Dia Mundial do Meio Ambiente: Biólogo alerta sobre os limites da paciência da Terra

Anualmente, no dia 5 de junho, celebra-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Nessa data, ocorrem diversos eventos, discursos recheados de jargões e palestras que buscam educar as crianças sobre ações sustentáveis visando um futuro melhor. Entretanto, muitos adultos ainda persistem na destruição ambiental ou permitem que uma pequena parcela da população continue nesse caminho. Cada um tem sua própria perspectiva sobre o assunto.

Ainda que haja uma redução oficial nas taxas de desmatamento na Mata Atlântica e na Amazônia, é evidente que continuamos a agredir o planeta que nos proporciona a vida. Temos um verdadeiro paraíso flutuando no cosmos, mas até mesmo ele possui limites em sua capacidade de suportar abusos.

Por enquanto — e não por muito tempo —, a vida existe apenas aqui na Terra, já que nossos esforços para descobrir sinais de vida em luas de Júpiter ou Saturno ainda estão em estágio inicial. É uma questão de tempo até que a famosa citação atribuída a Giordano Bruno, “Na casa de meu Pai há muitas moradas”, oriunda do Evangelho de João (14:2), seja reconhecida cientificamente. Vale lembrar que Giordano Bruno foi queimado pela Igreja por essa e outras “blasfêmias”.

Hoje em dia, novas “blasfêmias” surgem, acompanhadas de ameaças legais e reações adversas contra aqueles que se opõem aos interesses políticos e econômicos que prejudicam o “desenvolvimento econômico” promovido por criminosos ambientais, sejam eles figuras públicas ou não. O Brasil se destaca como o segundo país mais arriscado para defensores do meio ambiente, ficando atrás apenas da Colômbia. Ambos os países são ricos em biodiversidade, o que os torna alvos cobiçados por aqueles que realmente detêm o poder e buscam lucros máximos às custas da exploração ambiental.

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A degradação ambiental não é uma preocupação exclusiva das áreas remotas; as cidades também sofrem com isso. A histórica ausência de políticas públicas voltadas para habitação, saneamento básico e gestão adequada de resíduos transformou bacias hidrográficas e ecossistemas urbanos em verdadeiros lixões ao longo dos últimos cem anos. Nesse cenário, os ricos se tornam cada vez mais ricos enquanto os economicamente excluídos enfrentam condições insalubres e uma expectativa de vida reduzida. O lucro e a impunidade são os pilares da cultura local quando se fala em questões ambientais.

Simultaneamente, grupos políticos no centro do país têm priorizado interesses corporativos ao relaxar as leis que regulam a degradação ambiental. A sociedade observa passivamente essa situação caótica e espera pelas próximas consequências desse descontrole sobre as questões ambientais.

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<pApesar das dificuldades gerais — especialmente com a iminência do super El Niño em agosto — existem algumas notícias positivas vindas da região metropolitana do Rio de Janeiro devido à implementação do novo marco do saneamento.

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A Lagoa Rodrigo de Freitas tem observado um aumento significativo na biodiversidade. Há quatro décadas considerada um erro ecológico devido à alta mortalidade dos peixes, hoje ela se transforma em um exemplo notável de recuperação ambiental. Após 37 anos dedicados à naturalização de suas margens e ao combate ao lançamento de esgoto, tenho testemunhado com alegria essa transformação em um potencial centro de ecoturismo e educação ambiental para o Rio de Janeiro.

Quem diria… De louco a visionário…

Nesse mesmo contexto, o sistema lagunar vive um momento sem precedentes em sua história. As causas e efeitos do crescimento urbano desordenado começam a ser abordados. Graças a diversas iniciativas, espécies raramente vistas nas lagoas agora aparecem com frequência crescente. Esse processo promete transformar o sistema lagunar antes degradado em um “Everglades” carioca, criando oportunidades econômicas nas áreas de pesca esportiva, ecoturismo e lazer geral. Um destaque nesse avanço é a criação pelo município do Parque Perilagunar do Camorim, representando ecossistemas historicamente destruídos ou utilizados como depósitos de lixo; nos últimos três anos e meio foram removidas 350 toneladas de resíduos dessa área.

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Na Baía de Guanabara, além das várias iniciativas para coleta de lixo nas margens e recuperação dos manguezais, ações recentes estão sendo realizadas no Canal do Fundão — uma das áreas mais degradadas da baía. Toneladas de lixo estão sendo retiradas dos manguezais da Península do Caju enquanto novos plantios estão sendo realizados para expandir essa área vital. Em apenas um ano foram removidas 450 toneladas desse resíduo em uma seção recuperada; onde havia lixo agora brotam mudas de mangue-negro e mangue-branco.

É inegável que quando há colaboração entre governo, iniciativa privada e sociedade civil todos se beneficiam. Os exemplos mencionados são apenas alguns dos quais sou testemunha ativa na recuperação desses ecossistemas outrora considerados perdidos. Mais uma vez: quem diria…

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Concluindo, embora a situação geral pareça preocupante — principalmente com as previsões climáticas extremas se intensificando devido ao super El Niño — é possível encontrar exemplos positivos isolados. A mudança desse panorama depende diretamente das decisões políticas tomadas por nossos representantes. Independentemente das ideologias pessoais, é importante escolher aqueles que tenham algum conhecimento científico ou familiaridade com questões ambientais; caso contrário, entendo que estamos apenas começando um purgatório climático destinado às próximas gerações.

Pense bem antes de votar… Boa sorte!

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