No dia 28 de maio, o Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (CGRI) anunciou que, às 4h50 no horário local, realizou um ataque a uma base aérea das forças dos Estados Unidos em resposta ao que qualificou como um novo ataque americano nas proximidades do aeroporto de Bandar Abbas, localizado no sul do Irã. O comunicado foi veiculado por agências estatais iranianas, como Tasnim e Press TV, mas não especificou qual base foi alvo da operação. Investigações e relatos da região sugerem que a instalação visada estaria situada no Kuwait, embora essa informação ainda não tenha sido confirmada oficialmente pelo CGRI.
The Iranian Revolutionary Guard Corps released footage showing its response to the US aggression carried out at dawn in the Bandar Abbas region. pic.twitter.com/7HfBCstZzA
— The Palestine Chronicle (@PalestineChron) May 28, 2026
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, destacou que a ação da Guarda Revolucionária Islâmica evidenciou a prontidão das Forças Armadas do país. Ele alertou que os adversários devem compreender que o Irã responderá de maneira adequada e proporcional a qualquer nova ameaça ou ato hostil.
Ataques ianques ao Irã
Conforme reportado por fontes iranianas, os ataques realizados pelos EUA nas áreas ao redor do Aeroporto de Bandar Abbas infringiram o cessar-fogo existente e representam uma agressão que não ficará sem resposta. O CGRI classificou sua ação como um “aviso severo”, advertindo que qualquer nova provocação resultará em uma resposta ainda mais contundente e responsabilizando o agressor pelas consequências.
A Marinha do CGRI informou ter obrigado um petroleiro americano a recuar após este ter tentado atravessar o Estreito de Ormuz com o sistema de rastreamento desativado. Segundo a Press TV, disparos de alerta foram feitos pela força naval iraniana para forçar a embarcação a se afastar, reafirmando o controle iraniano sobre essa importante via marítima.
Amir Saeid Iravani, representante do Irã na ONU, destacou que o Estreito tem sido cada vez mais utilizado para facilitar ataques militares na região, incluindo o transporte de equipamentos bélicos com fins hostis contra o país. Ele advertiu que essa militarização apresenta “riscos elevados e sem precedentes” à navegação internacional.
Fontes do Comando Central dos EUA (Centcom) informaram à Reuters que na noite anterior realizaram ataques contra uma estação de controle terrestre em Bandar Abbas e derrubaram quatro drones iranianos unidirecionais considerados ameaçadores na região do Estreito de Ormuz. Um oficial anônimo descreveu essas ações como “calculadas” e “puramente defensivas”, com o intuito de manter o cessar-fogo, mesmo enquanto a retórica beligerante da Casa Branca continua: recentemente, o presidente Donald Trump afirmou que poderia “terminar o trabalho” caso Teerã não aceitasse um acordo.
Reações vigorosas vieram de autoridades iranianas, incluindo Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. Em declaração à imprensa estatal, ele repudiou as “repetidas violações do cessar-fogo” pelos EUA e solicitou a intervenção do Conselho de Segurança da ONU. Baghaei ressaltou que o Irã age dentro dos limites da legítima defesa — conforme estipulado no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas — para salvaguardar sua integridade territorial. A mídia estatal também informou que as defesas aéreas do Kuwait foram ativadas durante a madrugada e confirmaram interceptações, embora não tenham especificado a origem dos projéteis.
Retaliação eleva custo da agressão ianque
A recente sequência de ataques e respostas entre as partes revela uma complexidade além da simples interpretação de prudência diplomática por parte dos EUA nas negociações. O cenário atual sugere um recuo forçado pela escalada dos custos associados à agressão: Washington tenta equilibrar bombardeios cirúrgicos, derrubadas de drones, presença naval intensificada, bloqueios econômicos e sanções diplomáticas sem conseguir desmantelar o domínio iraniano sobre o Estreito de Ormuz.
Por outro lado, Teerã utiliza esse estreito como um importante meio de dissuasão econômica e política. Cada novo ataque norte-americano provoca reações que aumentam os riscos na região, afetando nações vizinhas no Golfo e tornando mais difícil alcançar um acordo favorável aos interesses americanos. A retórica agressiva de Trump sobre “terminar o serviço” se confronta com os altos custos militares, econômicos e políticos envolvidos em uma potencial escalada que Teerã vem conseguindo tornar cada vez mais onerosa.
No mesmo dia 28, durante a 14ª Reunião Internacional de Altos Representantes sobre Segurança em Moscou, Ali Bagheri Kani, vice-ministro de Política Externa e Segurança Internacional do Secretariado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, declarou que os objetivos imperialistas dos Estados Unidos não foram alcançados com os recentes ataques ao território iraniano.
