Explosão de novos CNPJs no Brasil escancara falha estrutural: falta de preparo empresarial trava crescimento dos negócios

Com mais de 5 milhões de empresas abertas em um ano, país bate recorde mas enfrenta novo desafio: formar empresários capazes de sustentar o crescimento

O Brasil vive um dos ciclos mais intensos de empreendedorismo da sua história recente, mas os números que impressionam também revelam uma fragilidade estrutural. Dados oficiais do Governo Federal, com base na Receita Federal, indicam que o país registrou mais de 5,1 milhões de empresas abertas em 2025, o maior volume da série histórica. Ao excluir os microempreendedores individuais (MEIs), o recorte ganha ainda mais relevância: cerca de 1,1 milhão de empresas formais foram abertas no período, exigindo capacidade real de gestão, operação e geração de receita para se manterem ativas. O avanço reforça a força empreendedora do país, mas também evidencia um desalinhamento crescente entre abertura de empresas e preparo de seus fundadores.

Cresce o número de empresas, mas não o preparo para operar

Grande parte dessas novas empresas está concentrada nos setores de comércio e serviços áreas que demandam habilidades práticas como vendas, gestão de equipe e controle financeiro. Na prática, especialistas observam um cenário recorrente: negócios que nascem rapidamente, mas enfrentam dificuldades para crescer ou até mesmo sobreviver nos primeiros anos.

O Brasil precisa de menos teoria e mais execução

Para Ricardo Nunes, fundador do Grupo R1 e da Ricardo Eletro, o problema não está na falta de informação, mas na forma como ela é aplicada.

O Brasil criou uma geração que aprende a abrir empresa, mas não aprende a vender, operar e sustentar o negócio no dia a dia. E isso não se resolve com teoria de palco, se resolve com prática e vivência real.”

Com trajetória consolidada no varejo nacional, ele afirma que há uma desconexão entre o que é ensinado e a realidade enfrentada pelos empresários.

Existe uma distância muito grande entre o discurso e o que acontece na prática. E quem paga essa conta é o empresário, que precisa gerar resultado todos os dias.”

Nova fase do empreendedorismo exige mudança de abordagem

O crescimento acelerado do número de empresas inaugura uma nova etapa no ambiente de negócios brasileiro: a da qualificação do empreendedor. Segundo Nunes, esse movimento exige uma mudança clara no modelo de educação empresarial.

Quem está no campo de batalha sabe: vender, liderar equipe, lidar com cliente e fluxo de caixa não se aprende em teoria. Se aprende executando, errando e ajustando rápido.”

Ele aponta ainda uma mudança no comportamento do próprio empresário:

O mercado está amadurecendo. O empresário não quer mais conteúdo genérico, ele quer saber o que funciona e o que não funciona no Brasil real, independentemente do segmento.”

Mercado de educação empresarial passa por transformação

O avanço do empreendedorismo também vem redesenhando o setor de educação empresarial. Entre as principais mudanças estão:

perda de força de cursos, mentorias, encontros e treinamentos genéricos de massa 

crescimento de experiências práticas e presenciais 

valorização de conteúdos com aplicação direta e testados na vida real

aumento da demanda por aprendizado baseado em realidade 

Nesse cenário, a disputa deixa de ser por volume de conteúdo e passa a ser por credibilidade prática e resultado comprovado.

O desafio: transformar abertura em crescimento

Com milhões de novos CNPJs sendo criados anualmente, o Brasil consolida sua vocação empreendedora mas também enfrenta um desafio central: garantir que esses negócios sobrevivam e cresçam. Um dado que reforça a fragilidade estrutural do ambiente empreendedor brasileiro está na taxa de sobrevivência das empresas nos primeiros anos. Levantamentos do Sebrae, com base em registros da Receita Federal do Brasil, indicam que uma parcela relevante dos negócios não ultrapassa os anos iniciais de operação: aproximadamente 20% a 30% das empresas encerram suas atividades antes de completar dois anos. O dado evidencia que o desafio no Brasil não está apenas em abrir empresas, processo cada vez mais facilitado, mas em garantir capacidade de execução, gestão e geração de receita suficiente para sustentar o negócio no curto prazo.

Abrir empresa é e ficou ainda mais fácil. Fazer dar certo continua sendo o grande desafio e é isso que precisa ser ensinado”, afirma Ricardo Nunes.

Sobre Ricardo Nunes

Ricardo Nunes é um dos empresários mais reconhecidos do Brasil e uma voz de referência em empreendedorismo, varejo e estratégia econômica. Fundador de uma das marcas mais emblemáticas do varejo nacional  e  empreendedor  serial  com  décadas  de  experiência prática, Nunes é amplamente respeitado por sua visão pragmática, resiliência empresarial e profundo conhecimento do ambiente de negócios brasileiro. Presença constante em debates sobre economia, liderança, recursos humanos e transformação de mercado, Ricardo Nunes  se  consolida  como  um  líder de  opinião  que  conecta  execução empresarial real com pensamento estratégico de longo prazo, defendendo crescimento ético, estabilidade institucional e o fortalecimento sustentável do empresariado no Brasil.

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