
No dia 12 de junho, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou em seu site o resgate de dois idosos que se encontravam em situação de trabalho escravo na área rural de Guarapuava, Paraná. Os idosos viviam em um paiol com diversas frestas nas paredes e buracos no teto, sem condições adequadas para higiene pessoal. Além disso, a estrutura apresentava fiação exposta e não havia equipamentos de proteção individual (EPI) disponíveis. Para garantir a sobrevivência, eles precisavam coletar água de fontes próximas e dependiam da ajuda de terceiros.
Durante a operação, o MTE encontrou 14 irregularidades trabalhistas, incluindo a constatação de um ambiente degradante e perigoso para a moradia, salários abaixo do mínimo estabelecido e total ausência de direitos trabalhistas garantidos. O homem que foi resgatado tem 84 anos, enquanto a mulher possui 66 anos. O responsável pela situação é o fazendeiro Elton Lange, que optou por não comentar sobre o assunto com a imprensa. Ele foi multado em apenas 70 mil reais pelo tratamento desumano imposto ao casal. Até março deste ano, Lange ocupava o cargo de diretor-presidente da cooperativa agroindustrial COAMIG.
No Brasil, em 2025, cerca de 2.700 indivíduos foram libertados de situações análogas à escravidão, evidenciando as relações semifeudais que ainda prevalecem no mercado de trabalho brasileiro. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) aponta que 82% das vítimas dessas práticas são pessoas negras ou pardas.
Esse incidente em Guarapuava ilustra uma realidade mais ampla e não isolada; é um reflexo das relações semifeudais presentes nas zonas rurais do Brasil. Situações semelhantes ocorrem em várias regiões do país, afetando diferentes setores econômicos. No sul do Brasil, por exemplo, já houve resgates de trabalhadores em condição semelhante no Rio Grande do Sul. Em Goiás, em 2024, trabalhadores foram libertados em uma fazenda pertencente ao cantor Leonardo. A repetição desses crimes e a leveza das penalidades impostas aos proprietários rurais, como as multas irrisórias aplicadas pelo sistema judiciário, contribuem para o ciclo contínuo de impunidade e perpetuam a violência e opressão semifeudais.
