A Copas de Trump e Infantino: Um Espetáculo de Vergonha e Fracasso

O início da Copa do Mundo, o maior evento esportivo global, foi marcado por uma série de controvérsias e protestos contra o governo dos Estados Unidos. Com deportações, bloqueios de ingressos e revogações de vistos, a situação expôs as práticas autoritárias do regime americano, que busca reprimir enquanto se apresenta como anfitrião de um evento que deveria promover a unidade mundial.

No dia 8 de junho, Omar Abdulkadir Artan, árbitro designado para a Copa do Mundo de 2026 e reconhecido como o melhor árbitro da Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025, foi barrado na entrada do país e deportado. Sua deportação evidencia as crescentes violações constitucionais sob a administração Trump, que sem apresentar evidências concretas, o associou a supostas “organizações terroristas”. Esta decisão gerou uma onda de indignação internacional antes mesmo do início dos jogos nos Estados Unidos. Após sua chegada em Mogadíscio, capital da Somália, Omar foi recebido como um herói por milhares de torcedores em um grande estádio local.

Ali Abdi Mohamed, presidente da Federação Somali de Futebol, e Völker Türk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, criticaram abertamente a atitude do governo americano. Türk enfatizou a necessidade de revisar as políticas migratórias durante o evento, enquanto Mohamed destacou as qualidades de Omar Artan. Além disso, David Eby, primeiro-ministro da Colúmbia Britânica no Canadá, ofereceu ao árbitro a oportunidade de participar de jogos em seu país.

Outros incidentes constrangedores também ocorreram. A seleção senegalesa foi submetida a uma revista rigorosa no Aeroporto de Raleigh, na Carolina do Norte. Uma situação similar ocorreu com a seleção do Uzbequistão, que enfrentou inspeção com cães farejadores antes de ser autorizada a acessar seu centro de treinamento em Nova Iorque. O atacante iraquiano Aymen Hussein passou quase sete horas sendo interrogado em Chicago. O fotógrafo da equipe iraquiana foi detido por mais de dez horas e teve sua entrada negada no país. Além disso, o vice-presidente Mehdi Mohammed Nabi teve seu visto recusado e ingressos destinados aos torcedores iranianos foram cancelados pela FIFA.

<pA seleção iraniana também enfrentou dificuldades; Mahdi Mohammad Nabi acusou a FIFA e seu presidente Gianni Infantino por falta de coordenação após a negativa dos vistos para 15 membros da delegação iraniana. Para contornar os problemas logísticos, parte da equipe precisou mudar sua base de Arizona para Tijuana no México.

Infantino: Um servo leal de Trump

No período que antecedeu o torneio, surgiram sinais claros de tensão que prenunciavam problemas. A FIFA não demonstrou preocupação com os atos questionáveis do governo americano; isso se deve não apenas ao desejo por lucros exorbitantes. Infantino se alinhou fortemente ao governo Trump e chegou até mesmo a entregar o recém-criado “Prêmio da Paz” durante o sorteio da Copa do Mundo 2022. Sua presença frequente ao lado do ex-presidente americano só reforça sua imagem como um cúmplice desta administração autoritária.

Infantino é frequentemente criticado por sua omissão diante das questões sociais e políticas envolvendo os países-sede dos eventos esportivos. Enquanto impôs sanções à Rússia pela invasão da Ucrânia e retirou a Indonésia como sede da Copa Sub-20 devido à exclusão israelense, permanece calado sobre os conflitos envolvendo o povo palestino e as tensões relacionadas ao Irã.

A história se repete sob Trump: práticas repressivas semelhantes às encontradas em regimes teocráticos são observadas nos Estados Unidos. A repressão severa contra imigrantes e minorias étnicas é uma constante nesse contexto. Se no Catar havia receios sobre a segurança das pessoas LGBTQIA+, hoje nos EUA essa preocupação também é válida devido à brutalidade policial intensificada contra estrangeiros e minorias.

A queda nas taxas de ocupação hoteleira nas cidades-sede reflete esse clima tenso e hostil; muitos hotéis estão registrando menor procura comparada ao México e Canadá. O clima instaurado pela polícia anti-imigração (ICE) indica que o evento será utilizado como uma oportunidade para reforçar suas operações repressivas.

Antes do torneio começar, organizações como Anistia Internacional alertaram para “altos riscos” aos direitos humanos durante a Copa 2026 devido a deportações em massa e restrições à liberdade de expressão.

A Copa de Ninguém

O Haiti também enfrentou censura por parte da FIFA ao ter solicitado a remoção de uma imagem relacionada à Batalha de Vertières — crucial para sua independência — sob pena de punições. Essa decisão foi considerada errônea pela federação haitiana mas teve que ser cumprida.

A FIFA ainda se destacou pelas decisões impopulares relacionadas aos preços exorbitantes dos ingressos que variam entre cinco mil e onze mil dólares. Além disso, implementaram um sistema chamado “dynamic pricing”, onde os preços aumentam conforme a demanda; ingressos inicialmente avaliados em US$ 6.730 chegaram até US$ 11 mil ou mais absurdamente até US$ 690 mil (aproximadamente R$ 3 milhões).

No MetLife Stadium em Nova Jérsei, torcedores foram orientados pela FIFA a utilizar apenas opções oficiais de transporte; veículos particulares foram banidos e passagens ferroviárias custavam US$ 98 ida e volta. Foi proibido levar garrafas d’água para dentro dos estádios onde produtos alimentícios seriam vendidos a preços exorbitantes.

A abertura da Copa no Estádio Azteca na Cidade do México ocorreu rodeada por patrocínios massivos enquanto manifestações populares denunciavam os horrores perpetrados pelo governo americano. Apesar disso tudo, muitos americanos parecem alheios ao que acontece; afinal, para quem realmente é esta Copa onde football nem é futebol?

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