No início da manhã de quarta-feira, 2 de setembro, os metalúrgicos da General Motors (GM), localizados em São José dos Campos, interromperam suas atividades por um período de duas horas, das 5h50 às 7h50. Essa paralisação foi resultado da rejeição às propostas apresentadas pela empresa durante a Campanha Salarial de 2026, em assembleia realizada pelos trabalhadores.
Esse ato evidenciou a força da união entre os funcionários, que utilizaram essa interrupção como uma forma de pressionar a GM diante da falta de avanço nas negociações sobre suas demandas.
A principal reivindicação dos metalúrgicos é um aumento real de 3,5% acima da inflação. Em resposta, a montadora ofereceu apenas 1% de ganho real para o ano de 2026 e sugeriu que para 2027 haveria apenas a reposição da inflação. Outra proposta feita pela empresa consistia em um acordo de quatro anos sem qualquer reajuste além da correção inflacionária.
Todas essas opções foram rejeitadas durante a assembleia.
Propostas da montadora são reprovadas
A discussão salarial abrange não só o aumento dos salários, mas também um reajuste no vale-alimentação, que os trabalhadores desejam elevar para R$ 1.200 em 2026 e R$ 1.350 em 2027.
A GM apresentou valores inferiores para o vale-alimentação: R$ 950 em 2026 e R$ 1.000 em 2027 no acordo que se estenderia por dois anos. De acordo com a proposta de quatro anos, o benefício começaria em R$ 1.050 e chegaria apenas a R$ 1.250 até 2029.
Conforme informado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a pressão criada pelos trabalhadores desde o início do estado de greve forçou a montadora a fazer alguns avanços nas conversas. No entanto, a oferta de um aumento real de apenas 1% ainda está muito aquém das expectativas dos trabalhadores.
“A mobilização que começou com o estado de greve trouxe alguns avanços nas negociações com a empresa, mas isso não atende à nossa pauta. Se a GM continuar insistindo nesse reajuste irrisório, intensificaremos nossa luta; se não houver uma proposta que satisfaça as demandas dos trabalhadores, teremos que partir para uma greve”, declarou Valmir Mariano, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.
Reuniões sem progresso
Até agora, já foram realizadas 11 reuniões entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a GM. Apesar desse longo processo negociador, as propostas apresentadas pela montadora continuam insatisfatórias para os trabalhadores.
Desde o dia 31 de agosto, os metalúrgicos estão em estado de greve e se preparam para novas mobilizações devido à resistência da empresa. A paralisação desta quarta-feira representa um dos primeiros movimentos significativos desde o início da campanha salarial e pode ser ampliada se não houver progresso nas negociações.
A campanha salarial envolve mais de 20 mil trabalhadores das indústrias automobilística e aeroespacial na região de São José dos Campos, onde a GM é uma das principais fábricas do setor.
A interrupção das atividades nesta quarta-feira demonstrou que os metalúrgicos não estão dispostos a aceitar uma série interminável de reuniões sem resultados concretos. A categoria já mostrou sua disposição para avançar e afirma que pode intensificar as mobilizações caso a montadora não apresente propostas satisfatórias.
A luta dos trabalhadores na GM ocorre em uma das áreas industriais mais importantes do Brasil. O desfecho dessa campanha salarial pode ter repercussões significativas entre outros setores operários do Vale do Paraíba.
