A influência imperialista nas eleições: análise do diretor-geral da AND sobre a manipulação evidente

Victor Bellizia, diretor-geral da AND, comentou sobre a influência histórica do imperialismo norte-americano nas eleições brasileiras durante sua participação no programa A Propósito #371, que foi ao ar em 30 de julho no canal do jornal no YouTube. Ele destacou que a atual investida promovida pelo governo de Donald Trump não deve ser vista como uma anomalia dentro do sistema eleitoral brasileiro, mas sim como uma manifestação mais clara do funcionamento habitual desse sistema.

“Em primeiro lugar, o imperialismo sempre se mete nas eleições”, declarou o representante da AND. “Na verdade, as eleições servem como um meio contínuo para legitimar a ingerência e a dominação imperialista que nosso País enfrenta. O que se destaca atualmente é que essa intervenção está mais evidente do que nunca.”

A reflexão foi feita em resposta à intenção do Departamento de Estado dos Estados Unidos de enviar representantes ao Brasil para discutir questões relacionadas à “integridade eleitoral”, além do apoio de Flávio e Eduardo Bolsonaro por um aumento da presença estrangeira nas eleições e das pressões comerciais exercidas por Washington.

Bellizia argumentou que a democracia burguesa não é um espaço neutro, alheio às classes sociais e interesses econômicos. “A democracia, em geral – e especialmente a democracia burguesa – é apenas uma ferramenta de poder”, enfatizou.

Essa perspectiva invalida a ideia de que o imperialismo estaria atacando um processo eleitoral que deveria representar a soberania nacional. “A intervenção ianque não ocorre contra as eleições; ela acontece por meio delas”, resumiu.

<pO diretor-geral ressaltou que uma eleição realizada sob os fundamentos do capitalismo burocrático e sob controle do capital financeiro imperialista não pode gerar uma vontade política autônoma. “Enquanto essa estrutura econômica permanecer subordinada ao capital financeiro e ao imperialismo dos EUA, será a voz deles que prevalecerá”, afirmou.

Victor lembrou que Washington já utilizou o processo eleitoral para intervir em países como Nicarágua, em 1990, e El Salvador, em 2004. No Brasil, antes do golpe militar de 1964, o imperialismo também tentou impor seus interesses através do financiamento de candidatos, partidos e campanhas políticas. O golpe ocorreu quando a intervenção eleitoral deixou de ser suficiente para controlar a crise política existente.

“As eleições são na verdade um dos instrumentos através dos quais o imperialismo impõe sua vontade e seus interesses”, disse ele. “O diferencial agora é que os ianques estão em uma circunstância internacional e regional que os força a agir de maneira mais descarada do que faziam anteriormente.”

Essa nova dinâmica está relacionada ao declínio da hegemonia norte-americana e ao fortalecimento dos movimentos populares e à competição com outras potências. “Os ianques já não têm uma hegemonia absoluta e indiscutível. Embora ainda exerçam uma forma de hegemonia, ela não é mais incontestável; estamos diante de uma hegemonia em declínio”, observou Bellizia.

Ele também alertou sobre a falsa polarização que transforma o apoio ao atual processo eleitoral em uma suposta resposta à interferência de Trump. “Se aceitássemos as eleições sob o pretexto de combater o bolsonarismo e o trumpismo, estaríamos validando todas as políticas imperialistas que continuam inalteradas nos diversos governos”, destacou.

A AND considera essa armadilha como um mecanismo que mantém as massas presas em um “círculo vicioso”: apresenta como solução a institucionalidade que perpetua a ingerência e a dominação pretendida para ser combatida.

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