No dia 11 de junho, o Irã, através do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI), lançou uma resposta militar coordenada contra instalações militares dos Estados Unidos localizadas na Jordânia, Kuwait e Bahrein. Além disso, foi anunciada a decisão estratégica de fechar o Estreito de Ormuz. Essa ação foi uma reação direta aos recentes ataques aéreos realizados pelos EUA no sul do Irã. A ofensiva, que envolveu o uso de mísseis balísticos e drones, subiu o custo da agressão por parte do “Grande Satã” e demonstrou a capacidade de Teerã em atingir alvos que sustentam a presença militar americana e sionista na região da Ásia Ocidental.
Conforme um comunicado do CGRI divulgado pela Press TV, a Força Aeroespacial iraniana lançou 12 mísseis balísticos em direção à base aérea de al-Azraq, na Jordânia, que é utilizada pelos EUA. Este ataque teria destruído instalações onde estavam estacionados caças F-35, F-15 e F-16, além de um centro de comando crucial para a coordenação de operações. Essa ação evidencia que as bases do imperialismo, antes vistas como seguras, estão vulneráveis à retaliação iraniana em todo o Golfo Pérsico.
A reação dos EUA não demorou a ocorrer. O presidente Donald Trump utilizou sua rede social, Truth Social, para ameaçar o Irã com novos ataques e sugeriu tomar controle da ilha de Kharg, um importante centro para a infraestrutura petrolífera iraniana. Comparando essa intenção à situação da Venezuela, Trump expôs o desejo dos imperialistas em dominar completamente as fontes energéticas do Irã. Contudo, horas depois afirmou ter cancelado os bombardeios planejados devido ao avanço nas negociações. Essa oscilação entre ameaça militar e recuo diplomático reflete a pressão crescente sobre Washington diante da resposta iraniana e dos riscos de uma nova escalada no conflito.
Iran's Islamic Revolution Guard Corps (IRGC) Aerospace Force releases footage of their retaliatory strikes on US targets in the region earlier this morning.
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— PressTV Extra (@PresstvExtra) June 11, 2026
Fechamento estratégico e ofensivas coordenadas
Paralelamente ao ataque na Jordânia, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya anunciou uma ofensiva em duas etapas contra 18 alvos militares americanos situados nas bases de Ali al-Salem e Ahmad al-Jaber no Kuwait, além da base Sheikh Isa no Bahrein. A operação foi apresentada como uma prova da capacidade iraniana em atingir pontos estratégicos que sustentam os interesses militares dos EUA na região. Não se tratou apenas de retaliação; foi também uma demonstração clara do controle tático que Teerã possui para desmantelar alvos selecionados.
Em nota separada, o Exército iraniano anunciou uma operação envolvendo drones com foco no quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Bahrein. O objetivo era atacar antenas de comunicação e sistemas de radar integrados ao dispositivo defensivo Patriot, visando paralisar as capacidades operacionais das forças americanas na região. A precisão dessas ações ilustra o contínuo desenvolvimento das capacidades defensivas do Irã, que se nega a se submeter às ameaças externas ou chantagens políticas.
A medida mais significativa anunciada pelo Irã foi o fechamento do Estreito de Ormuz. Esta decisão foi comunicada pela nova Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, criada para regular o tráfego marítimo neste ponto crítico para o transporte global de energia. O aviso deixado claro que qualquer embarcação que tentasse se aproximar enfrentaria medidas severas.
A resistência iraniana, aliada ao Eixo da Resistência, evidencia que os custos da agressão são elevados. O Hezbollah no sul do Líbano tem repelido ataques terrestres com artilharia pesada e os Houthis no Mar Vermelho continuam suas ações contra interesses ligados à entidade sionista, ampliando a crise além das fronteiras iranianas.
A falência da agressão americana
Embora Washington persista na narrativa de que o Irã está “submisso” e que sua “capacidade ofensiva” foi eliminada, os ataques direcionados às bases ianques revelam uma realidade oposta. Observadores apontam que a guerra entrou em um impasse militar para os EUA: suas ações não conseguiram abalar a determinação do povo iraniano nem comprometer sua infraestrutura defensiva; igualmente não impediram Teerã de retaliar contra alvos regionais ou neutralizar sua influência sobre Ormuz.
O conflito iniciado pela coalizão liderada pelos EUA junto com Israel em 28 de fevereiro revelou-se um beco sem saída para os agressores. Apesar das vantagens tecnológicas dos imperialistas americanos, eles falharam em alcançar seus objetivos estratégicos. A economia global sente os efeitos dessa instabilidade com o aumento nos preços energéticos enquanto a população iraniana permanece unida sob a bandeira da resistência; as negociações indiretas atuais são vistas como parte de um jogo manipulado.
A situação política nos EUA acrescenta pressão adicional ao cenário. A desaprovação pública em relação à guerra combinada com inflação crescente e queda nas taxas de aprovação de Trump em ano eleitoral cria um ambiente incerto. A recente exigência da Índia para cessar ataques contra navios com cidadãos indianos após a morte de três marinheiros durante uma ação militar americana exemplifica o isolamento crescente e as consequências imprevistas geradas pela arrogância imperialista.
Através da combinação entre negociações indiretas e prontidão militar, Teerã busca estabelecer condições favoráveis junto a Washington e aumentar os custos associados à agressão americana. As demandas iranianas para um eventual acordo incluem a liberação de recursos financeiros bloqueados, cessação dos ataques israelenses no Líbano e reconhecimento da soberania sobre o Estreito de Ormuz – evidenciando que a República Islâmica não se submeterá à chantagem econômica e que esta disputa vai além dos recentes confrontos armados.
O comandante da Força Aeroespacial do CGRI, brigadeiro-general Sayed Majid Mousavi, declarou que qualquer tentativa de tornar Ormuz inseguro transformará a região em um “inferno” para os invasores. A retórica ambígua de Trump entre ameaças à ilha Kharg e dúvidas sobre se os EUA teriam coragem suficiente para escalar ainda mais essa situação apenas evidencia divisões internas e receios das repercussões políticas decorrentes de uma ofensiva terrestre massiva.
