
O berreiro exibido pela TV Justiça em 15 de setembro já corria havia dias pelos celulares dos ministros da casta judiciária. Em mensagens reveladas pelo Metrópoles, Gilmar Mendes cobrou que Kassio Nunes Marques e Luiz Fux se afastassem dos processos ligados ao Master e escreveu ao presidente do TSE: “Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”. Depois de Gilmar estender a cobrança à família do colega, Kassio bloqueou seu número no WhatsApp.
Fux recebeu tratamento semelhante. Gilmar o acusou de ter atuado de forma combinada com Kassio e Mendonça no julgamento sobre o afastamento de Andrei Rodrigues da direção da PF, já que Fux e Kassio apresentaram seus votos poucos minutos depois de o decano pedir vista. “Isto revela qualquer coisa menos postura institucional”, escreveu Gilmar. Fux respondeu: “Ninguém nesse mundo diz pra mim como agir” e, na manhã seguinte, encerrou a conversa: “Cuide de não encher meu saco!”. Fux e Mendonça negam combinação ou atuação irregular.
Dias depois, Kassio abandonaria a votação que poderia alcançar Moraes e o seu próprio entorno, enquanto Fux, Mendonça, Gilmar e Moraes trocariam acusações públicas sobre mentiras, manipulação de investigações e “PF paralela”. A chamada serenidade dos “guardiões da Constituição” já chegara ao ponto de ministros exigirem extratos uns dos outros e resolverem divergências com bloqueio de WhatsApp antes mesmo de o País assistir ao restante do espetáculo.


