
Na noite de segunda-feira, 8 de junho, uma mobilização de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) culminou na ocupação dos blocos K e L da Administração Central, localizada no campus Butantã. O protesto visava chamar a atenção para a deterioração das condições de permanência estudantil, as insatisfatórias condições dos Restaurantes Universitários (RUs), as represálias em resposta à greve e a suspensão do apoio ao transporte para alunos de Pedagogia e licenciaturas que desejam participar do 43º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ENEPe).
A ocupação foi promovida pela Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), que declarou que essa ação faz parte da luta contra as decisões tomadas pela Reitoria durante o movimento grevista. Logo após o início da ocupação, a Guarda Universitária e a Polícia Militar realizaram uma incursão no prédio com o intuito de remover os manifestantes.
Relatos da ExNEPe indicam que estudantes foram alvo de hostilidades e agressões por parte das forças repressivas, que também seguiram alguns manifestantes após a desocupação. A entidade revelou que pelo menos seis estudantes foram detidos e levados ao 7º Distrito Policial, enquanto outras informações sugerem um total de dez detenções durante a operação.
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A fachada do prédio da Administração Central da USP após a ocupação temporária é retratada nas imagens, mostrando uma faixa levantada pelos estudantes e a presença policial do lado externo do edifício. Foto: Reprodução/Frente Independente Marimbondo A ação exigiu um aumento de R$300 no auxílio PAPFE, a rescisão imediata do contrato com a empresa Básica Refeições e a contratação de um novo fornecedor que assegure alimentação digna aos alunos. Além disso, reclamaram contra qualquer tipo de retaliação aos grevistas, solicitaram o encerramento dos inquéritos iniciados após a ocupação da Reitoria e pediram participação na reorganização do calendário acadêmico, assim como liberação imediata de recursos para transporte aos alunos que pretendem ir ao ENEPe.
O evento está agendado para ocorrer entre os dias 20 e 24 de julho de 2026 na cidade de São Luís, Maranhão. Um panfleto divulgado pela Frente Independente Marimbondo informa que o pró-reitor Marcos Neira havia se comprometido em disponibilizar dois ônibus para os estudantes que desejassem participar do encontro, ressaltando que o descumprimento desse compromisso compromete centenas de alunos já inscritos.
Em comunicado emitido pela Frente Independente Marimbondo, ficou evidenciado que a ocupação dos blocos K e L simboliza um “avanço significativo” na greve da USP. A organização denunciou problemas graves como “larvas e pregos nas refeições” servidas nos Restaurantes Universitários e criticou o “auxílio insuficiente”, além da postura inflexível do reitor Aluísio Segurado diante das demandas apresentadas pelos estudantes.
A Frente Marimbondo também correlacionou essa mobilização com as repressões enfrentadas pelos alunos durante a ocupação anterior da Reitoria em maio passado. Em um episódio ocorrido em 12 daquele mês, foi noticiado que a Polícia Militar atuou sob ordens do governador Tarcísio de Freitas e do reitor Aluísio Segurado para dispersar os estudantes que haviam ocupado a Reitoria desde o dia 7 com uso excessivo de força.
No mesmo sentido, uma declaração conjunta do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e Alvorada do Povo (AP) considerou essa ocupação como uma conquista importante do movimento estudantil autônomo e combativo. Ambas as organizações enfatizaram que a greve — já com mais de cinquenta dias — não finda apenas por decisão da administração universitária sem que as reivindicações sejam atendidas.
As entidades ainda criticaram tentativas oportunistas por parte das lideranças para encerrar o movimento sem atender às principais reivindicações dos alunos mobilizados. Para MEPR e AP, a ocupação representa uma nova dinâmica na greve frente à precarização educacional e à repressão policial sofrida pelos estudantes.
A greve reúne participantes de diversas unidades tanto na capital quanto no interior paulista, com demandas fundamentais relacionadas à melhoria nas condições dos RUs, aumento no auxílio permanência, preservação dos espaços estudantis e fim das represálias contra os alunos envolvidos nas mobilizações.
Até o momento em que esta matéria foi finalizada, não houve respostas por parte da USP ou das autoridades policiais sobre as alegações feitas pelas organizações estudantis.

