No dia 6 de outubro, Atenas, a capital da Grécia, foi palco de uma grande manifestação. Milhares de pessoas se reuniram nas ruas em protesto à visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e à política militar do governo conservador liderado por Kyriakos Mitsotakis, que promove uma colaboração estreita com as operações militares dos EUA e da OTAN. A marcha teve início nos Propileus da Universidade de Atenas e seguia rumo à Embaixada dos EUA, mas foi interceptada por um cordão policial nas proximidades do Parlamento. A polícia grega estimou que mais de 3 mil manifestantes participaram do evento, segundo informações da agência Lusa.
A mobilização foi organizada por sindicatos, grupos estudantis e organizações antifascistas e anti-imperialistas. Os participantes expressaram seu descontentamento com a presença das bases militares americanas na Grécia e a participação do país em conflitos externos, além de exigir o fim da colaboração entre Atenas e as guerras imperialistas. Imagens publicadas pelo Partizan Grécia mostram a multidão aglomerada diante da barreira policial, clamando para seguir com o protesto.
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A barreira policial permaneceu firme, impedindo que os manifestantes avançassem em direção à embaixada americana. Conforme relatado pelo Partizan, os protestantes continuaram exigindo passagem diante dos agentes e depois se dirigiram à praça Omonia para encerrar suas atividades.
No dia seguinte à manifestação, Rubio foi recebido pelo primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis e pelo chanceler George Gerapetritis, enquanto parte do centro de Atenas ainda estava sob a proibição de manifestações imposta para sua visita.
Três mil policiais e proibição de manifestações
Para a visita de Rubio, o governo grego mobilizou mais de três mil policiais e utilizou drones de vigilância para monitorar a situação na cidade. A operação incluiu bloqueios em várias ruas e uma proibição explícita para concentrações públicas entre as seis horas do dia sete até as seis horas do dia seguinte no centro de Atenas. O principal ato de protesto ocorreu na noite anterior ao início dessa restrição.
A justificativa oficial para essa medida foi a prevenção de possíveis ameaças à segurança pública. Entretanto, registros das manifestações indicam que barreiras já estavam sendo utilizadas pela polícia antes mesmo da imposição formal da proibição para conter o avanço dos manifestantes na avenida Vasilissis Sofias.
EUA e Grécia anunciam vendas militares de US$ 4 bilhões
Rubio se reuniu com Gerapetritis para presidir a sexta edição do Diálogo Estratégico entre os EUA e a Grécia, onde foi anunciado um pacote significativo de vendas militares no valor total de quatro bilhões de dólares aos gregos pela parte americana. O comunicado conjunto também mencionou cooperação nas indústrias bélicas, fornecimento de veículos blindados Stryker e um aumento na troca de informações sobre segurança pública e “contraterrorismo”.
No contexto grego atual, a política dos EUA relacionada ao “contraterrorismo” já tem alvos conhecidos entre grupos esquerdistas locais. Em novembro de dois mil e vinte e cinco, o Departamento de Estado sob Rubio designou como “organizações terroristas estrangeiras” a Justiça Proletária Armada e a Autodefesa Revolucionária de Classe, uma categorização que autoriza bloqueios financeiros contra essas entidades.
Protestos também ocorreram em Tessalônica, Patras e Agrínio
A rejeição à visita do secretário Marco Rubio se espalhou por outras cidades além da capital grega. Em Tessalônica, duas manifestações distintas aconteceram no dia seis de outubro no centro da cidade – uma organizada por sindicatos e associações estudantis que partiram do monumento dedicado a Elefthérios Venizélos em direção à Kamara enquanto outra foi convocada por coletivos antiautoritários seguindo o caminho inverso.
Em Patras, sindicatos locais junto com organizações populares realizaram uma concentração promovida pelo Centro Operário local seguida por uma marcha pelas ruas principais da cidade com apelos contra a participação da Grécia nas guerras promovidas pelos EUA e pela OTAN.
Em Agrínio também houve protesto organizado pelo Centro Operário local que pedia o fechamento das bases militares americanas e da OTAN no país assim como a retirada das forças gregas envolvidas em missões externas.
