Thiago Ávila discute a luta contra o imperialismo e o sionismo após ser sequestrado por Israel

O ativista Thiago Ávila, que passou dez dias detido de forma ilegal pela entidade sionista chamada “Israel”, chegou a Brasília na noite de 11 de maio. Em entrevista ao AND, ele denunciou as torturas sofridas em prisões sionistas, relatou uma tentativa de intimidação por parte da Polícia Federal (PF) ao retornar ao Brasil e enfatizou a urgência de romper qualquer conivência com o genocídio do povo palestino. “Cada geração tem a opção de cumprir sua missão ou traí-la. As pessoas que se opõem ao imperialismo estão decidindo lutar e cumprir essa missão histórica”, declarou.

Thiago Ávila desembarcou na capital brasileira por volta da meia-noite do dia 11, após ter chegado ao Aeroporto de Guarulhos (SP), onde foi recebido por membros da comunidade palestina. No entanto, antes de ser liberado, o ativista enfrentou uma retenção de uma hora pela Polícia Federal. Ele relatou à reportagem que essa abordagem intimidatória estava ligada a um “alerta” emitido pela PF. Ávila foi firme em sua recusa a participar do interrogatório e nas ameaças relacionadas à retenção de seu passaporte. “Depois de tudo que enfrentamos, não aceito esse tipo de recepção. Eles tentaram reter meu passaporte e me impedir a entrada, mas eu permaneci firme, negando-me a ser interrogado”, afirmou.

Ao exigir seu direito legal de acesso às alegações contra si, Ávila se identificou como um “cidadão brasileiro atacado pelo sionismo”. Os agentes da PF se negaram a fornecer quaisquer registros. Ele ressaltou que essas violações precisam ser investigadas, pois não são meros erros administrativos, mas evidências de conluio. “O Brasil permanece profundamente influenciado pelo sionismo, tanto em suas instituições policiais quanto nas esferas governamentais”, observou.

No aeroporto de Brasília, o Comitê de Solidariedade pela Palestina (CSP-DF) fez uma manifestação em frente ao terminal doméstico para receber Ávila. Um grupo considerável de manifestantes levantava bandeiras palestinas e cartazes clamando por liberdade para Thiago Ávila e Saif Abu Keshek. Muitos vestiam a kufiya, símbolo cultural e de resistência do povo palestino, em uma demonstração solidária internacionalista. A recepção foi marcada por gritos como “Do rio ao mar, Palestina livre já!”, “Estado assassino é Israel! Viva a luta do povo palestino!” e “Tô com Thiago, tô com a Flotilha, e o mundo inteiro com a Palestina!”.

Em coletiva após sua chegada à capital federal, o ativista reafirmou seu compromisso com a luta palestina e destacou a necessidade urgente de combater o nazi-sionismo: “Precisamos barrar esse projeto expansionista que já tomou 78% do território e agora busca apropriar-se do restante, enquanto 60% da Gaza já foi usurpada; continuam assassinando inocentes mesmo durante os sete meses deste falso cessar-fogo em Gaza; seguem impedindo ajuda humanitária; e pretendem que aquela região seja governada por estrangeiros como criminosos de guerra.”

“Sempre que perguntam se iremos voltar, minha resposta é sim, porque sabemos que nossa tarefa ainda não está completa. Enquanto o povo palestino não tiver autonomia para viver dignamente em sua terra ou fora dela, devemos nos mobilizar”, afirmou.

A esposa do ativista, Lara Souza, compartilhou sua experiência angustiante durante o processo de prisão do marido com o AND. Ela descreveu a deportação como inesperada — foram cerca de 24 horas sem informações sobre o destino dos detidos. “Nem a embaixada estava sendo informada nem as advogadas tinham dados precisos sobre ele; levamos muito tempo até sabermos o que ocorreria”, disse Lara.

Ainda assim, Lara mantém esperança e delineia os próximos passos: “A flotilha continua ativa. Nossos barcos estão ancorados na Turquia e planejamos seguir adiante. Reconhecemos a necessidade das mobilizações até alcançarmos nossos objetivos: romper o cerco ilegal sobre Gaza e interromper esse genocídio perpetrado pelo Estado de ‘Israel’.”

A realidade nas prisões sionistas

O relato feito por Thiago Ávila sobre sua detenção revela um quadro aterrador. Ele foi capturado junto com seu companheiro da Flotilha Global Sumud, Saif Abu Keshek, para ser interrogado no centro de tortura da Shabak — serviço secreto israelense. “Diariamente ouvíamos outras pessoas sendo torturadas ao nosso redor. Eles tratavam isso como rotina normal; diziam que era uma ‘opção’ deles porque tinham autorização judicial para tal prática.”

A família do ativista já havia alertado sobre as péssimas condições prisionais que incluíam celas solitárias iluminadas incessantemente para provocar privação do sono e desorientação mental. Autoridades sionistas ameaçaram Ávila com uma pena máxima de 100 anos como estratégia para tentar quebrá-lo psicologicamente. Ele destacou que as condições desumanizadoras enfrentadas pelos palestinos são extremas e somente escapou de experiências ainda mais terríveis devido à pressão internacional.

“Mais importante do que qualquer vivência individual nesse contexto é lembrar que existem mais de 9 mil palestinos encarcerados nas prisões israelenses — sendo mais de 300 crianças submetidas a torturas ainda mais severas do que eu enfrentei”, enfatizou Thiago.

Compromisso anti-imperialista

Em conversa com o AND, Thiago dirigiu uma mensagem aos ativistas anti-imperialistas globais reunidos na recém-criada Liga Anti-imperialista Internacional (LAI), sublinhando que este é um momento crítico marcado por guerras imperialistas e ameaças nucleares: os povos devem agir em vez de permanecer inertes diante dessa realidade preocupante. “Toda geração possui uma missão histórica — cabe escolher entre cumpri-la ou abandoná-la. Aqueles comprometidos com a luta anti-imperialista estão optando por enfrentar essa batalha histórica”, declarou.

No final da entrevista, ele ligou a causa palestina à luta global contra as guerras imperialistas: “Os trabalhadores não têm nada a ganhar com essas guerras; cada pessoa paga um preço maior pelas ações destrutivas promovidas por líderes como Trump e Netanyahu.” Ele reforçou que todos devem lutar não apenas por revoluções em seus países mas também contra projetos globais que colocam toda humanidade em risco.

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Leia na íntegra a entrevista com Thiago Ávila ao AND

Correspondente local do AND – Brasília (DF): Para começar, saudações! Poderia nos contar sobre como ocorreu o sequestro perpetrado pela entidade sionista?

Thiago Ávila: É importante ressaltar que éramos cerca de 400 pessoas com destino à Gaza para entregar ajuda humanitária enquanto lutávamos contra o sionismo. Com ações diretas não violentas buscamos aumentar a conscientização sobre o genocídio atual em Gaza; nossa missão é mostrar ao mundo esta realidade e derrotar tanto o imperialismo quanto o sionismo. Fomos interceptados em águas internacionais quando estávamos há mais de mil quilômetros da costa grega devido à aproximação de uma tempestade.

Cento e oitenta e uma pessoas foram sequestradas e presas; fomos colocados em embarcações militares sob ataque; mais de trinta delas precisaram ser hospitalizadas devido às agressões sofridas. Eu e Saif fomos levados forçosamente para ‘Israel’, passando por tortura durante dois dias no barco antes sermos levados para um campo onde sofremos interrogatórios constantes durante dez dias cercados por outras vítimas sendo torturadas.

Nossa situação não se compara ao sofrimento diário dos palestinos; há mais de nove mil deles presos nas masmorras israelenses — incluindo mais de trezentas crianças expostas às piores formas possíveis de tortura — precisamos continuar mobilizados diante desse genocídio contínuo em Gaza sob um falso cessar-fogo há sete meses.

A violência não cessa; continua impedindo ajuda humanitária enquanto avança sobre terras na chamada “linha amarela”. Os planos deles são sombrios: figuras como Benjamin Netanyahu e Donald Trump governando aquela área; além disso,o complexo industrial militar lucra constantemente com mortes provocadas pelas bombas lançadas sobre os civis palestinos; enquanto as grandes empresas tecnológicas criam sistemas autoritários dignos das distopias cinematográficas atuais — devemos derrotar esse projeto maligno.

Desejamos construir um mundo livre das opressões sociais e ambientais; nossa revolução deve enfrentar os principais inimigos desta geração: imperialismo e sionismo.

AND: Como foi seu processo interrogatório pela Polícia Federal?

Thiago Ávila: A Polícia Federal – profundamente influenciada pelo sionismo – lançou algum tipo de alerta relacionado ao meu nome e passaporte desejando me interrogar. Recusei-me totalmente a participar desse interrogatório pois após tudo pelo qual passei considero inaceitável receber tal recepção aqui no Brasil; ameaçaram reter meu passaporte me impedindo assim entrar no país — mantive-me firme exigindo informações acerca das alegações feitas contra mim enquanto cidadão brasileiro perseguido pelo sionismo sem sucesso nas solicitações feitas aos agentes presentes.”

Sendo assim preferi sair daquele ambiente buscando reencontrar minha filha e família embora estejamos diante da necessidade urgente investigação desses fatos: O Brasil continua excessivamente permeado pelo sionismo tanto nas instituições policiais quanto nas esferas governamentais municipais ou estaduais assim como no governo federal. 

Nossa luta precisa romper qualquer tipo conivência com genocídios! Necessitamos garantir que ninguém aqui compactue involuntariamente através manobras políticas covardes envolvendo assassinatos infantis ou exterminações sociais dentro do Brasil! É evidente também que os brasileiros repudiam relações diplomáticas associadas aos crimes cometidos contra os povos palestinos!

AND: Diante das crescentes lutas pela libertação nacional mundialmente qual mensagem você deixaria aos anti-imperialistas reunidos nessa nova Liga Anti-imperialista Internacional?

Thiago Ávila:A todos os militantes anti-imperialistas no mundo inteiro envolvidos nessa grande batalha histórica minha gratidão sincera! Como dizia Fanon…cada geração enfrenta desafios próprios podendo optar entre cumpri-los ou traí-los! Essa é nossa hora! Está claro para nós hoje quais opções temos disponíveis…nós precisamos lutar juntos contra todas essas forças opressoras contemporâneas!

Nós falaremos sobre estes tempos históricos daqui pra frente…todos aqueles vindouros comentarão sobre crises ambientais devastadoras acompanhadas ainda das guerras travadas sob égide imperialistana além das ameaças nucleares emergentes…não podemos permitir passividade diante dessa realidade dolorosa!

A classe trabalhadora nunca se beneficiará destas guerras destrutivas além disso cada indivíduo arcará custos elevadíssimos reflexo direto destes conflitos impostos pelos poderosos líderes mundiais cujos interesses supremacistas dominam nossas vidas cotidianas!

Sendo assim nosso compromisso vai além das fronteiras nacionais…devemos trabalhar arduamente no sentido impedir esses projetos nefastos colocando nosso futuro global em risco constante!

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