
A Frente Estudantil Revolucionária (RSF, na sigla em inglês) convocou para 16 de setembro uma convenção de massas na Universidade de Jadavpur, em Calcutá, contra os ataques fascistas nas universidades indianas e a ofensiva do governo de Bengala Ocidental sobre a autonomia universitária.
A convocação retoma os acontecimentos de 19 e 20 de agosto, quando grupos fascistas ligados à Conselho Estudantil de Toda a Índia (ABVP, na sigla em hindi) e ao Partido Popular Indiano (BJP, na sigla em hindi) invadiram o campus, atacaram estudantes, depredaram instalações e tentaram provocar incêndios. Uma investigação publicada em 10 de setembro identificou líderes da ABVP e integrantes do BJP nas imagens das câmeras de segurança, contrariando a versão segundo a qual a organização não teria participado da invasão.
A RSF caracteriza os ataques como parte da campanha de “corporativização, açafranização e militarização” dos espaços universitários. Açafranização é o termo utilizado na Índia para designar a imposição da ideologia fascista do Hindutva – o chauvinismo hindu do RSS-BJP – sobre a educação, desde os currículos até a direção e a vida das universidades; o nome deriva do açafrão, cor convertida em símbolo político desse movimento.
A organização denuncia também a emenda aprovada em 10 de setembro que permite transferir docentes e outros funcionários entre universidades do estado. Organizações de professores de Jadavpur e de outras instituições afirmam que a medida ameaça a autonomia universitária e pode abrir caminho para transferências punitivas.
A ofensiva tornou-se ainda mais explícita em 9 e 10 de setembro, quando o chefe do governo de Bengala Ocidental, Suvendu Adhikari, declarou que pretende “arrancar pela raiz” as atividades que chama de “antinacionais” na Universidade de Jadavpur e afirmou ser o momento de “arrancar as sementes do naxalismo”.

artigo do Professor Amit Bhattacharyya

