
A peça “Dois Papas”, que já foi assistida por mais de 25 mil espectadores no Brasil e conquistou o Prêmio Arcanjo de Cultura na categoria Melhor Drama em 2025, fez sua estreia no Rio de Janeiro na última quinta-feira (11/06), no Teatro TotalEnergies, anteriormente conhecido como Teatro Adolpho Bloch, localizado na Glória. A produção também recebeu indicações ao Prêmio APCA para seus atores principais, Celso Frateschi e Zécarlos Machado.
Dirigida por Munir Kanaan, essa encenação representa a primeira adaptação internacional do texto do autor britânico Anthony McCarten. A narrativa se concentra em um encontro crucial entre dois homens que influenciaram a trajetória da Igreja Católica: o conservador Bento XVI e Jorge Bergoglio, que era cardeal argentino e se tornaria o Papa Francisco. Ao viajar para Roma com a intenção de solicitar sua aposentadoria, Bergoglio é surpreendido por uma conversa intensa e inesperada com o pontífice, onde ocorre um confronto de ideias, crenças e visões sobre o mundo.
Zécarlos compartilhou uma lembrança especial que trouxe uma carga emocional adicional à sua apresentação; ele esteve presente na inauguração do teatro em 1973 como parte do elenco do musical “O Homem de La Mancha”, ao lado de grandes nomes como Paulo Autran, Bibi Ferreira e Grande Otelo. Ao relembrar esse momento marcante, ele se deitou no palco e beijou o chão, recebendo aplausos calorosos do público em pé.
No cinema, a história foi adaptada sob a direção de Fernando Meirelles e recebeu diversas nomeações para prêmios como Oscar, Globo de Ouro e BAFTA, transformando esse encontro fictício em um verdadeiro fenômeno mundial.
Além dos protagonistas Celso e Zécarlos, a montagem conta também com as atrizes Carol Godoy e Eliana Guttman, que interpretam personagens essenciais na jornada dos protagonistas: Irmã Sofia, uma freira marcada pela ditadura argentina e pelas lições de Bergoglio; e Irmã Brigitta, editora de livros religiosos e confidente próxima de Bento XVI.
Com um cenário predominantemente branco, a encenação ganha vida através dos figurinos, objetos cênicos e projeções documentais, permitindo transições entre diferentes épocas e ambientes. Essa produção também marca o reencontro entre Celso Frateschi e Zécarlos Machado, que já haviam trabalhado juntos em “Santa Joana”, uma obra de Bernard Shaw dirigida por José Possi Neto nos anos 1980, além de terem participado da série “Sessão de Terapia”, exibida pelo GNT.
