTI, que foram capturados em maio de 2025, além dos policiais Franque Hoyos e Yordin Fabián Pérez Mendoza, presos em julho do mesmo ano. Entre eles, Pacheco Oviedo recebeu a pena mais rigorosa: cinco anos em cativeiro por acusações de tortura, ataques à população civil, desaparecimento forçado e crimes contra a humanidade. López Estrada foi sentenciado a 55 meses pelos mesmos delitos. Já os policiais Hoyos Murcia e Pérez Mendoza, pertencentes à Diretoria de Investigação Criminal (Dijin), foram condenados a 36 e 32 meses, respectivamente, por espionagem e traição ao povo.
A reação dos órgãos do antigo Estado foi rápida e marcada por críticas reacionárias. Marín Ortiz, da Defensoría del Pueblo, apressou-se em rotular o julgamento como “ilegal e ilegítimo”, apelando para o Direito Internacional Humanitário. O Conselho Superior da Magistratura e o Supremo Tribunal também emitiram declarações de reprovação, reafirmando seu compromisso com o que denominam “Estado de Direito Social e Democrático”, uma estrutura que historicamente serve para assegurar a exploração das massas populares e a entrega das riquezas nacionais ao imperialismo, especialmente o ianque.
A militarização do campo e o avanço da luta armada
A abordagem governamental da chamada falsa esquerda liderada por Gustavo Petro tem se mostrado uma continuação das políticas contrarrevolucionárias das administrações anteriores, embora disfarçada sob uma nova roupagem. O ELN denunciou que o governo abandonou as negociações formais, optando por ações de inteligência destinadas a fragmentar a organização, buscando negociar individualmente com frentes regionais.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez Suárez, tentou desqualificar o ELN ao classificá-lo como um “cartel de drogas”, uma estratégia comum para desmerecer grupos armados e camuflar o aspecto político da sua luta. Essa tentativa de criminalização visa justificar a crescente militarização do campo, que recebe apoio logístico e financeiro do imperialismo norte-americano.
Contrariando as expectativas geradas pela ofensiva reacionária, o ELN tem demonstrado notável capacidade operacional e adaptação tecnológica. No departamento de Chocó, a Frente Ocidental realizou ataques significativos contra uma delegacia em Santa Rita del Iró utilizando drones equipados com explosivos. A governadora local reconheceu que a infraestrutura das forças repressivas foi atacada repetidamente, evidenciando que a guerra de guerrilhas vem moldando os rumos do conflito.
Em áreas estratégicas como Cúcuta, o domínio exercido pelo ELN é tão sólido que as forças repressivas evitam circular após as 18h em determinadas regiões. Relatórios de inteligência oficiais admitem que a influência da burocracia estatal é apenas simbólica em amplas áreas de Norte de Santander, apesar das promessas eleitorais feitas por Petro sobre acabar com o ELN em três meses.
