Na madrugada desta terça-feira, a residência de Tathagata Roy Chowdhury, que ocupa o cargo de secretário-geral da Frente Estudantil Revolucionária (RSF, em inglês), foi alvo de uma operação policial na Índia. A informação foi divulgada pela própria organização e repercutida pelo O Arauto Vermelho.
Conforme relatado pela RSF, a ação policial teve início às 4h46. A entidade denunciou que essas operações têm se tornado cada vez mais comuns contra ativistas em todo o país, frequentemente acompanhadas da criação de casos inventados para criminalizar estudantes e militantes que lutam por direitos democráticos e revolucionários.
Este incidente não é isolado; a organização já havia enfrentado repressão anterior. Em outubro de 2024, a RSF foi alvo do Estado indiano, que a acusou de “conspiração para reorganizar atividades maoistas”.
Perseguição a estudantes e ativistas
A invasão na casa de Tathagata Roy Chowdhury se insere em um contexto mais amplo de perseguições direcionadas a grupos estudantis e movimentos democráticos na Índia, como já foi mencionado anteriormente.
No mês de maio, a RSF também denunciou a detenção de Faridul Islam e mais de 50 manifestantes que estavam se opondo a despejos e demolições na área de Park Circus, em Bengala Ocidental. Segundo a organização, essa ofensiva tem como foco principal as comunidades mais vulneráveis e a minoria muçulmana, disfarçada sob o argumento de combater construções “ilegais”.
A repressão por parte do Estado indiano tem se intensificado contra ativistas e intelectuais envolvidos no caso Elgar Parishad/Bhima Koregaon. A Agência Nacional de Investigação (NIA) tentou revogar a liberdade condicional de Vernon Gonsalves, Arun Ferreira, Varavara Rao e Sudha Bharadwaj, alegando falsamente que eles participaram de uma reunião em Bombaim, promovendo ideais do Partido Comunista da Índia (Maoista).
Além disso, ativistas adivasis e estudantes também estão sendo afetados por essa onda repressiva. Em junho, a Campanha Contra a Repressão Estatal (CASR) denunciou os dois anos de prisão da jovem ativista adivasi Suneeta Pottam, membro do Moolwasi Bachao Manch. Ela foi detida após relatar casos de execuções extrajudiciais, violência sexual e brutalidade policial em Bastar.
Poucos dias antes da prisão mencionada, a CASR também destacou o sequestro do estudante de Direito Yogesh Meena, da Universidade de Delhi, pela polícia no estado de Uttar Pradesh. A campanha afirma que esse evento reflete a repressão contra estudantes que demonstram apoio à luta operária em Noida e aos movimentos sociais.
Compromisso da RSF com a Revolução de Nova Democracia
A RSF considera que a nova invasão policial contra seu líder faz parte das estratégias do velho Estado indiano para silenciar aqueles que denunciam abusos como repressão militarizada, despejos forçados e apropriação indevida de terras por grandes corporações.
Em sua declaração final, a Frente Estudantil Revolucionária reafirmou que essa repressão não alterará sua posição política. A organização garantiu que continuará defendendo os princípios do marxismo-leninismo-maoísmo e trabalhará ativamente para promover a Revolução de Nova Democracia na Índia.
