Campanha clama pelo fim da repressão às vozes democráticas após agressões a jovens em Nova Délhi

No dia 22 de julho, a Campanha Contra a Repressão Estatal (CASR, na sigla em inglês) emitiu uma declaração expressando sua indignação em relação à violenta repressão que milhares de jovens enfrentaram ao se dirigirem ao Parlamento da Índia, localizado em Nova Délhi.

O comunicado, divulgado por O Arauto Vermelho, pede a interrupção da “militarização da polícia civil” e critica a criminalização das manifestações democráticas. Segundo a organização, as forças paramilitares e a Polícia de Délhi atacaram os manifestantes com cargas de cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e tiros de armas que disparam pellets.

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A CASR afirmou que “a resposta do Estado não buscou manter a ordem pública e sim reprimir violentamente a dissidência democrática”. A organização relatou que muitos manifestantes sofreram ferimentos severos durante os ataques realizados pelas forças de segurança em um protesto massivo no dia anterior (20 de julho), onde dezenas de milhares de estudantes exigiam a renúncia do ministro da Educação Dharmendra Pradhan e o fim da Agência Nacional de Testes e da Política Nacional de Educação implementada em2020.

CASR condena uso de armas de pellets

No comunicado é ressaltado como um dos pontos mais alarmantes o uso de espingardas que disparam pellets contra os manifestantes — armamento capaz de causar cegueira e lesões irreversíveis.

A CASR lembrou que essa prática já está sendo empregada há mais de dez anos pelas forças do Estado na região da Caxemira e resultou em mutilações entre civis inocentes.

A utilização desse armamento na capital indiana é vista como uma ampliação das táticas repressivas utilizadas na Caxemira para controlar manifestações em outras partes do país.

“A adoção de armas de pellets contra os manifestantes em Délhi representa um preocupante alargamento desse modelo repressivo vindo da Caxemira”, destacou a organização.

Pessoas à paisana participaram dos ataques

A CASR também mencionou a presença de homens não identificados agredindo os manifestantes ao lado dos policiais uniformizados durante as mobilizações.

A campanha cobrou a identificação e responsabilização dos policiais e desses agentes não identificados que participaram da repressão.

Além disso, foi citada a atuação do inspetor Nishant Dahiya da Célula Especial da Polícia de Délhi — uma unidade supostamente voltada para “combate ao terrorismo”, mas que tem sido utilizada para vigiar e torturar ativistas estudantis e defensores dos direitos humanos.

A CASR relatou que Dahiya também esteve envolvido na detenção ilegal e tortura de dez ativistas em março deste ano — caso atualmente sob investigação pelo Tribunal Superior de Délhi — indicando o uso crescente dessas unidades especializadas contra movimentos democráticos.

Campanha pede investigação independente

A CASR classificou os eventos como parte de uma ofensiva contínua do governo indiano contra estudantes e trabalhadores além das comunidades adivasis e outros grupos populares.

A organização citou também repressões passadas relacionadas à Lei de Emenda da Cidadania e ao Registro Nacional de Cidadãos assim como as ações contra comunidades adivasis que lutam pela defesa das suas terras e recursos naturais.

No encerramento do comunicado foram elencadas cinco demandas principais incluindo uma investigação judicial independente sobre as ações policiais durante o ataque recente e a responsabilização dos agressores envolvidos.

A CASR conclamou sindicatos e diversas organizações sociais — incluindo movimentos estudantis e feministas — além de advogados e jornalistas para se unirem contra esta repressão crescente.

<p“A inação diante dessa violência apenas incentivará novos ataques aos direitos democráticos”, advertiu a campanha.

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