A Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) lançou uma convocação global para o período de 26 a 30 de outubro, visando protestar contra as prisões, torturas e desaparecimentos de ativistas populares no Equador, sob a administração de Daniel Noboa. A nota divulgada na página da LAI nesta data e compartilhada pela sua seção colombiana destaca em especial os abusos cometidos contra Omar Campoverde, que se encontra detido na penitenciária de segurança máxima El Encuentro. A organização exige sua libertação, assim como a de Gabriela Gallardo e Carlos Carguachi.
O apelo é direcionado a grupos revolucionários e progressistas, além de defensores dos direitos humanos e do povo, solicitando que realizem uma ampla campanha para denunciar e condenar a perseguição política vigente no país. A LAI também convoca a comunidade internacional a se mobilizar contra o encarceramento daqueles que se opõem ao governo de Noboa, em um contexto marcado pelo aumento da militarização e colaboração repressiva com o imperialismo estadunidense.
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Torturas e violência sexual contra presos políticos
A nota enfatiza as condições desumanas enfrentadas por Omar Campoverde, um líder popular associado ao Movimento Guevarista Terra e Liberdade, que relatou ter sido submetido a torturas físicas e agressões sexuais dentro da prisão El Encuentro, localizada na província de Santa Elena.
“É fundamental expor ao país e ao mundo as severas torturas, agressões sexuais e humilhações que o companheiro Omar Campoverde sofreu”, menciona o comunicado, descrevendo a penitenciária como um “autêntico campo de concentração”.
As denúncias não são novas. Em uma audiência judicial realizada em maio passado, Campoverde já havia falado sobre as agressões sexuais e torturas infligidas por agentes do estado. Seus advogados e familiares formalizaram reclamações junto à Procuradoria-Geral do Equador pedindo uma investigação independente sobre os fatos. No final de maio, entidades de direitos humanos convocaram uma coletiva para expor os abusos sofridos pelos detentos.
A LAI ressalta que o governo do Equador intensificou seu sistema penitenciário com a construção da El Encuentro, inicialmente apresentada como um local para criminosos altamente perigosos, mas que passou a abrigar também opositores políticos e líderes populares.
“Os prisioneiros políticos estão completamente isolados em regime de confinamento permanente com apenas meia hora diária para exposição ao sol ou para sair das celas, sem qualquer contato com familiares ou advogados”, denuncia a organização.
A comunicação ainda destaca que os presos são submetidos a torturas físicas e psicológicas enquanto lhes são negados direitos básicos essenciais. Famílias e advogados de outros detentos relataram problemas semelhantes como escassez de alimentos e assistência médica adequada.
A Liga também pede a libertação imediata de Gabriela Gallardo e Carlos Carguachi que se encontram presos em situações contestadas por organizações populares. O documento afirma que o governo busca “quebrar seu espírito combativo” como forma de intimidar os lutadores populares no Equador.
LAI denuncia militarização e ingerência imperialista
A campanha igualmente critica o aumento da intervenção militar dos Estados Unidos no Equador relacionado à repressão interna. Em novembro de um ano anterior, cerca de dois terços dos eleitores rejeitaram em referendo uma proposta para revogar a proibição constitucional sobre bases militares estrangeiras. Apesar dessa derrota para Noboa em março seguinte, o Comando Sul dos EUA anunciou operações militares conjuntas com as Forças Armadas equatorianas sob o argumento do combate ao “narcoterrorismo”.
Para a LAI, essa militarização está atrelada à repressão contra organizações camponesas, sindicais e indígenas que defendem os direitos do povo. A declaração também aponta organismos israelenses como o Mossad atuando em conjunto com a CIA na estrutura de vigilância no país — uma acusação cuja extensão não foi verificada independentemente.
A Liga argumenta que o governo utiliza seu sistema judicial para criminalizar movimentos populares atribuindo delitos como tráfico ilícito de drogas ou terrorismo aos seus opositores políticos com o intuito de “neutralizá-los legalmente” enquanto desacredita suas causas políticas perante a sociedade.
A ofensiva repressiva está intimamente ligada ao agravamento das condições sociais no Equador caracterizadas pelo aumento do desemprego e carestia generalizada além da expulsão forçada das famílias camponesas de suas terras. O comunicado também exige respostas sobre aproximadamente mil desaparecimentos registrados como parte das denúncias contra as autoridades estatais.
Entre os casos citados está o dos quatro meninos desaparecidos em Las Malvinas após uma operação militar em Guayaquil, levando à exigência por justiça pelos crimes cometidos contra esses cidadãos.
Campanha internacional prossegue até 30 de outubro
A convocação da LAI surge num momento em que entidades populares e organizações defensoras dos direitos humanos continuam denunciando as detenções políticas assim como as condições precárias nas prisões equatorianas.
No comunicado oficial é feita uma chamada por uma “campanha internacional massiva para denunciar veementemente as prisões injustas e a perseguição aos ativistas populares bem como todos aqueles que se opõem a este regime autoritário”.
O texto conclui demandando o fim das torturas impostas a Omar Campoverde e reivindicando a liberação imediata dele junto com Gabriela Gallardo, Carlos Carguachi e outros revolucionários encarcerados no Equador além do término das perseguições judiciais aos lutadores populares.
