Estudantes de Pedagogia da UFBA debatem o futuro da mobilização estudantil em preparação para o Encontro Nacional

No dia 25 de maio, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) sediou a primeira edição do Pré-Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (Pré-ENEPe), que reuniu educadores e alunos para debater o tema “A agressão imperialista ianque na América Latina e a intervenção do Banco Mundial na educação brasileira”. Este debate servirá como preparação para o 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia, que ocorrerá em São Luís (MA). O evento foi realizado na Faculdade de Educação da UFBA (FACED) e contou com a presença do Comitê de Apoio ao AND em Salvador.

A mesa redonda do encontro incluiu uma representante da Diretoria Nacional da Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), um ativista da Organização Estudantil Conjuração Baiana (OECB), uma aluna do curso de Pedagogia, a professora Marize Souza Carvalho, doutora em Educação pela UFBA e membro da Associação Nacional pela Formação de Profissionais da Educação (ANFOPE), além do professor Paulo Riela, que leciona Educação Física na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), também vinculado à ANFOPE e à Linha de Estudo e Pesquisa em Educação Física & Esporte e Lazer (LEPEL-UFBA).

Debates ressaltam a luta contra o imperialismo e a defesa da pedagogia

Após as boas-vindas, representantes da ExNEPe abordaram a trajetória histórica da organização e suas lutas, com foco especial na revogação da Resolução CNE/CP 04/2024 e nas intervenções do Banco Mundial no setor educacional brasileiro. Ao final dessa apresentação, Andressa convidou os estudantes para participarem do 43º ENEPe, destacando a importância da luta coletiva e independente, o que foi muito bem recebido pelo público presente.

Um membro da OECB fez uma intervenção crítica sobre o impacto negativo do imperialismo, enfatizando como este tem afetado as nações oprimidas, especialmente na América Latina e no Oriente Médio. Ele mencionou as guerras devastadoras e as violações à soberania de países como Palestina, Irã, Iémen, Venezuela e Equador. Essas ações têm gerado consequências sérias para a educação pública no Brasil. Entre os exemplos citados estavam os “Acordos MEC/USAID”, as mobilizações estudantis durante o regime militar, as greves contra o REUNI e as recentes ocupações universitárias iniciadas em 2023. Um vídeo promocional do 43º ENEPe foi apresentado pela ExNEPe e pela Executiva Maranhense de Estudantes de Pedagogia (ExMAEPe).

Uma estudante de Pedagogia destacou a maneira como as imposições imperialistas desvalorizam a figura do pedagogo e do professor como cientistas. Samara argumentou que esses profissionais devem ser reconhecidos como cientistas da educação, defendendo que a educação é uma ciência que deve atender aos interesses das massas populares. Ela apresentou a visão do pedagogo unitário como uma alternativa necessária.

A fala final foi proferida pelo professor Paulo Riela, que expôs como o imperialismo utiliza instituições como o Banco Mundial/FMI para atacar os direitos educacionais no Brasil. Ele mencionou contrarreformas promovidas por diferentes governos nas escolas e universidades, incluindo o polêmico “Novo Ensino Médio” e cortes orçamentários severos. Paulo ainda discutiu as mobilizações populares em busca do fim da escala 6×1 e ressaltou as resistências nacionais no Oriente Médio, conclamando por mudanças políticas radicais para alterar essa realidade.

A professora Marize então detalhou como as contrarreformas impostas pelo Banco Mundial/FMI afetam diretamente a educação brasileira. Ela abordou problemas relacionados às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) consideradas antidemocráticas, que contribuem para o desmonte das licenciaturas e das escolas públicas no país. Marize reiterou que esses fenômenos são consequência direta da interferência imperialista nos rumos educacionais brasileiros.

Durante todo o evento, os participantes demonstraram entusiasmo elevado, refletindo a relevância do 43º ENEPe na luta anti-imperialista nacional e no fortalecimento do movimento estudantil combativo na UFBA. Cada intervenção recebeu aplausos calorosos dos estudantes presentes.

Fortalecimento das lutas estudantis independentes na UFBA

O Pré-ENEPe ocorreu em um contexto marcado por intensas mobilizações estudantis não apenas em nível nacional, mas também dentro da própria universidade. As ações incluem ocupações realizadas por bolsistas na reitoria em janeiro e mobilizações nas unidades acadêmicas de São Lázaro (FFCH e IPSS), FACED e Escola de Belas Artes (EBA). Esta última foi cenário de uma significativa greve devido às precárias condições estruturais e à gestão acadêmica problemática resultante da transição para o Sistema Integrado de Gestão e Administração Acadêmica (SIGAA).

A mobilização independente entre os estudantes da UFBA ganha impulso frente às políticas privatistas promovidas pelo Banco Mundial/FMI através dos sucessivos governos brasileiros. Os estudantes identificaram a necessidade urgente de aumentar sua organização e mobilização para defender os direitos conquistados ao longo das décadas através de muita luta.

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