
O carnaval fora de época está pegando fogo em Paquetá. Não exatamente pela temperatura da folia. Moradores da ilha, que é um bairro na região central do Rio, divulgaram um manifesto e acionaram o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) contra o bloco Boto Marinho. Eles pedem o cancelamento de um desfile da agremiação marcado para acontecer na manhã deste sábado (12), argumentando que o evento representa risco à ordem pública. Os organizadores, por sua vez, dizem que as críticas são motivadas por preconceito e intolerância à cultura popular. O MPRJ ainda não se manifestou.
Segundo informações do jornal O Globo, na quarta (9), um morador protocolou uma queixa no MPRJ, classificando o evento como “clandestino” e pedindo a intervenção da promotoria para impedir sua realização. A representação alega que o bloco “não possui registro na Riotur, não apresenta plano de contingência aprovado pelo Corpo de Bombeiros (CBMERJ) e Polícia Militar (PMERJ)”. A representação destaca ainda a qualidade de Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) de Paquetá, o que exige a preservação da identidade local, como seu traçado urbano, as características arquitetônicas, a paisagem bucólica e o sossego público. A petição digital, denominada “Diga não ao Boto” e publicado na plataforma change.org, conta com mais de 700 assinaturas.
O texto pede o cancelamento imediato do desfile e a proibição de viagens extras de barcas para o evento. Os moradores destacam que, numa edição realizada em março, a agremiação levou mais de 15 mil foliões para a ilha, causando “superlotação dos postos médicos, com overdoses e comas alcoólicos, invasão de propriedade por ambulantes e foliões, urina em massa nas ruas, falta crônica de banheiros e intimidação de comerciantes locais por parte dos organizadores”.
O bloco fundado em 2017 faz dois cortejos em domingos após o carnaval, e um no início de setembro. Os foliões partem da estação das barcas na Praça XV, no Centro do Rio, antes das 7h, e se concentram na Praça Pinto Pedro Bruno, já em Paquetá. Por volta das 9h, desfilam pela Praia da Moreninha e fazem o retorno na Praça São Roque até o ponto inicial. A dispersão acontece por volta das 18h. De acordo com a organização, em virtude do evento deste sábado, barcas extras serão disponibilizadas pela Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram). A pasta informou que o planejamento da operação do sistema de barcas foi realizado de forma a atender a demanda extraordinária, a partir da previsão informada pelos organizadores do evento. Para este sábado, diz o órgão, os organizadores informaram um público estimado em 7 mil pessoas. Por essa razão, estão sendo disponibilizadas dez viagens extras em ambos os sentidos.
Procurado pelo Globo, o fundador do bloco, Danilo Firmo, disse não ter sido notificado sobre cancelamento por nenhum órgão. Ele defende que os moradores contrários ao bloco representam um setor minoritário do local “que quer criminalizar a cultura”. “O Boto Marinho faz parte do movimento de carnaval não oficial do Rio, como tantos outros blocos. Nosso objetivo é a ocupação de rua com a cultura popular, o que não quer dizer que não dialoguemos com o poder público; nossas conversas vão desde prefeitura ao Corpo de Bombeiros”, afirmou ele, ao jornal.
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A Polícia Militar informou que a organização do evento não entrou em contato com a corporação para solicitar autorizações necessárias à realização de qualquer festividade na Ilha de Paquetá, na data mencionada: “Dessa forma, não há qualquer autorização ou liberação concedida pela Secretaria de Estado de Polícia Militar”. Já a Secretaria municipal de Ordem Pública afirmou que vai atuar para impedir a realização do evento. E a Riotur esclareceu que, até o momento, não consta no sistema de Cadastro Prévio de Eventos (CPE) pedido de autorização para a realização do bloco Boto Marinho na data em questão. Da mesma forma, o Corpo de Bombeiros também não tem processo em tramitação referente ao desfile do Boto. “Portanto, não há liberação do CBMERJ para a realização do evento”, ressaltou.
