
Em 26 de maio, mais de 200 servidores da Prefeitura de Caieiras, localizada na Grande São Paulo, realizaram uma paralisação para reivindicar direitos que consideram negados. Os principais pedidos incluem um reajuste salarial de 10%, que havia sido prometido pelo prefeito Gilmar dos Santos Vicente, popularmente conhecido como Lagoinha (PL-SP), além da aprovação da Lei do Descongela e melhorias nas condições de trabalho.
A manifestação foi predominantemente composta por trabalhadores da área da Educação, mas também contou com a presença de profissionais da Saúde e de outras áreas do serviço público municipal, todos organizados pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Autárquicos de Caieiras (Sinserpuca).
Os manifestantes se reuniram inicialmente na Praça Pró-Polo e marcharam até o centro da cidade, seguindo em direção ao Paço Municipal, onde exigiram uma negociação direta com o prefeito. Apesar das declarações nas redes sociais do prefeito, garantindo que estava “de portas abertas” para diálogo, os servidores foram impedidos de entrar no local por guardas municipais armados.
Entre as solicitações dos trabalhadores está o prometido aumento salarial de 10%, atualmente travado na Câmara Municipal. Os servidores alegam que a proposta ficou vinculada a um “jabuti” inserido em um projeto de lei que previa a criação de novos cargos comissionados, tornando o aumento salarial refém das disputas entre a Câmara e a Prefeitura.
Outra demanda crucial é a aprovação da Lei do Descongela, que reconheceria 583 dias trabalhados para fins de benefícios laborais — período em que não houve reconhecimento devido à pandemia.
Além disso, os trabalhadores denunciam as precárias condições laborais no município, incluindo a falta de profissionais nas áreas da Saúde e Educação, escassez de materiais, infraestrutura inadequada nas escolas, casos de assédio no ambiente de trabalho e o adoecimento dos servidores. Há relatos preocupantes de profissionais que continuam em atividade mesmo enfrentando problemas de saúde para evitar perda salarial ou confisco da cesta básica.
No decorrer do ato, os servidores demonstraram determinação e entoaram gritos como: “Pisa ligeiro, pisa ligeiro! Quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro!”, “Chega de ladainha! Descongela, Lagoinha!” e “Bom dia, Lagoinha. Como vai? Você tira meu direito e eu tiro a sua paz!”.
Uma servidora da Saúde denunciou ter sido barrada ao tentar retornar ao trabalho no final da manhã após participar da paralisação. O sindicato a orientou a registrar um boletim de ocorrência. Os trabalhadores também relataram que secretários municipais estavam circulando nos setores anotando os nomes daqueles que não compareceram ao trabalho. Apesar dessa prática intimidatória por parte da prefeitura, o ânimo combativo dos servidores se manteve inabalável.
<pApós a recusa em negociar por parte da prefeitura ao fim do dia, os manifestantes se dirigiram à Câmara Municipal e decidiram realizar uma assembleia no dia 1º às 19h para discutir os próximos passos da mobilização. A categoria poderá decidir sobre uma nova paralisação por tempo indeterminado até que suas pautas sejam atendidas.
A greve em Caieiras acontece em um cenário mais amplo de protestos na região. Em Franco da Rocha, servidores paralisaram suas atividades no dia 20 e continuam lutando por seus direitos. Também há greves entre professores na cidade de São Paulo e movimentações similares entre estudantes e funcionários de diversas universidades públicas no estado. Um novo ciclo de lutas está emergindo tanto em São Paulo quanto em todo o Brasil.
