Jon Secada revela: ‘A ansiedade ainda me acompanha

Antes mesmo de Bad Bunny marcar sua presença icônica no Super Bowl, expressando seu orgulho porto-riquenho, e da colombiana Shakira ser reconhecida pela revista Billboard como a maior artista pop latina da história, um cubano foi fundamental para abrir esse caminho. Jon Secada, que trabalhou como backing vocal para Gloria Estefan durante dez anos, lançou-se em uma carreira bilíngue que o fez brilhar mundialmente. Ele deixou Cuba ainda criança, quando sua família se mudou para a Flórida em 1971, fugindo da ditadura de Fidel Castro.

Com mais de 22 milhões de álbuns comercializados e três prêmios Grammy no currículo, Secada desempenhou um papel crucial na transformação do cenário musical global no início dos anos 90, rompendo barreiras culturais e comerciais. A mídia internacional o nomeou de LCK, ou Rei do Crossover Latino. Sua canção Just Another Day, que foi seu álbum de estreia solo, continua sendo um sucesso atemporal — especialmente entre os brasileiros, que terão a oportunidade de vê-lo novamente na próxima sexta-feira (28).

Secada fará uma apresentação ao lado da cantora Marina Elali no Qualistage. A dupla gravou a canção Lost Inside Your Heart, tema da novela Viver a Vida, da TV Globo. Em uma conversa realizada em sua residência em Miami, o cantor de 64 anos compartilhou suas expectativas sobre retornar ao Brasil e comentou sobre o crescente número de casos de xenofobia nos Estados Unidos.

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O que faz sua música ressoar tanto com o público brasileiro? Não tenho uma resposta clara para isso, mas sou grato. Visito o Brasil há 35 anos e sinto que esse país se tornou meu segundo lar. Vocês têm artistas incríveis e uma vasta riqueza musical; por isso, ser acolhido por aqui é uma grande bênção. Estabeleci laços profundos com meus fãs; muitos me seguem desde a infância e agora trazem seus filhos aos meus shows. A energia dos concertos é algo único e me inspira sempre.

Se pudesse colaborar com alguém do Brasil, quem escolheria? Cresci ouvindo Roberto Carlos em espanhol e só percebi sua magnitude depois de conhecer o Brasil. Ele é um dos artistas que mais admiro por estar ligado à minha juventude e continuar ativo até hoje — algo notável. Inclusive, costumo cantar um trecho de Como Vai Você nas minhas apresentações. Já colaborei com Daniela Mercury, que é uma profissional incrível e generosa.

Poderá aproveitar a cidade durante sua visita? Amo o Rio! Foi lá que fiz meu primeiro show no Brasil e já passei um período na cidade caminhando por Copacabana para admirar as paisagens. Nesta visita não poderei passear muito, mas estou ansioso para chegar. Adoro a descontração dos cariocas.

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Como você percebeu a ascensão dos artistas latinos ao longo de sua carreira? Foi um processo gradual desde os anos 90. Artistas como Gloria Estefan e eu ajudamos a iniciar essa mudança. Isso incentivou as gravadoras a enxergarem o valor em trabalhar com músicos que cantam em inglês e espanhol, promovendo essa produção globalmente. Afinal, a música é uma linguagem universal.

Acredita que sua trajetória facilitou o caminho para artistas como Bad Bunny e Shakira? Sem dúvida é uma evolução da música popular que tem enfrentado cada vez menos barreiras linguísticas. Isso também beneficia o mercado musical. A performance de Bad Bunny durante o intervalo do Super Bowl foi um marco histórico; apresentar-se nos Estados Unidos apenas em espanhol demonstra que nunca se tratou apenas do idioma, mas sim do artista e da qualidade do que está sendo criado.

Qual canção simboliza melhor sua trajetória?A canção Just Another Day, que escrevi como parte do meu álbum de estreia solo após cinco anos de trabalho, acabou se tornando um padrão para todo o disco e fez muito sucesso. A inspiração surgiu em reflexões sobre amor e vida enquanto viajava com Gloria Estefan e meu parceiro principal na época, Miguel Morejon; conseguimos compor tudo em apenas 30 minutos.

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Ainda sente nervosismo antes de se apresentar após quatro décadas na música? Às vezes fico nervoso sim! Contudo, acima disso tudo, sinto imensa gratidão. Especialmente quando ouço as pessoas gritando meu nome antes de eu subir ao palco; saber que ainda estão ali esperando por mim é algo extraordinário.

Sente-se preocupado com os efeitos da inteligência artificial na indústria musical? O temor relacionado à IA está presente em diversas áreas além da música. No entanto, se utilizada adequadamente pode ser bastante benéfica. Não adianta resistir; ela chegou para ficar e tende a se tornar cada vez mais influente. Ao longo das últimas décadas vi muitas transformações tecnológicas — desde fitas cassete até redes sociais — meu papel é seguir essas mudanças com atenção para aproveitar as oportunidades oferecidas.


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A viralização instantânea nas redes sociais é positiva ou gera carreiras frágeis? As plataformas sociais são ferramentas poderosas; algo inexistente quando comecei minha jornada musical. Atualmente são essenciais para artistas alcançarem novos públicos. O crucial é saber como sustentar esse ímpeto inicial: se conseguir manter o interesse das pessoas será ótimo; mas requer substância para garantir relevância contínua.

Ainda existe necessidade de superar certos estereótipos relacionados aos artistas latinos? Sempre haverá opiniões formadas sobre os outros — sejam latinos, negros ou gays — isso não mudará facilmente. Sou grato por viver em uma cidade tão diversificada onde isso não me afeta tanto.

Qual é sua visão sobre o aumento da xenofobia nos Estados Unidos? O extremismo está crescendo, algo preocupante e muitas vezes imperceptível. Oro diariamente pelos que sofrem assim como por aqueles cujas ações prejudicam os outros. Precisamos estar vigilantes; porém manter nosso foco na identidade e valores torna questões políticas secundárias.

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