Sindicato Marreta lança Biblioteca Popular em homenagem ao Professor Fausto Arruda na capital mineira

No último dia 29 de maio, o Sindicato Marreta, em colaboração com o professor João Carvalho, conselheiro editorial de AND, deu início oficialmente à Biblioteca Popular Professor Fausto Arruda. A cerimônia contou com a participação do presidente do sindicato, Afonso do Rosário, do professor Carvalho, que fez a doação do acervo inicial, do responsável pela biblioteca, de Bárbara, filha do homenageado Fausto Arruda, além de membros do Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino. Aproximadamente cem pessoas, incluindo operários, educadores, estudantes e membros da comunidade local, compareceram ao evento. Diversas organizações e movimentos sociais marcaram presença, entre eles professores em greve da rede municipal de Belo Horizonte, o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (IHG), a Executiva Mineira de Estudantes de Pedagogia (ExMEPe), grêmios estudantis e representantes da livraria/editora À Margem.

A nova biblioteca leva o nome de Fausto Arruda em homenagem ao professor que foi um dos fundadores do jornal A Nova Democracia. Ele se destacou na luta por mobilização e organização popular. Durante várias décadas, Fausto Arruda apoiou a criação das Escolas Populares no campo e ministrou diversas palestras e cursos voltados para a formação política de operários, estudantes e camponeses. Sua trajetória é um exemplo poderoso da importância da educação voltada para as massas. O surgimento de espaços como as Bibliotecas Populares é fundamental para estreitar laços com os trabalhadores e promover a conscientização sobre seus direitos, bem como a história das lutas populares no Brasil e no mundo.

O evento

<p Durante as intervenções, o presidente do Sindicato enfatizou a relevância da biblioteca como um local onde os trabalhadores podem estudar e adquirir conhecimento. Ele também comentou sobre o papel histórico do professor Fausto dentro do sindicato e sua contribuição como cofundador da Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves, que alfabetizou uma significativa quantidade de trabalhadores da construção civil na capital mineira.

O responsável pela biblioteca destacou que os jovens usuários devem se conectar à verdadeira “biblioteca viva” – as pessoas – ouvindo as experiências dos operários envolvidos no movimento sindical. Ele ressaltou que o trabalho deve unir tanto estudantes quanto trabalhadores na luta por melhores condições.

João Carvalho enfatizou que a Biblioteca Popular não serve apenas como um acervo de livros; ela tem um papel fundamental na preparação dos indivíduos para a luta social. Ele lembrou que a falta de educação entre os trabalhadores é uma questão histórica que remonta à época da escravidão. Ao longo do tempo, mesmo com a industrialização, a elite continuou manipulando os trabalhadores para que chegassem exaustos após longas jornadas sem tempo para estudar. Em seu discurso, ele trouxe à tona exemplos históricos dos primeiros sindicatos em que jornais operários eram lidos após os turnos de trabalho para debater questões pertinentes à classe trabalhadora; assim se construía uma consciência coletiva através da educação e organização.

“Um trabalhador instruído é uma ameaça ao sistema”, afirmou ele. “A escola tradicional ensina que ser pobre é resultado da falta de esforço; já a educação popular transforma esse entendimento ao mostrar que o destino pode ser alterado. A classe dominante sempre temeu o poder transformador da cultura”, completou.

Demian Cunha, representante do Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino, abordou a importância da preservação cultural. Ele citou como os conquistadores espanhóis tentaram eliminar as histórias dos povos indígenas ao destruir livros e registros históricos. Da mesma forma, mencionou práticas sionistas atuais que visam roubar artefatos palestinos para apagar sua rica cultura e história. Ao finalizar sua fala, o Comitê fez uma doação simbólica: uma bandeira oficial da Palestina foi entregue à biblioteca.

Bárbara Arruda compartilhou seu sentimento sobre o legado deixado por seu pai até seus últimos dias: “Ele estava feliz em ver que suas sementes estavam frutificando”, disse ela. Para ela, estar junto ao povo era essencial na luta contra a opressão e na busca pelo poder popular. Ela finalizou sua fala destacando como os livros podem auxiliar na conscientização coletiva e expressou sua alegria em contribuir com a biblioteca.

Dentre os presentes no evento, um operário emocionado comentou: “Tenho 80 anos e estou contente por voltar aos estudos”, referindo-se à escola vinculada ao Instituto de Formação Técnica Marreta. Vários professores abordaram também as dificuldades enfrentadas durante a greve nas escolas municipais em Belo Horizonte em busca de melhorias educacionais contra um plano considerado sucateador pelo setor público. Estudantes manifestaram seu desejo por utilizar a biblioteca como um meio para expandir seus conhecimentos além das universidades tradicionais dominadas por ideologias imperialistas.

Momento Cultural

O evento cultural incluiu uma apresentação teatral intitulada “Sonhos”, escrita por Helô Gouvêa. A peça retrata a vida de uma professora recém-aposentada que revela suas vivências enquanto discute greves entre educadores em Belo Horizonte e presta homenagem à resistência palestina.

Inauguração da placa

A cerimônia culminou com a revelação da placa em homenagem ao professor Fausto Arruda por Bárbara. Os participantes reagiram entusiasticamente: “Professor Fausto Arruda, presente na luta!” e “Viva a Biblioteca Popular Professor Fausto Arruda!”.

A biblioteca

A nova biblioteca está disponível para operários, estudantes e toda a comunidade local como um espaço dedicado ao estudo, debate e troca de ideias. Seu objetivo é fortalecer a cultura proletária e facilitar o acesso ao conhecimento científico voltado para o povo através de um diálogo democrático. É um local destinado à leitura e à formação contínua onde todos são convidados a contribuir com doações de livros novos ou usados.