Memorando Irã-EUA: Acordo prevê retirada das tropas americanas e um novo capítulo de paz na região

Em um evento histórico, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, firmaram digitalmente um memorando de entendimento no dia 17 de junho. Este acordo marca o estabelecimento de um cessar-fogo permanente e a retirada das tropas americanas da região circundante ao Irã em até 30 dias após a finalização do tratado. Mediado pelo Paquistão e contando com apoio regional, o documento determina o término imediato das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e inicia a suspensão do bloqueio naval, além de abrir espaço para negociações sobre sanções, ativos congelados e a recuperação econômica.

Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, declarou que a assinatura digital do memorando pelas lideranças governamentais sem cerimônias na Suíça foi uma estratégia intencional adotada por Teerã. Baghaei ressaltou que a diplomacia iraniana, reforçada pela confiança popular, resultou em um acordo que atende aos interesses nacionais. Ele também enfatizou que, ciente da desonestidade americana em negociações anteriores, o governo do Irã buscou a assinatura das autoridades máximas para aumentar as consequências políticas de qualquer possível descumprimento.

Contudo, a implementação do memorando será acompanhada por uma postura que as autoridades iranianas chamam de “desconfiança ativa”. O governo deixou claro que não haverá complacência na supervisão das ações dos Estados Unidos. Baghaei alertou que o Irã não hesitará em agir caso Washington não cumpra suas obrigações. “Não se trata de cumprir nossas promessas enquanto o outro lado ignora suas responsabilidades”, afirmou ele, reiterando que os progressos nas medidas dependem da genuína reciprocidade por parte dos EUA.

A posição do Irã em relação às suas capacidades defensivas permanece inalterada e fora de discussão nas negociações. Baghaei salientou que “decidimos não abordar a questão nuclear neste momento. O foco era encerrar a guerra, e conseguimos isso”. Ele também destacou que as capacidades defensivas do Irã não serão alvo de negociação: “Os mísseis iranianos são para uso militar e não para serem negociados”, afirmou. A decisão de postergar discussões sobre questões nucleares permite manter o foco na resolução imediata do conflito e resguardar as capacidades defensivas da nação nesta fase.

“A guerra imposta sobre nós não nos dobrou; ao contrário, nos fortaleceu tanto militar quanto diplomaticamente”, disse Baghaei. Ele destacou a vitória iraniana ao afirmar que o país superou “duas potências nucleares e seus aliados”.

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Os termos do triunfo da Resistência

O memorando consiste em 14 pontos essenciais, estabelecendo um compromisso imediato de cessar-fogo em todas as frentes, incluindo no Líbano. Um dos aspectos mais relevantes é a exigência para que os Estados Unidos retirem suas tropas da região circunvizinha ao Irã dentro de 30 dias após a conclusão do acordo. Este item representa um golpe significativo na estratégia americana de dominação na Ásia Ocidental, já que a presença militar dos EUA se tornou insustentável frente à capacidade de resposta iraniana. Para Teerã, essa retirada prevista no memorando reflete a incapacidade de Washington de impor seus objetivos através da força.

Além disso, o documento prevê o término imediato do bloqueio naval imposto pelos EUA contra o Irã, prevendo sua suspensão total em até 30 dias. Embora esse prazo tenha sido originalmente estipulado como 30 dias, foi acelerado após um ataque realizado pelo regime sionista em Dahiyeh e uma resposta firme por parte de Teerã. Ao mesmo tempo, o Irã está desenvolvendo um novo mecanismo para gerenciar o Estreito de Ormuz em colaboração com Omã, reafirmando sua soberania sobre essa importante via marítima.

No âmbito econômico, o memorando estabelece também a imediata isenção das sanções relacionadas à exportação de petróleo e produtos derivados, além de serviços bancários e seguros associados. O Banco Central iraniano terá acesso livre aos seus fundos restritos conforme acordado no procedimento estipulado. O cronograma inclui a liberação gradual dos ativos iranianos congelados e acesso ao sistema financeiro internacional. Adicionalmente, está programado um plano para reconstrução e desenvolvimento econômico no valor mínimo de US$ 300 bilhões a ser desenvolvido pelos EUA em parceria com países da região até a finalização do acordo definitivo. Essa cláusula reconhece a necessidade urgente de reconstrução pós-guerra e compõe um pacote mais amplo de concessões econômicas previsto no memorando.

O cronograma estipulado pelo acordo prevê 60 dias para negociações visando finalizar os termos acordados, podendo ser estendido se necessário. Durante este período, ambos os países devem trabalhar nos detalhes técnicos relacionados à suspensão das sanções e à recuperação econômica. Baghaei informou que Teerã já começou a documentar todos os crimes cometidos durante o conflito: “não perderemos nenhuma ocasião para registrar, investigar e relatar os crimes perpetrados contra nosso povo. Usaremos todos os mecanismos internacionais disponíveis para garantir nossos direitos”.

Quanto à questão do material nuclear enriquecido, ficou decidido que seria abordada por meio de um mecanismo mutuamente acordado com diluição local sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) como metodologia mínima. A exigência americana pela transferência desse material para fora do país foi descartada nesta fase atual. O Irã reafirmou seu compromisso com fins pacíficos sem produzir armas nucleares; porém manteve sua soberania tecnológica como parte do status quo aceito pelos EUA.

A integridade da defesa e o Líbano

A solidariedade com o Líbano foi considerada uma prioridade inegociável por Teerã. Baghaei enfatizou que para o Irã o cessar-fogo no Líbano é tão vital quanto pôr fim à guerra dentro das próprias fronteiras iranianas. O documento menciona explicitamente o Líbano logo no primeiro artigo, assegurando respeito à sua integridade territorial e soberania nacional. O porta-voz declarou ainda que Teerã não separa os EUA da entidade sionista “Israel” e frisou que cabe aos americanos garantir que esse regime respeite os compromissos estabelecidos no memorando; qualquer ataque contínuo ao Líbano será considerado uma violação das obrigações assumidas pelos ianques.

As autoridades iranianas sublinharam que apesar dos sacrifícios feitos durante a guerra houve um fortalecimento nacional significativo. “Os inimigos nos feriram; tiraram nossas vidas valiosas e causaram danos ao Irã. Contudo, um leão ferido continua sendo um leão”, afirmou Baghaei. A resistência iranianna se consolidou frente à agressão injustificada dos EUA e do regime sionista.

Derrota ianque reconhecida internacionalmente

A entrada em vigor deste memorando levou analistas e comentaristas citados pela Press TV a avaliar que representa uma significativa derrota para os Estados Unidos e sua postura arrogante sob Donald Trump. O comentarista conservador Tucker Carlson analisou este acordo como uma mudança histórica; segundo ele, essa incapacidade americana em impor suas vontades sobre Teerã sinaliza um possível declínio imperialista dos EUA semelhante ao colapso britânico após a crise Suez em 1956.

Carlson argumenta ainda que tal situação demonstra as limitações reais do poder americano na região: “Assim sendo,” concluiu ele,” os EUA podem ter perdido seu status anterior como dominadores no Oriente Médio sem declarar formalmente isso.” Apesar das forças armadas mais bem equipadas do mundo serem americanas, elas demonstraram incapacidade diante da 34ª maior economia global.

A jornalista libanesa Rania Khalek criticou duramente aqueles setores belicistas em Washington preocupados com as concessões feitas pelos EUA no novo memorando: “Todos aqueles irritados com as concessões parecem ignorar totalmente que os americanos perderam esta guerra”, escreveu ela acrescentando: “Perder é humilhante; esses belicistas estão claramente vivendo uma profunda negação”, ressaltando ainda que este memorando é resultado direto dos conflitos vencidos pelo Irã.

No programa A Propósito, veiculado no dia 11 de junho pelo canal AND no YouTube, Sheik Ruhollah Shamshiri (Sheik Salman), Rima Awada Zahra e Victor Bellizia discutiram como as respostas dadas pelo Irã junto ao Líbano, Palestina e Iémen revelam uma frente unida anti-imperialista crescente na região. Bellizia acredita que esta nova derrota estratégica somada às ocorrências no Afeganistão em 2021 é indicativa de mudanças profundas nas dinâmicas regionais.

Victor Bellizia acrescentou ainda que tanto Israel quanto forças imperialistas tentam separar as frentes envolvendo Irã, Líbano Palestina e Iémen afim de forçar capitulações; contudo essa resistência tem respondido com maior unidade entre si.Complementarmente Sheik Salman comentou sobre décadas de apoio iraniano ao Líbano permitindo ao Hezbollah fortalecer-se contra invasores; segundo ele esse plano sionista para destruir Gaza primeiro depois atacar Líbano fracassou completamente evidenciando assim essa força coletiva.