
Ricardo Nunes defende que empresários precisam voltar o foco para operação, margem, caixa e capacidade de adaptação diante de um cenário de juros elevados e transformação acelerada do consumo
O varejo brasileiro atravessa um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Enquanto grandes redes anunciam reestruturações, fechamento de unidades e revisão de suas operações, o setor também convive com juros elevados, consumidores mais cautelosos e uma transformação acelerada nos hábitos de compra.
Nos últimos dias, o cenário ganhou novos contornos com a divulgação de dados sobre a crise enfrentada por grandes empresas do setor. Segundo levantamento divulgado por uma grande mídia em circulação, impressa e online, redes varejistas brasileiras já reestruturaram mais de R$ 68 bilhões em dívidas entre 2023 e 2026, por meio de recuperações judiciais ou extrajudiciais. A reportagem também aponta a combinação de juros elevados, endividamento das famílias e avanço do comércio eletrônico como fatores que pressionam os modelos tradicionais de varejo. Ao mesmo tempo, os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o consumidor não desapareceu. Em junho de 2026, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,5% em relação a maio, na série com ajuste sazonal. O dado reforça uma mudança importante na dinâmica do mercado: existe demanda, mas conquistar essa demanda de maneira rentável exige cada vez mais eficiência, estratégia e capacidade de adaptação.
É justamente nesse ponto que a experiência de Ricardo Nunes ganha relevância. Fundador da Ricardo Eletro e do Grupo R1, o empresário construiu sua trajetória no varejo a partir de uma operação que chegou a mais de mil lojas, 45 mil colaboradores e faturamento anual de aproximadamente R$ 12 bilhões. Para Nunes, o momento exige uma mudança de mentalidade por parte dos empresários brasileiros. Em vez de interpretar crescimento apenas como aumento de lojas, equipes ou faturamento, o empreendedor precisa compreender se a estrutura que já possui está efetivamente produzindo resultado.
“Durante muito tempo, o empresário brasileiro foi ensinado a acreditar que crescer significa abrir mais lojas, contratar mais pessoas, comprar mais estoque e vender mais. Eu acredito que o próximo nível é diferente. Antes de colocar mais peso sobre a estrutura, é preciso fazer a estrutura existente trabalhar melhor”, afirma Ricardo Nunes.
A avaliação do empresário ganha força em um ambiente em que o custo do dinheiro continua elevado. A taxa Selic está em 14% ao ano, segundo o Banco Central, cenário que aumenta o custo do crédito e exige maior disciplina financeira das empresas.
“Juro alto não pode ser usado como desculpa para uma empresa parar. Ele precisa ser tratado como uma variável estratégica. Quando o dinheiro fica caro, você precisa saber exatamente onde está ganhando, onde está perdendo e onde existe desperdício. O empresário que não conhece seus números acaba tomando decisões pelo feeling justamente quando mais precisa de precisão”, afirma Nunes.
Na avaliação do fundador do Grupo R1, uma das principais mudanças do novo varejo está na relação entre faturamento e lucro. Vender muito deixou de ser suficiente. A empresa precisa conhecer sua margem, controlar despesas, entender o comportamento do consumidor e transformar cada operação em uma unidade economicamente saudável.
“O faturamento pode impressionar, mas é o caixa que mantém uma empresa viva. Eu sempre digo que vender é importante, mas vender bem é muito mais importante. Não adianta aumentar o faturamento se, no final do mês, a empresa não consegue transformar venda em resultado”, destaca.
O cenário recente também evidencia os riscos de modelos empresariais excessivamente dependentes da expansão física. A concorrência do comércio eletrônico, a mudança no comportamento do consumidor e o custo elevado da operação tradicional obrigam empresas de diferentes portes a reverem processos, estoques, canais de venda e estruturas de custos.
Para Ricardo Nunes, entretanto, a transformação do varejo não deve ser interpretada apenas como uma ameaça. Ela também representa uma oportunidade para empreendedores que conseguirem enxergar além da crise.
“Crise não destrói apenas empresas. Ela também revela empresas que estavam crescendo sem estrutura. E isso é uma diferença enorme. O empresário precisa olhar para dentro e perguntar: se eu parar de abrir lojas amanhã, minha empresa consegue crescer melhor com aquilo que já tenho? Se a resposta for não, talvez o problema não esteja na falta de expansão, mas na falta de eficiência”, afirma.
O empresário também chama atenção para o papel da gestão em um mercado no qual o consumidor está mais informado, compara preços em segundos e transita entre diferentes canais antes de tomar uma decisão de compra.
“O consumidor mudou. Ele não quer simplesmente comprar. Ele quer conveniência, confiança, velocidade, preço e uma experiência que faça sentido. Quem continuar administrando o negócio como se o consumidor estivesse preso à loja física vai perder espaço. O varejo agora acontece onde o cliente está”, afirma Nunes.
A tese defendida pelo empresário está alinhada a uma transformação maior do empreendedorismo brasileiro. Pesquisa “Empreendedorismo 2026”, realizada pelo Consumer Insights de autoria de um grande portal nacional, com 1.300 pessoas, mostrou que 45% dos entrevistados apontam a independência financeira como principal motivação para empreender, enquanto 39% citam a geração de renda. O levantamento também identificou que 56% dos empreendedores pesquisados atuam há mais de três anos, mas muitos continuam operando estruturas enxutas.
Para Nunes, esse perfil reforça a necessidade de democratizar conhecimento prático de gestão.
“Tem muita gente boa empreendendo no Brasil. Pessoas que sabem vender, têm energia, têm coragem e enxergam oportunidades. O que muitas vezes falta não é vontade. É método. É saber transformar aquilo que a pessoa já faz bem em uma empresa que funcione com processo, gestão e previsibilidade”, afirma.
É justamente essa experiência prática que está no centro da atuação atual do empresário à frente do Grupo R1, onde sua trajetória no varejo é transformada em conhecimento aplicado para empresários e empreendedores.
“O meu maior aprendizado não veio de um livro. Veio da loja, do cliente, do vendedor, do fornecedor, da negociação, dos acertos e também dos erros. Eu vivi diferentes ciclos do mercado. Hoje, minha missão é transformar essa experiência em conhecimento para que outros empresários possam crescer sem precisar cometer os mesmos erros”, conclui Ricardo Nunes.
Em um momento em que o varejo brasileiro é pressionado simultaneamente por juros, transformação digital, mudanças de comportamento e necessidade de maior eficiência operacional, a mensagem do empresário é direta: o próximo ciclo de crescimento não será necessariamente conquistado por quem tiver a maior estrutura, mas por quem souber fazer melhor uso da estrutura que já possui.
Sobre Ricardo Nunes
Ricardo Nunes é um dos empresários mais reconhecidos do Brasil e uma voz de referência em empreendedorismo, varejo e estratégia econômica. Fundador de uma das marcas mais emblemáticas do varejo nacional e empreendedor serial com décadas de experiência prática, Nunes é amplamente respeitado por sua visão pragmática, resiliência empresarial e profundo conhecimento do ambiente de negócios brasileiro. Presença constante em debates sobre economia, liderança, recursos humanos e transformação de mercado, Ricardo Nunes se consolida como um líder de opinião que conecta execução empresarial real com pensamento estratégico de longo prazo, defendendo crescimento ético, estabilidade institucional e o fortalecimento sustentável do empresariado no Brasil.
Sobre o Grupo R1
Fundado por Ricardo Nunes, o Grupo R1 é um ecossistema dedicado à formação, ao fortalecimento e à profissionalização do empresariado brasileiro. Com metodologia de vivência na prática, foco em resultados e visão ética de longo prazo, o grupo oferece programas, encontros seletos e experiências voltadas à construção de negócios sustentáveis em um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico.
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