O mês de junho foi marcado por uma intensa ofensiva militar e campanhas de propaganda do Exército de Libertação Nacional (ELN), evidenciando o aumento da tensão no conflito colombiano entre a guerrilha e as forças armadas. Na área de Catatumbo, em Norte de Santander, o emprego de drones armados resultou na morte de um soldado e deixou quatro outros militares feridos. O incidente ocorreu enquanto tropas do 11º Batalhão de Operações Terrestres, que fazem parte da Força-Tarefa Vulcano da Segunda Divisão, realizavam atividades militares, ressaltando a fragilidade das estruturas do Estado frente às novas táticas utilizadas pelos insurgentes.
A situação no departamento de Chocó também se agravou com combates intensos e ações de sabotagem contra o governo. Em 8 de junho, a Marinha Nacional registrou um ataque com explosivos lançados por drones em uma zona rural de Belén de Docampadó, direcionado a unidades do 22º Batalhão de Infantaria Fluvial. Os soldados que ficaram feridos foram levados para hospitais em Buenaventura. A instituição militar caracterizou o ataque como um “ato terrorista”, alegando violação do Direito Internacional Humanitário, ao mesmo tempo em que intensificava operações na região do Pacífico colombiano sob o pretexto de combater grupos armados.
As atividades do ELN vão além da utilização de drones; suas ações e propaganda revolucionária continuam a desafiar a soberania territorial do governo. Na madrugada do dia 24 de junho, um cilindro e bandeiras do ELN foram encontrados na rodovia Troncal del Caribe, na estrada que liga Riohacha a Santa Marta. Essa descoberta levou à interrupção do tráfego por mais de três horas enquanto equipes antiexplosivos isolavam a área. Embora tenha sido constatado que o artefato não possuía material explosivo, essa ação publicitária demonstrou a capacidade do grupo guerrilheiro em mobilizar e monitorar rotas estratégicas.
A resistência popular contra o governo também se manifestou com força no Chocó. Durante uma operação dentro de um ônibus que fazia o trajeto entre Carmen de Atrato e Ciudad Bolívar, membros de uma comunidade indígena impediram que policiais detivessem um homem suspeito de ser integrante do ELN. Esse indivíduo tinha três mandados de prisão por rebelião, recrutamento e conspiração. A intervenção dos indígenas gerou revolta nas autoridades policiais, que ameaçaram processar todos os envolvidos na defesa do acusado.
O desgaste das forças governamentais ficou evidente em incidentes como o ataque ao navio-hospital Benkos Biohó. Durante uma operação fluvial no rio San Juan, em Palestina, Chocó, tropas do 24º Batalhão Fluvial da Marinha foram atacadas com armas automáticas e granadas. O comando militar atribuiu essa agressão à Frente Ernesto Che Guevara do ELN. Apesar da ausência de feridos nesse episódio, a Marinha condenou a ação ao afirmar que ela “colocou em risco a segurança das tropas e dos profissionais médicos”. Esse cenário evidencia a crescente incapacidade do Estado em proteger suas próprias operações logísticas na zona conflituosa.
A nova gestão reacionária e sua subordinação ao imperialismo
A política colombiana sofreu uma mudança significativa com a eleição de Abelardo de la Espriella no dia 21 de junho. Com 49,66% dos votos no segundo turno, ele superou Iván Cepeda por uma margem apertada em um pleito marcado por denúncias graves sobre irregularidades eleitorais e uma crise profunda de legitimidade. De la Espriella é conhecido por seu discurso autoritário e promete implementar megaprisões além de adotar uma política militarista alinhada aos interesses históricos dos Estados Unidos para controlar a região e combater os grupos insurgentes.
A vitória desse novo governante é celebrada pelas elites sociais e pelo alto comando militar, que enxergam nessa política “de segurança” uma oportunidade para intensificar a repressão contra os movimentos populares. A promessa dele para encerrar negociações com grupos guerrilheiros junto à clara subordinação aos interesses imperialistas solidifica a imagem da Colômbia como um campo experimental para contrainsurgência.
A caça aos líderes do ELN mobiliza recursos significativos das agências de inteligência dos EUA e da administração colombiana. Após operações contra o grupo Tren de Aragua, as atenções se voltaram para os membros do Comando Central (Coce) do ELN. O General Hugo López Barreto afirmou categoricamente que os líderes guerreiros estariam localizados na Venezuela: “Isso já está claro; diversas autoridades confirmaram isso”, afirmou ele ao justificar a necessidade de uma intervenção coordenada com potências estrangeiras para capturar esses dirigentes.
A estratégia adotada pela burocracia estatal parece ser uma guerra total interna. Conforme López Barreto declarou: “já realizamos três ataques a bomba contra o ELN visando líderes situados na Colômbia”. Essa declaração revela uma política exterminadora que ignora supostas garantias constitucionais oferecidas pelo Estado antigo, buscando desmantelar a estrutura organizacional através de ataques cirúrgicos que comprometem a estabilidade regional e colocam civis em perigo iminente. A fronteira com a Venezuela continua sendo utilizada como justificativa para aumentar o efetivo militar e expandir vigilâncias eletrônicas, transformando essa área em um corredor controlado pelos interesses estadunidenses.
