Ariadne Telles, advogada popular e membro da Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta (Abrapo), foi sequestrada por forças militares sionistas no dia 18 de maio de 2026. A profissional, que é uma defensora ativa da causa palestina e da luta popular no Brasil, estava a bordo de uma flotilha humanitária internacional que tentava quebrar o bloqueio naval imposto a Gaza em águas internacionais, conforme relatado pela Global Sumud Flotilla.
Conforme um comunicado da Global Sumud Brasil, o sequestro aconteceu durante a madrugada, quando embarcações da missão foram interceptadas por navios de guerra sionistas. Os organizadores criticaram a operação como “violenta e ilegal”, informando que Ariadne Telles – também membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Rondônia (OAB-RO) e coordenadora da Global Sumud Brasil – foi capturada durante essa abordagem.
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As organizações envolvidas na missão ressaltam que a flotilha levava suprimentos médicos e alimentos, composta apenas por civis comprometidos com uma ação pacífica. Em nota oficial, as entidades repudiaram não só a “normalização das violações ao direito marítimo internacional”, mas também o sequestro de civis em águas internacionais. Diante do que ocorreu, as organizações pedem “a libertação imediata dos nossos participantes, a passagem segura dos barcos ainda em navegação e o fim do cerco ilegal a Gaza”, além de exigir que os governos dos países envolvidos protejam seus cidadãos.
Tentativas para romper o bloqueio naval à Gaza através de flotilhas civis têm sido frequentes desde o final dos anos 2000. Desde então, o regime sionista controla as fronteiras terrestres, aéreas e marítimas da Palestina ocupada sob o argumento de impedir a entrada de armamentos e materiais bélicos. Contudo, diversas instituições das Nações Unidas e organizações de direitos humanos consideram essas restrições desproporcionais — especialmente considerando o atual genocídio que compromete o acesso de aproximadamente dois milhões de pessoas a alimentos, medicamentos e serviços essenciais.
A operação militar sionista atacou e interceptou um total de 52 embarcações civis que transportavam cerca de 461 voluntários desarmados provenientes de diferentes países. Entre os passageiros estavam médicos, jornalistas, trabalhadores humanitários e ativistas. A flotilha partiu da Turquia uma semana antes e tinha como objetivo levar medicamentos e alimentos à população palestina na Faixa de Gaza, que enfrenta um colapso humanitário com hospitais destruídos e falta crítica de água e insumos médicos devido ao bloqueio imposto por Israel.
Segundo informações da coordenação da missão, as embarcações foram cercadas por navios sionistas enquanto navegavam em área longe das águas territoriais controladas pelo regime ocupante. Além de Ariadne Telles, outros três brasileiros também foram sequestrados durante a missão – Beatriz Moreira de Oliveira do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Thainara Rogério com cidadania espanhola e Cássio, um médico pediatra.
Caso de Thiago Ávila já havia exposto torturas
O sequestro de Ariadne ocorre pouco após a captura do ativista brasileiro Thiago Ávila junto com o hispano-palestino Saif Abu Keshek em águas internacionais no dia 30 de abril enquanto participavam da flotilha humanitária Global Sumud.
Após seu retorno ao Brasil, Thiago Ávila deu uma entrevista exclusiva onde denunciou torturas físicas e psicológicas sofridas durante sua detenção pelas forças sionistas. Sua esposa Lara Souza e sua advogada relataram episódios extremos de abuso físico durante a custódia dele, incluindo agressões que resultaram em perda temporária da consciência em duas ocasiões diferentes, isolamento severo e uso de vendas nos olhos levando à cegueira temporária no olho esquerdo. Durante os interrogatórios realizados pelos militares israelenses foram mostradas fotos da esposa e filha do ativista como parte das ameaças psicológicas dirigidas a ele. Em protesto contra as condições degradantes nas quais estavam submetidos — como celas sem janelas e falta total de assistência médica — Ávila e Abu Keshek decidiram entrar em greve de fome.
A interceptação daquela flotilha foi considerada pelos organizadores como um ato pirata que levou à Grécia exigir respeito ao direito marítimo internacional enquanto cerca de 36 barcos continuaram navegando nas proximidades da Creta. O caso envolvendo Ávila e Abu Keshek já havia revelado as táticas brutais usadas pelo regime sionista contra civis em busca de romper o cerco ilegal sobre Gaza. O recente sequestro envolvendo Ariadne Telles reafirma essa política repressiva persistente.
