Doutrina Donroe: A União Inusitada de Monroe e Donald

Apresentamos um artigo do colaborador de AND, Arapyau Vermelho*, datado de 01/03, que aborda os recentes avanços na chamada “Doutrina Donroe”, com atualização no último parágrafo sobre a situação atual da guerra de agressão contra o Irã.

(Estratégia Nacional de Segurança dos EUA – Trump, novembro de 2025)

  1. Domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental:
    a) Reafirmação da Doutrina Monroe.
    b) O continente americano é considerado uma área essencial para a segurança nacional.
    c) Presença e estratégias da Rússia, China e Irã são inaceitáveis.
    d) A América deixa de ser vista como parceira, tornando-se um “espaço estratégico a ser controlado”.
  2. Conflito estrutural em vez de cooperação:
    a) China é identificada como a principal ameaça ao sistema.
    b) Rússia representa um risco militar e geopolítico.
    c) Irã é visto como uma ameaça regional assimétrica.
  3. Prioridade à segurança em detrimento da democracia:
    a) Democracia e direitos humanos não são mais considerados valores universais prioritários.
    b) O alinhamento estratégico é o critério determinante.
    c) Regimes autoritários são aceitos se forem aliados; já os regimes eleitos que não se alinham são pressionados.
  4. A economia como instrumento de segurança:
    a) Imposição de sanções, tarifas e bloqueios financeiros.
    b) Restrições aos investimentos financeiros.
    c) Luta contra a desdolarização e as ações dos BRICS.
  5. Uso da força militar e coerção:
    a) Implementação de força preventiva.
    b) Aumento da presença militar na América Central, Caribe e América do Sul.
    c) Justificativas incluem narcotráfico, migração e “Estados falidos”.
  6. Multilateralismo seletivo:
    a) Ceticismo em relação à ONU, OMC e OAS.
    b) Preferência por acordos bilaterais.
    (Instituições são vistas como ferramentas, não árbitros.)

A abordagem para implementar o “corolário Trump” está descrita em seu livro A Arte da Negociação. Isso indica que a política dos Estados Unidos se baseia nessa combinação entre o corolário Trump e seu estilo de negociação sob diversas perspectivas.

A agressão contra o Irã exemplifica claramente esse padrão.

Apesar da aparência de controle absoluto, os EUA enfrentam fragilidades fundamentais:
– Não conseguiram promover uma mudança de regime.
– A agressão possui limitações temporais, financeiras e efetivas.
– Existe uma reação negativa entre a opinião pública e uma crescente coesão anti-imperialista globalmente.

A continuidade da agressão evidencia os limites encontrados:
a) O governo iraniano permanece firme.
b) Um eventual acordo de não-agressão apenas adiaria a realização dos objetivos econômicos, políticos e militares do Irã, incluindo questões nucleares.
c) Não há fortalecimento da oposição política interna ao regime iraniano.
d) Não houve rendição por parte do Irã, enquanto seus adversários aprenderam a lidar com Trump, considerando as fraquezas em seu método.

* O blog Arapyau Vermelho é escrito por Felipe Deveza, colaborador do AND e doutor em História pela UFRJ. Ele realizou estágio-sanduíche na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Também possui mestrado em História Comparada (UFRJ) e graduação pela mesma instituição. Sua experiência abrange História da América Indígena e História das Américas nos séculos XIX e XX, com foco na América Latina, Revolução Mexicana, Indigenismo e Muralismo Mexicano.

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