Polícia turca realiza operação em sede do jornal Yeni Demokrasi e detém integrantes do Partizan antes do Dia do Trabalho

No dia 28 de abril, a sede do periódico turco Yeni Demokrasi em Istambul foi alvo de uma ação policial, marcada por uma operação que visava organizações que estavam se preparando para uma significativa marcha no Dia Internacional do Trabalho, celebrado em 1° de Maio. Durante essa ação, ao menos 92 indivíduos foram detidos sob a acusação de estarem organizando este ato internacionalista e foram levados para interrogatório pela Divisão de Política Nacional.

Segundo informações do próprio Yeni Demokrasi, sua base na área de Taksim foi invadida, resultando no roubo ou dano de diversos itens, incluindo computadores, livros, faixas e pôsteres. Além disso, pelo menos oito apoiadores do jornal foram presos pela chamada “unidade antiterrorista” da polícia local.

A tribuna popular turca criticou as ações da mídia burguesa-feudal, que, em um esforço para justificar as operações ilegais programadas para o 1° de Maio, começou a caracterizá-las como ações “contra organizações terroristas”.

A iniciativa policial foi autorizada pela Procuradoria-Geral da Turquia, que admitiu estar agindo contra o direito à livre manifestação visando reprimir pessoas e grupos populares capazes de “mobilizar multidões” contra o antigo Estado turco.

Dentre os detidos, 82 eram associados a organizações de esquerda que foram criminalizadas pelo antigo regime turco, incluindo o Partizan, grupo especificamente mencionado pela procuradoria. Relatos do jornal Mezopotamya indicam que os prisioneiros políticos foram submetidos a torturas físicas.

Lideranças do sindicato dos trabalhadores têxteis também foram alvo das prisões. Estudantes como Alican Dogan, um estudante de engenharia mecatrônica, foram sequestrados sem qualquer explicação enquanto estavam no dormitório universitário, conforme reportado pelo jornal Evrensel.

Durante essa operação de sequestro, um policial chegou a realizar ameaças insinuando que no “Dia 1° de Maio” e durante o “52° aniversário da morte” do líder comunista Ibrahim Kaypakkaya (considerado por muitos como um herói revolucionário), “detalhes” seriam revelados pela polícia.

Em um ato intimidatório direcionado às massas populares da Turquia, o julgamento dos ativistas foi marcado para o dia 1° de maio. No entanto, essa ameaça não parece ter desestimulado o movimento popular, que continua determinado a romper as barreiras policiais que visam impedir o acesso dos manifestantes à Praça Taksim.

Partizan: “Não conseguirão nos intimidar”

No dia 27 de abril, o movimento Partizan fez uma declaração pública reafirmando seu compromisso com uma mobilização massiva para as celebrações do Dia Internacional do Trabalho. Um artigo publicado no Yeni Demokrasi destacou que o Partizan não apenas conta com o apoio da população turca, mas também recebeu respaldo de jovens curdos que saudaram a iniciativa.

Em relação às repetidas tentativas de repressão e assédio por parte das autoridades turcas, o Partizan afirmou: “As classes dominantes estão cada vez mais temerosas do 1º de maio e da luta organizada da classe trabalhadora. Elas tentam intensificar sua propaganda negativa e políticas repressivas para afastar o povo da luta. Acreditam que podem extirpar a luta dos trabalhadores com um regime baseado no medo. Assim como fecharam a Praça Taksim aos trabalhadores, tentam intimidar o povo ideologicamente. Essas investidas não nos intimidaram antes e não irão agora. O futuro está em nossas mãos. Vamos nos encontrar em Taksim no dia 1º de maio nas fileiras do Partizan, lutando contra a exploração, a pobreza, a corrupção e os feminicídios!”

Ataques à imprensa popular e democrática se espalham globalmente

A intimidação e os ataques contra veículos da imprensa popular e democrática são fenômenos recorrentes. O próprio Yeni Demokrasi, assim como seus apoiadores, enfrentaram constantes tentativas de agressão às suas sedes e plataformas digitais; seu site oficial já foi banido na Turquia em pelo menos 35 ocasiões. Apesar dessas investidas repetidas, o jornal conseguiu manter sua atuação junto às massas turcas e continua cobrindo as lutas populares dos trabalhadores e camponeses.

No Brasil, por exemplo, o periódico A Nova Democracia sofreu um ataque em sua antiga sede em 2020 por um agente disfarçado como técnico de telefonia que cortou os fios da internet antes de fugir. Antes desse incidente, outro indivíduo havia sido visto fazendo vigilância nas proximidades do jornal. Além dessa sabotagem física, a equipe enfrentou ameaças provenientes de grupos reacionários e paramilitares.

<p Na Índia, a revista popular Nazariya, cujo público é majoritariamente composto por jovens na faixa dos 20 anos, também sofreu represálias da Polícia de Déli. Eles foram acusados de manter contato com ativistas clandestinos ao mesmo tempo em que produziam seu conteúdo.

A ameaça aos jovens detidos inclui torturas físicas como choques elétricos e espancamentos enquanto os policiais exigiam confissões forçadas. Apesar disso, eles mantiveram-se firmes na defesa dos seus direitos. Em resposta à repressão sofrida pelos membros da redação da revista Nazariya, foi ressaltado que as intimidações não seriam suficientes para interromper seu trabalho voltado às massas.

“Isso evidencia o temor do Estado indiano diante da nossa revista”, afirmaram os redatores. “Ela oferece clareza científica e uma linha política marxista-leninista-maoista sobre as questões cruciais atuais enfrentadas pelo movimento revolucionário. Realmente,Nazariya continua sendo uma dor nas classes dominantes indianas assim como Iskra era para os czares e grandes capitalistas russos. Em tempos difíceis para nosso movimento revolucionário pela Nova Democracia,Nazariya se torna um meio vital para aprofundar nossa clareza ideológica e reafirmar nosso compromisso com a Revolução até alcançar a vitória final.” Eles ainda reiteraram: “Continuaremos publicando nossa revista independentemente das circunstâncias e nunca nos acovardaremos diante da repressão estatal.”

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