Em 28 de maio, o Rio de Janeiro lembrará os dois meses da significativa manifestação que ocorreu no Centro da cidade, em protesto contra a “Operação Kagaar” e em apoio ao Partido Comunista da Índia (Maoista) e à Guerra Popular na Índia. O evento foi organizado pela Liga Anti-Imperialista Internacional (LAI) e atraiu mais de 200 militantes de várias partes do Brasil, seguindo um percurso que ia do Largo da Carioca até os Arcos da Lapa.
A marcha teve como foco a denúncia das ações genocidas promovidas pelo governo fascista de Narendra Modi, que visa reprimir a Revolução Indiana através da violência contra povos adivasis, camponeses, operários, estudantes e revolucionários. Uma faixa exposta no início do ato expressava: “Abaixo a Operação Kagaar e o Plano Surajkund! Abaixo o fascismo bramânico-hindutva!”.
No evento, estavam presentes trabalhadores da Liga Operária, uma expressiva delegação da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), além de estudantes, intelectuais e ativistas anti-imperialistas. Com faixas vermelhas e gritos de ordem internacionalistas, os participantes conseguiram captar a atenção dos trabalhadores, transeuntes e turistas que se encontravam no centro da capital fluminense.
Da Carioca aos Arcos da Lapa
A concentração teve início às 9h no Largo da Carioca. Posteriormente, os manifestantes marcharam em colunas pelo centro movimentado do Rio de Janeiro, finalizando sua caminhada nas proximidades dos Arcos da Lapa, onde aconteceu a Conferência Nacional da Liga Anti-Imperialista Internacional.
Durante o trajeto, os ativistas criticaram a repressão imposta pelo velho Estado indiano à Revolução Indiana e defenderam o Partido Comunista da Índia (Maoista), que lidera a Guerra Popular. A marcha foi marcada por bandeiras vermelhas e símbolos de solidariedade com a Palestina, Irã e outros povos em luta, refletindo um forte caráter internacionalista.
<pEnquanto caminhavam, os manifestantes realizaram queimas simbólicas de bonecos representando Donald Trump e Narendra Modi diante do monopólio imperialista ArcelorMittal. Ademais, bandeiras dos Estados Unidos (EUA) e de Israel foram queimadas em frente ao consulado americano na Cinelândia. Apesar das tentativas de intimidação por parte da polícia militar, os ativistas mantiveram-se firmes em suas ações.
Defesa da Revolução Indiana
Durante o ato, um porta-voz da Liga Anti-Imperialista Internacional (LAI) no Brasil fez uma vigorosa defesa da Revolução Indiana e do Partido Comunista da Índia (Maoista). Em seu discurso, ele repudiou as ações do governo fascista de Modi e as diversas campanhas destinadas a cercear a Guerra Popular na Índia.
Membros da Liga dos Camponeses Pobres ressaltaram que a Revolução Indiana enfrenta desafios semelhantes aos encontrados na revolução agrária brasileira, especialmente em relação ao latifúndio sustentado pelo imperialismo. A fala estabeleceu conexões entre as lutas dos camponeses pobres e dos povos adivasis na Índia com aquelas vividas por camponeses pobres, indígenas e quilombolas no Brasil.
A manifestação ocorrida em 28 de março fez parte de um movimento mais amplo de ações políticas no Brasil que visam apoiar o PCI (Maoista), a Guerra Popular na Índia e as lutas dos povos oprimidos contra o imperialismo.
Revista Nazariya: o maoísmo sobrevive na Índia
A relevância do ato foi reafirmada semanas depois por meio da publicação indiana revolucionária Nazariya. Em um artigo divulgado no Dia Internacional dos Trabalhadores, a revista declarou que a tentativa do velho Estado indiano de eliminar o maoísmo “tanto pela força quanto pela opressão” falhou. “O Marxismo-Leninismo-Maoismo persiste na Índia em todas as suas formas”, destacou a publicação.
A Nazariya também denunciou tendências oportunistas que buscam justificar capitulações frente à reação adversa e desmantelar o movimento revolucionário. Este debate está diretamente ligado à manifestação realizada no Rio de Janeiro, que defendeu tanto o Partido Comunista da Índia (Maoista) quanto a Guerra Popular e enfatizou a necessidade de resistir à campanha genocida do governo Modi.
Dois meses depois, a tarefa permanece
Poucos dias após o ato coletivo no Rio de Janeiro, foi publicado um editorial afirmando que apoiar a Revolução na Índia e as resistências nacionais da Palestina e do Irã é uma tarefa fundamental para todos os anti-imperialistas ao redor do mundo. O editorial ressaltou como o governo fascista de Narendra Modi fez declarações falsas sobre ter erradicado a Revolução Indiana ao mesmo tempo em que reconheceu que a Guerra Popular continua viva entre as massas populares, especialmente os povos adivasis e outras comunidades empobrecidas tanto nas áreas rurais quanto urbanas.
“Apoiar a Revolução Indiana e seu Partido Comunista (Maoista), assim como as lutas pela resistência nacional palestina e iraniana é um dever fundamental para todos os internacionalistas”, enfatizou o editorial.
Após dois meses desde aquela grande mobilização no Rio de Janeiro, ela se mantém como uma das manifestações mais significativas em defesa da Revolução Indiana contra a “Operação Kagaar”. Recordar esse evento é também reafirmar o compromisso com o PCI (Maoista), com a Guerra Popular na Índia e com as lutas dos povos subjugados contra todas as formas de imperialismo.
