Estudantes em Santa Catarina barram palestra de docente sionista na UDESC

Monique Sochaczewski Goldfeld, uma acadêmica que defende o Estado sionista de Israel, foi considerada para compor a mesa temática “Conflitos no Oriente Médio” durante a semana acadêmica do curso de História da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), localizada em Florianópolis/Itacorubi.

Após uma intensa mobilização por parte dos estudantes para impedir sua participação, a própria Monique teria decidido não participar do evento.

Goldfeld é uma pesquisadora brasileira com cidadania “israelense”, conhecida por apoiar a legitimidade do Estado de Israel, que muitos consideram genocida. Ela se define como “anti-guerra” e “anti-sionista”, uma postura que os estudantes veem como contraditória e oportunista. Em 2023, Goldfeld caracterizou a Resistência Nacional Palestina como um grupo “terrorista” durante um evento no Programa de Pós-graduação em História da UDESC.

Em declaração a respeito, um estudante destacou: “A existência do Estado de Israel é fruto de um projeto sionista fundamentado em uma política colonialista e imperialista que visa exterminar outro povo para garantir a permanência do Estado israelense”. Ele acrescentou que se trata de uma continuação do imperialismo norte-americano.

Os estudantes relataram que o professor responsável pelo convite propôs o nome de Goldfeld nas primeiras semanas de abril, quando começaram as discussões sobre o evento programado para setembro. Inicialmente, o docente não mencionou a orientação ideológica da pesquisadora, buscando aprovar sua presença aproveitando-se da falta de informação entre os alunos.

Nas reuniões subsequentes, ao se darem conta das opiniões da convidada, os membros da comissão organizadora questionaram sua indicação. Apesar disso, o professor manteve seu posicionamento e ignorou as objeções da maioria. Quando os alunos sugeriram nomes de intelectuais árabes que apoiam a causa palestina para integrar a mesa, suas sugestões foram desconsideradas. O docente justificou sua escolha afirmando que se tratava de uma semana acadêmica e não política, utilizando um argumento de neutralidade científica que segundo os alunos é comum entre grupos reacionários que tentam silenciar movimentos políticos democráticos e revolucionários.

Uma aluna expressou preocupação ao afirmar: “É possível encontrar evidências da violência na fundação de Israel em qualquer pesquisa. Como historiadores comprometidos com uma ética política e responsabilidade histórica, como podemos permitir a presença de alguém que dá entrevistas à Globo News, associada ao imperialismo sionista?”

Ela ainda acrescentou: “Não podemos compactuar com projetos exterminadores promovidos pelo Estado israelense no Líbano, Irã e Palestina. Isso afeta diretamente nossa formação científica e nosso compromisso social.”

Apesar da desistência oficial da convidada devido à incompatibilidade em sua agenda, o professor continuou desconsiderando as preocupações dos estudantes e pediu que ela sugerisse outros nomes para manter a orientação sionista do evento. Entretanto, a mobilização estudantil persistiu: após insistentes questionamentos tanto de integrantes quanto de não integrantes da comissão durante as reuniões, a pressão foi eficaz e a proposta do professor foi finalmente retirada.

No entanto, os discentes relatam que as demandas estudantis continuam sendo desrespeitadas. Um aluno mencionou que suas sugestões para mesas e convidados são frequentemente rejeitadas sob alegações clássicas de “falta de recursos” ou por serem vistas como excessivamente políticas.

A Vigilância Sionista na UDESC

Os estudantes afirmaram que há um movimento organizado em defesa de Israel dentro e fora da UDESC com o objetivo de silenciar qualquer iniciativa em apoio à legítima causa palestina. Em 2025, o professor Oséias Pessoa, membro do Conselho Universitário (Consuni) da UDESC, ameaçou monitorar dois eventos em prol da Palestina previstos para ocorrer na universidade durante uma reunião ordinária do conselho.

<pNesse mesmo ano, o deputado estadual Jessé Lopes (PL) acusou a UDESC de utilizar recursos públicos para apoiar ações em favor de terroristas, utilizando imagens de um evento pró-Palestina como base para suas alegações. Essa situação ocorreu durante uma sessão destinada ao esclarecimento sobre ações do reitor da UDESC na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) em 14 de outubro daquele ano.

Além disso, estudantes denunciaram ações do grupo extremista RenovaUDESC, apoiado por professores e políticos externos, que estão realizando rondas pela universidade para fotografar manifestações artísticas com conteúdo político democrático e revolucionário com o intuito de denunciá-las ao Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC). Os membros desse grupo afirmam estar “limpando” a UDESC e alegam que a universidade não deve ser um espaço para debates políticos. A administração também tomou medidas ao apagar pichações em apoio à causa palestina.

Estudantes ressaltam essas situações como evidências da infiltração reacionária na burocracia universitária. Uma aluna conclui: “É urgente tomarmos essa pauta nas mãos para combater o sionismo dentro da universidade.”

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