Professores do RS realizam massiva manifestação contra leilão de 98 escolas estaduais

Com a frase de ordem “Não venda minha escola!”, uma grande manifestação tomou conta das ruas de Porto Alegre, onde diversos professores se uniram contra o leilão de 98 instituições estaduais promovido pelo governo do Rio Grande do Sul. O evento, organizado pelo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS), ocorreu no dia 12 de maio e reuniu representantes de várias cidades, além de estudantes e outros apoiadores da causa.

O controverso leilão está agendado para o próximo dia 26 de julho na bolsa de valores em São Paulo. A proposta prevê que a gestão das escolas estaduais seja transferida para empresas privadas por um período de 25 anos. Durante a marcha, educadores, diretores e membros de sindicatos expressaram sua indignação em relação ao plano privatista do governo, enfatizando a importância da unidade na luta contra a privatização. A manifestação teve início na Escola Estadual Medianeira, uma das 98 instituições incluídas no edital para privatização através das chamadas “Parcerias Público-Privadas” (PPPs). Em depoimentos ao correspondente local, professores relataram suas preocupações sobre o leilão e reafirmaram seu compromisso em resistir à privatização.

A professora Neusa, da Escola Estadual de Ensino Médio Antão de Farias, compartilhou sua perspectiva sobre a importância da participação ativa dos alunos e pais na luta contra a privatização:

“Queremos incentivar mais engajamento da nossa comunidade escolar, incluindo pais e alunos. Estamos nos esforçando para fortalecer essa mobilização. É fundamental chamar a atenção da sociedade, especialmente daqueles que dependem da educação pública. Todos precisam compreender o que está acontecendo.”

“A escola pública não deve ser comparada com as instituições privadas! Sua essência é atender ao povo. Temos enfrentado várias dificuldades nas escolas públicas e não contamos com os mesmos recursos que as escolas particulares possuem. Contudo, temos a força da comunidade e do nosso sindicato ao nosso lado.”

A funcionária Iara, da Escola Estadual de Ensino Médio Diogo Penha, expressou sua oposição tanto à reforma do Ensino Médio quanto ao projeto privatista:

“É fácil entregar tudo à iniciativa privada quando as escolas já têm infraestrutura. Essa decisão é questionável e exige o empenho da comunidade, pois estamos falando do futuro dos nossos filhos. Essa reforma é uma estratégia da extrema direita; quanto menos conhecimento nossos filhos tiverem, mais mão de obra barata teremos disponível para eles.”

A professora aposentada Lídia, integrante do CPERS em Montenegro, também denunciou as condições precárias enfrentadas pelos profissionais da educação:

“Mesmo aposentada, continuo lutando pela dignidade dos professores que ainda estão ativos. O governador age sem consultar ninguém e nós estamos há 12 anos sem aumento salarial. Essa situação é insustentável enquanto ele ganha muito dinheiro. O papel dele deveria ser cuidar dos alunos que são o futuro do país; eles merecem uma educação de qualidade.”

Movimento nacional contra a privatização educacional

A resistência contra a entrega do ensino público à iniciativa privada está mobilizando milhares de educadores e estudantes em todo o Brasil. Esta tendência não é exclusiva do governo Eduardo Leite (PSB) no Rio Grande do Sul; ela se repete em diversas partes do país. Conforme levantamento feito pela Agência Brasil, em 2025, o governo paulista já havia privatizado a gestão de 143 escolas como parte das orientações de organizações internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. No Paraná, essa luta também é histórica; recentemente foi anunciado que o governo estadual ampliaria o programa “Parceiro da Escola”, transferindo a gestão de pelo menos 95 instituições para empresas privadas.