Moradores da Várzea se mobilizam em protesto enérgico após assassinato de operário por policial assediador em Pernambuco

Na tarde de 7 de agosto de 2026, aproximadamente às 17h, um grupo de 70 manifestantes interditou a Avenida Caxangá, nas proximidades do Terminal de Integração da Caxangá. O protesto exigia a prisão do Cabo da Polícia Militar de Pernambuco (PM-PE), Igor Vinicius, acusado de assassinar o operário da construção civil Ailton Virgílio. A manifestação, que reuniu amigos, familiares da vítima e estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), exibiu uma faixa com a frase “Justiça para Guiça” e bandeiras do Coletivo Mangue Vermelho (MV) e do Movimento Feminino Popular (MFP). Durante o ato, o 12º Batalhão da PM-PE estava presente e fez abordagens aos manifestantes para identificar os líderes e a duração do protesto. A mobilização foi encerrada por volta das 18h35.

Esta foi a segunda vez que ocorria uma manifestação pedindo a detenção do Cabo Igor Vinícius Barbosa Peres. A primeira aconteceu em 3 de agosto, logo após o sepultamento de Ailton Virgílio de Vasconcelos Filho, conhecido como “Guiça”, que tinha 47 anos e era muito respeitado na Comunidade da Várzea. Na ocasião, seus amigos e familiares bloquearam a Avenida Afonso Olindense enquanto gritavam palavras de ordem como “Queremos o PM preso!” e “Comunidade unida, jamais será vencida!”.

<p“Um parente da vítima comentou em entrevista à imprensa local: “Agora precisamos agir, buscar justiça para que ele pague pelo crime que cometeu. Não podemos deixá-lo impune ou se sentir à vontade enquanto trabalha. Sabemos que a justiça falha, mas não vamos desistir.”

O homicídio ocorreu na manhã do dia 2 de agosto em um bar localizado na Praça da Várzea. O Cabo Igor Vinicius Barbosa Peres, de 32 anos, passava a madrugada ingerindo bebidas alcoólicas e assediando mulheres quando um dos maridos das vítimas o empurrou. Em resposta, Igor sacou sua arma e disparou duas vezes, atingindo Ailton. Após perceber o que havia feito, ele deixou rapidamente o local. Vizinhos relataram que Igor era conhecido por assediar mulheres nos bares da região.

Ao ver Ailton ferido, frequentadores do bar chamaram a polícia pelo número 190 para tentar prender o atirador e socorrer a vítima. No entanto, ao chegarem ao local as viaturas do 13º Batalhão não apenas falharam em buscar pelo Cabo Igor como também se negaram a prestar os primeiros socorros a Ailton alegando que ele poderia ser um criminoso. Quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chegou ao local, foi constatado o óbito da vítima. Essa atitude gerou revolta entre os familiares que afirmaram: “Quando é um bandido que recebe tiros dos próprios policiais eles ainda são socorridos. Eles levam para argumentar legítima defesa ou algo assim; mas nem isso fizeram desta vez.”

No dia seguinte ao assassinato, em 3 de agosto, poucas horas antes do enterro de Ailton, o Cabo compareceu ao Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), onde optou por permanecer em silêncio durante seu depoimento e foi liberado para continuar atuando na corporação.

Em declaração dada à imprensa local por um familiar de Ailton ficou evidente sua indignação: “Se fosse alguém da família do Cabo Igor… veja o caso em Camaragibe onde mataram todos sem dó. Se fosse ele quem tivesse matado um policial… como estaria sua família? Já estariam mortos! Eles fariam tudo para vingar esse policial, mas como foi um pobre… as coisas mudam.”

Cenas parecidas aconteceram no Amazonas no dia 3 de agosto quando manifestantes se reuniram em frente ao Fórum Ministro Henoch da Silva Reis para exigir justiça pela morte de jovens trabalhadores e moradores das periferias locais. Um dos casos mais emblemáticos foi o jovem Bruno Girão, de 22 anos, baleado pela Guarda Civil Municipal (GCM) durante uma ação em que houve demora no atendimento médico após o tiro.

Os crimes contra a população não podem ficar impunes

O incidente envolvendo Ailton se insere em uma série de crimes cometidos por membros das forças policiais militares no Brasil, incluindo a Chacina da Penha ocorrida em outubro de 2025 no Rio de Janeiro. Diante dessa situação alarmante, organizações sociais lançaram uma campanha chamada “PAREM O GENOCÍDIO CONTRA O POVO POBRE DO BRASIL!” visando organizar uma resistência justa contra as violências enfrentadas pela população pobre e negra no país. Diversos grupos como a Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV–LJR) e o Movimento Feminino Popular participaram ativamente dessa campanha com atos em homenagem a Gabriel dos Santos e grandes manifestações no Complexo da Penha.

A campanha também se espalhou pelo interior do país; em Rondônia houve reações à chamada “Operação Godos”, onde forças policiais assassinaram Raimundo Nonato e prenderam quase ilegalmente a advogada Lenir Correia por defender os direitos dos camponeses pobres locais.

Em uma nota conjunta sobre os massacres nos complexos da Penha e Alemão emitida por organizações juvenis como UV–LJR e Coletivo Alvorada do Povo (AP), ficou destacado que “Esse crime contra o povo não pode passar impune […]. Os responsáveis precisam ser penalizados severamente; toda mídia monopolista e políticos do velho Estado são cúmplices na violência sistemática contra pobres e negros que persiste há séculos neste país. Nós jovens revolucionários continuaremos denunciando ativamente esses crimes cometidos contra nosso povo e lutaremos incansavelmente pelo fim das chacinas contra os pobres e negros em todo Brasil.”

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