Vista de Dino foi articulada para retirar caso Moraes da reta final da farsa eleitoral, diz UOL

O pedido de vista de Flávio Dino, que fez o STF terminar seis horas de julgamento sem sequer decidir se Alexandre de Moraes seria investigado por suas relações com Vorcaro, já vinha sendo preparado antes do berreiro final. Segundo ministros e auxiliares ouvidos pelo UOL, Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e o próprio Moraes discutiam havia dias uma saída que permitisse reunir os casos Moraes e Mendonça e, ao mesmo tempo, tirar a crise das semanas imediatamente anteriores às eleições burguesas de 4 de outubro. Integrantes do grupo trataram da saída até com Edson Fachin.

A hipocrisia estava presente no próprio plenário, na pugna entre os grupos de poder no seio das classes dominantes reacionárias. Durante horas, esse grupo acusou Mendonça de conduzir o caso segundo interesses político-eleitorais; segundo a apuração, porém, fora das câmeras discutia como o julgamento deveria ser organizado em função dos efeitos eleitorais. As fontes ouvidas pelo UOL afirmaram que havia preocupação de que a continuidade do caso naquele momento prejudicasse Luiz Inácio (PT) e favorecesse Flávio Bolsonaro (PL).

Dino dispõe agora de até 90 dias para devolver os autos, podendo empurrar a retomada para dezembro. A sessão extraordinária convocada para decidir se Moraes deveria ser investigado consumiu cerca de seis horas e terminou antes de alcançar o mérito; depois de a crise atravessar a campanha eleitoral, o julgamento pode atravessar toda a farsa eleitoral sem produzir decisão.

O Governo Militar Secreto
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