Estudantes resistem à reitoria e ao antigo regime peruano, permanecendo em ocupação na San Marcos por duas semanas
Desde 12 de maio, a Cidade Universitária da Universidade Nacional Maior de San Marcos (UNMSM), em Lima, está sob ocupação por estudantes organizados pela Federação Universitária de San Marcos (FUSM) e diversos grupos estudantis. As barricadas foram levantadas e o acesso ao campus está sendo controlado pelos alunos, que têm como objetivo impedir a aprovação do Projeto de Lei (PL) 12.736, conhecido como Lei “Jerí Ramón”. Essa proposta permitiria a reeleição imediata de reitores e decanos. A ocupação resultou na suspensão das aulas presenciais e provocou a necessidade de uma mesa de mediação após a renúncia da maioria dos membros do Comitê Eleitoral Universitário.
A mesa de diálogo foi agendada para o dia 26 de maio e contará com a participação da Defensoria do Povo, sendo considerada pelos estudantes uma conquista significativa da mobilização. O anúncio dessa mediação ocorreu exatamente duas semanas após o início da ocupação, em resposta às tentativas dos grêmios estudantis de barrar as manobras continuístas associadas à reitora Jerí Ramón. Seu grupo está acusado de tentar se manter no poder na universidade mais antiga da América Latina por meio de reformas legislativas questionáveis promovidas pelo Congresso.
No dia 22 de maio, durante uma Assembleia Universitária extraordinária, os estudantes conseguiram a aceitação da renúncia irrevogável da maioria dos membros do Comitê Eleitoral. Sete dos nove integrantes desse órgão, incluindo o presidente e o secretário, deixaram seus cargos alegando a falta de garantias tanto institucionais quanto operacionais para dar continuidade ao controverso processo eleitoral sob a supervisão da reitoria.
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Em resposta às ações dos estudantes e buscando coesão entre eles para continuar com a ocupação, no dia 23 de maio a FUSM aprovou uma resolução em Assembleia Geral que determinou o fechamento total dos portões do campus, impedindo a entrada não apenas de funcionários e professores mas também restringindo a circulação de veículos não autorizados ao corpo discente organizado. Em comunicado oficial, afirmaram que essas ações são resultado do clímax da luta organizada para garantir que suas reivindicações sejam ouvidas e respeitadas.
A crise que afeta a universidade há duas semanas origina-se na proposta polêmica do PL nº12736 apresentada em outubro de2025 pelo deputado Edgar Tello. O projeto visa legalizar a reeleição imediata para reitores e decanos nas instituições públicas superiores do Peru e os estudantes denunciam ainda que houve uma tentativa por parte da reitoria para aumentar a cláusula de barreira eleitoral exigida para representação estudantil nos órgãos colegiados.
Repressão policial e tentativas de criminalização
No último fim de semana, a federação estudantil lançou um alerta público sobre áudios falsificados que distorcem deliberadamente a voz de um representante estudantil usando tecnologia artificial. Segundo informações divulgadas pela FUSM, essa ação ocorreu após avisos sobre possíveis invasões no campus por vândalos e forças repressoras visando espalhar desinformação e desunir os estudantes.
A nota emitida pela FUSM condenou tentativas fraudulentas que visam desacreditar líderes estudantis com o intuito de criar desconfiança entre eles e destacou que esse tipo de prática é recorrente na luta deles.
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Simultaneamente à violência e fraudes digitais lançadas contra eles pelas autoridades acadêmicas estão realizando o fechamento administrativo das salas físicas para transferir todos os cursos para plataformas digitais remotas como uma estratégia para desestabilizar o convívio dentro do campus.
O Centro Federado das Ciências Sociais e Humanas criticou essa mudança forçada alegando seu caráter político exigindo transparência nas finanças universitárias retidas durante as interrupções das aulas presenciais.
A precarização do ensino público e protestos em Jaén
A mobilização estudantil se espalha por várias províncias no Peru evidenciando um quadro crônico na educação pública do país. Na província Cajamarca os alunos da Universidade Nacional Jaén ocuparam suas instalações desde o dia10de maio devido à suspensão do serviço administrativo na universidade penalizando diretamente maisdequatrocentos alunos dependentes dessa assistência básica.
Na semana passada María Esther Cuadros Espinoza chefe do Ministério da Educação foi convocada pela Comissão Educaçãopara esclarecer os conflitos em Jaén e San Marcos onde atribuiu problemas burocráticos ao colapso do refeitório universitário prometendo apenas avaliar as exigências solicitadas pelos alunos locais.
Diante disso os protestos se alastraram também pela Faculdade de Educação Física na própria San Marcos onde os alunos se mobilizaram contra assaltos extorsões e cobrança indevida cometidas por criminosos nas proximidades do campus enquanto os responsáveis ofereceram soluções insuficientes aos problemas apresentados pelos estudantes.