Estudantes revolucionários denunciam perseguição policial e ameaça de ‘caso de conspiração maoista’ na Índia

A estudante revolucionária Gurkirat Kaur denunciou que agentes da Polícia de Delhi vêm perseguindo-a e intimidando seus familiares há meses e que, após prendê-la em 6 de agosto, um investigador ameaçou enquadrá-la futuramente em um “grande caso de conspiração maoista” caso ela não abandone sua atividade política.

Gurkirat, atualmente estudante da Universidade de Panjab e ex-presidente do Fórum de Unidade Estudantil Bhagat Singh (bsCEM), afirmou que, durante quatro ou cinco meses, policiais e homens à paisana passaram a visitar sua residência a cada sete ou dez dias. Segundo ela, os agentes perguntavam por seu paradeiro, acusavam-na de ser “maoista” e diziam aos familiares que, se não conseguissem fazê-la abandonar sua política, o aparato repressivo agiria “à sua maneira”.

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A prisão de 6 de agosto decorreu de um processo relacionado às mobilizações de fevereiro na Universidade de Delhi em defesa dos regulamentos de equidade da Comissão de Subsídios Universitários (UGC, na sigla em inglês). Os protestos foram marcados por confrontos depois que grupos estudantis denunciaram agressões de elementos da Akhil Bharatiya Vidyarthi Parishad (ABVP), organização estudantil ligada ao RSS-BJP, e da influenciadora Ruchi Tiwari. A existência das denúncias cruzadas e das ameaças contra militantes estudantis foi registrada também pela imprensa indiana. 

Gurkirat obteve fiança no mesmo dia. Segundo sua denúncia, porém, o agente responsável pela investigação afirmou que aquele processo era pequeno e que o próximo seria um “caso de conspiração maoista”. A militante relacionou a perseguição à campanha do velho Estado indiano contra o chamado “naxalismo da pena” e conclamou organizações estudantis e democráticas a combater conjuntamente a repressão.

“Quão oco deve ser um Estado que tem medo da caneta, dos estudantes que leem, escrevem e questionam; que tem medo de jornalistas, advogados e artistas; que tem medo da ideologia!”, declarou.

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