Acalmando as águas: latifúndio protegido segue firme em Rondônia após crise política

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Com a aproximação das eleições em agosto, a situação no governo de Rondônia parece longe de alcançar um clima de paz e justiça para as comunidades rurais.

O coronel da PM Marcos Rocha (PSD) está se consolidando como um defensor intransigente de ações violentas contra os agricultores, inclusive adotando medidas que afetam diretamente suas famílias, como a proibição dos filhos de utilizarem o transporte escolar.

Recentemente, Rocha trouxe de volta ao comando da segurança pública o coronel Hélio Pachá, que foi líder durante a Batalha de Santa Elina, em 1995, na cidade de Corumbiara.

No dia 9 de julho deste ano, a Polícia Federal realizou a Operação Reduto, mas as tentativas legais dos investigados impediram uma punição mais severa.

Os acampamentos camponeses seguem sendo constantemente vigiados por guaxebas e pela polícia militar, sem receber qualquer atenção dos deputados que representam os interesses dos grandes proprietários nesta parte da Amazônia Ocidental Brasileira, enquanto o INCRA ignora suas reivindicações.

<p Durante um Tribunal Popular, um líder camponês acusou a autarquia de prometer inclusão em programas federais (como o projeto habitacional) às famílias que concordassem em "trocar de advogada". Nesse contexto, entre 2024 e 2025, essas famílias eram assistidas pela advogada Lenir Correia, que atualmente se encontra presa.

A presença do latifúndio sempre foi forte na Assembleia Legislativa Estadual, com destaque para Rodrigo Camargo (Podemos), ex-delegado conhecido por suas posições conservadoras.

A situação é ainda mais alarmante já que Alex Redano (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, tem se distanciado das irregularidades durante sua gestão, incluindo apoio visível aos latifundiários e uma rede de assessores suspeitos alocados em gabinetes.

Redano tornou-se um dos principais alvos da Operação Reduto. Em quase quatro anos de mandato, não houve qualquer iniciativa dele ou da maioria dos deputados para visitar os acampamentos ou entender as dificuldades enfrentadas por aqueles que lidam com constantes ataques por parte de grileiros e forças policiais à disposição deles.

Além disso, Redano e seus assessores foram acusados de envolvimento em “rachadinhas” e apropriação indevida de salários provenientes de verbas indenizatórias relacionadas à publicidade.

A Polícia Federal executou mandados de busca e apreensão no gabinete do deputado em Ariquemes – localizado a 200 quilômetros da capital Porto Velho – bem como na sede da Assembleia Legislativa em Porto Velho.

Ainda assim, as consequências recaíram sobre os mais vulneráveis, enquanto as irregularidades continuam impunes.

A prática da “rachadinha” era sustentada por contas associadas a servidores comissionados cujos nomes não foram divulgados. Além disso, Redano permanece sob suspeita – embora livre – por sua possível participação em fraudes relacionadas a licitações no município de Ariquemes, cuja prefeita é sua esposa, Carla Redano.

Os frutos financeiros da Operação Reduto resultaram no bloqueio de cerca de R$ 9 milhões em ativos e criptoativos pertencentes aos envolvidos nas investigações.

No dia 15 de julho, o governo exonerou Rogério Gago da Silva, conhecido como “Tigrão”, além de outros assessores que foram detidos ou afastados pela Justiça durante a operação policial.

Demonstrando cinismo ao gravar um vídeo prévio à operação policial para tentar se eximir das responsabilidades, Redano afirmou estar com “a consciência tranquila”. Ele declarou: “Responderei às acusações com a verdade e muito trabalho”, continuando seu papel como presidente apoiado pelos colegas sem mostrar arrependimento algum.

Nesta semana, surgiram novas investigações envolvendo o advogado Nelson William, amigo próximo de Redano. Ele é acusado de lavagem de dinheiro e evasão fiscal ao favorecer uma empresa relacionada ao jogo.

No desdobramento mais recente das investigações judiciais em Rondônia, as prisões preventivas dos secretários e assessores associados ao grupo político de Redano foram revogadas, permitindo que eles sigam respondendo ao processo em liberdade.

A Assembleia Legislativa também não tomou nenhuma atitude para investigar o Instituto de Terras de Rondônia (Iteron), tratado como um órgão ineficaz. Além disso, sob a presidência de Redano, não houve manifestação oficial sobre o convênio entre o governo estadual e o INCRA. Isso ocorre especialmente enquanto a Secretaria do Patrimônio Fundiário anuncia no Diário Oficial “o trabalho da comissão responsável pela arrecadação das terras devolutas”, estimadas em 16 milhões hectares no total.

No fim das contas, o único alívio sentido pelas lideranças camponesas do estado foi a prisão do chefe guaxeba Gesulino Travagine em maio deste ano após passar um longo tempo foragido devido à Chacina de Buritis.

Gesulino mantém laços pessoais com Redano e também com o senador bolsonarista Marcos Rogério (PL), agora oficialmente candidato ao governo estadual junto com Rodrigo Camargo (Podemos) como seu vice na corrida pela sucessão do coronel Marcos Rocha.

Montezuma Cruz é conselheiro editorial do AND. Com uma trajetória profissional que inclui passagens pelo Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo e O Globo entre outros meios regionais. Ele chegou a Rondônia em 1976 e lançou o jornal Barranco na região. Atuou em diversos jornais locais.

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