
No dia 13 de maio, quarta-feira, um grupo de educadores da Rede Municipal de Ensino de Maceió, em Alagoas, juntamente com outros profissionais da educação, promoveu uma paralisação em frente à prefeitura local, situada no bairro do Jaraguá. A ação foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), que almeja obter respostas sobre questões urgentes que afligem a categoria.
Essa mobilização ocorre em meio a um cenário de elevada tensão, especialmente após as recentes mudanças na liderança da Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed). João Gilberto Cordeiro Folha assumiu o cargo no dia 4 de maio, sucedendo Luiz Rogério Neves Lima, que ocupou a função por quase um ano. A nomeação de João Gilberto foi uma sugestão do vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), que está buscando articulações políticas com seu ex-oponente, o ex-prefeito João Henrique Caldas, candidato ao governo de Alagoas pelo PSDB.
A categoria enfrenta uma significativa defasagem salarial de 54% em relação ao piso nacional estabelecido para os professores, conforme informações divulgadas por uma emissora local.
Com o intuito de pressionar a administração municipal a avançar nas negociações e valorizar os profissionais da educação, o Sinteal declarou que a paralisação faz parte do calendário de lutas do setor.
Durante o protesto, os educadores empunharam cartazes e faixas com mensagens como: “JHC mentiroso Master” (referente aos R$ 117 milhões investidos no Banco Master durante o governo JHC), “valoriza a educação ou aguenta o rojão”, “planos de cargos e carreira” e “cadê o aumento da carga horária?”. O movimento também manifestou descontentamento em relação ao atual prefeito Rodrigo Cunha (Podemos).
Dentre as principais reivindicações dos trabalhadores estão: a criação de um plano de carreira, a implementação do auxílio-internet, regularização das progressões pendentes desde 2009, revisão nos critérios para áreas de difícil acesso, garantia do vale-transporte e ampliação da carga horária. Os profissionais aguardam uma reunião com o prefeito Rodrigo Cunha para dialogar sobre essas demandas. Representantes do movimento afirmaram que não obtiveram resposta da gestão anterior liderada por João Henrique Caldas.
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No dia 1º de julho de 2025, os educadores decidiram deflagrar uma greve durante assembleia promovida pelo Sinteal, após rejeitarem por unanimidade a proposta governamental de reajuste salarial de 4,83% apresentada pelo governo Paulo Dantas (MDB). A categoria pedia um aumento de 10%, considerando a oferta insuficiente. O movimento teve início com um grande ato nas ruas da capital, organizado pelo Sinteal para reivindicar não apenas o reajuste salarial, mas também melhorias nas condições laborais e infraestrutura das escolas.
A greve se estendeu por cerca de 40 dias e foi encerrada em assembleia realizada no dia 8 de agosto de 2025. A decisão foi tomada pela maioria dos servidores presentes; no entanto, houve forte oposição e críticas por parte dos professores que defendiam a continuidade do movimento.
O presidente do Sinteal, Izael Ribeiro — pré-candidato a Deputado Federal pelo PT nas eleições de 2026 — foi um dos principais alvos das críticas. Um professor relatou em entrevista que Izael não incentivou a categoria a persistir na luta durante a assembleia e apenas questionou quem desejava encerrar ou não o movimento.
