A Copa do Mundo sob a ótica freudiana: uma análise da sua perpetuidade universal

A Copa se aproxima de forma tranquila, como se não estivesse prestes a quebrar recordes em termos de participação, audiência e movimentação econômica. Competidores renomados desvanecem a esperança que antes brilhava intensamente. A única controversia se desloca da convocação para a recuperação do jogador que caiu de seu pedestal.

Com treinos intensos e sinais sobre as escalações reais, a expectativa pré-jogo cresce. Nenhuma informação proveniente do território americano provoca mais agitação do que os impactos geopolíticos e econômicos gerados pelo país-sede.

Ainda assim, as ruas se enfeitam, os álbuns de figurinhas ganham vida novamente e os escritórios se esvaziam. A Copa desperta nossos instintos primordiais, nossas dúvidas, nossas desejos dispersos, muitas vezes contraditórios. Seria um prato cheio para Freud.

Trazemos dentro de nós uma faceta quase mística que reacende a crença no Brasil do imaginário: sedutor, inovador e triunfante. Em algum momento, ele surgirá, sussurrando uma voz romântica, deliberadamente surda à lógica.

A mobilização nacionalista em torno da Copa também conquista até os mais céticos, os descontentes e os críticos. Esse imenso capital simbólico, que começou a ganhar força na primeira metade do século XX, leva à apropriação tanto por entidades privadas quanto públicas, quando o esporte moderno se transforma em um ícone da publicidade.

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A influência é compartilhada por grandes marcas e governos variados. Exemplos históricos incluem figuras como Mussolini, Hitler e Médici. Donald Trump também não fica atrás.

No entanto, existe um lado do torcedor que resiste ao exagero nacionalista. Essa perspectiva é marcada por um certo estoicismo, ceticismo e pragmatismo. “O que vier é lucro”, murmura a voz rouca da dúvida, como se buscasse proteção contra a desilusão.

A Copa ainda oferece alívio à alma exausta dos torcedores apaixonados por seus clubes. É como ter um gosto de férias, quase igual a acompanhar os pênaltis disputados entre times adversários.

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Muitas vezes essas emoções não permanecem fixas; pelo contrário, frequentemente elas se intercalam e misturam-se como águas em umapororoca.

Dessa forma, talvez aaura da Copa vá além das contingências esportivas, políticas ou mesmo dos mandatos daglobalização . Além do jogo em si, o que perdura são as pulsões humanas – estéticas, poéticas, existenciais e civilizatórias – que criam umauniversalidade magnética.

Neste contexto, que venha ohexa!

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A crônica convocada:

Claudio Henrique , jornalista renomado, oferece um apetite delicioso para o Mundial com seu novo livro “O comentarista do futuro “. A obra compila textos sobre a Copa e sobre aseleção brasileira , publicados na revista “Placar”. Com sua habitualcriatividade , Claudio transforma histórias e personagens do passado em irreverentesspoilers sobre o futebol.

O lançamento acontecerá na próxima quarta-feira (10), às 19h , no Sat’s Botafogo (Rua Real Grandeza , 212 , 2º andar). O evento contará com muita conversa , bebidas e , claro , troca defigurinhas . Afinal , já é tempo de Copa do Mundo.

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A autoria deste texto é atribuída a Alexandre Carauta , jornalista e professor na PUC-Rio . Ele faz parte do corpo docente da pós-graduação em Direito Desportivo da mesma instituição . Doutor em Comunicação , mestre em Gestão Empresarial , pós-graduado em Administração Esportiva e também formado em Educação Física . Carauta é organizador do livro “Comunicação estratégica no esporte”.

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